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FATOS E QUESTIONAMENTOS

Indiciamento de Jorginho - Por que será que só o gestor de futebol do Vitória tenha que ir à Justiça explicar porque é contra que mulheres trabalhem na arbitragem em jogos de homens? Será que é porque ele, mesmo sendo amador e iniciante na carreira de administrar futebol, já tenha alcançado tanto sucesso? Ou por que não seja muito simpático (ou rival de clube) dos que o querem nas barras do tribunal?


O que Jorge Sampaio disse foi repetir o que muitos já disseram. Comentaristas, dirigentes, torcedores e até técnicos da fisiologia e da preparação física. Que mulher não tem a estrutura adequada para trabalhar em jogos de futebol masculino, de maior dinâmica, que incidem em uma necessidade maior de preparo físico, de visão periférica, de uma combinação psicomotora de maior intensidade.


Eu só discordo quando se diz (e foi o único ponto equivocado que se pode detectar nas declarações de Sampaio), que mulher erra mais do que homem, porque os dois erram e acertam de forma igual, sem tirar nem botar. Mas esse negócio de levar o dirigente à guilhotina é coisa completamente fora de sentido.
Entendo até que a torcida do Vitória tem se pronunciado muito pouco em defesa do seu dirigente, que, com Alexi Portela, já fez muito pelo clube, tirando-o de uma catastrófica terceira divisão e, anos seguidos, colocando-o na segunda e na primeira, com distinção e louvor. Essas coisas não podem ser esquecidas – afinal de contas, temos exemplos de pessoas que cometem crimes terríveis, na política, no esporte e na vida comum, que acabam indultados como prêmios por serviços bem menos relevantes dos que Jorginho Sampaio tem prestado.


As críticas a Apodi - Nestes dias de muitos jogos pela televisão, fiquei encantado com as pérolas que saíram em um programa vespertino de tevê fechada. Uma delas foi quando um comentarista global, procurando minimizar o futebol de Apodi andou dizendo que ele era “o jogador mais divertido do campeonato”, porque “corria, corria, parecia que estava disputando fórmula 1, mas acabava não fazendo nada”. Aí o companheiro dele, menos rigoroso, lembrou que “mas foi ele quem desmantelou a defesa do Palmeiras, fazendo aquele gol e criando uma infinidade de outras chances”. Um terceiro foi mais prático: “e se você não sabe, Apodi integra a seleção dos melhores da nossa Rede Globo”.


Nem bem o assunto havia esfriado e deram vez a um telespectador flamenguista, que completou a comédia, por telefone: “falar em coisa divertida e cômica são as aquisições de Pet e Adriano, porque um só voltou para vigiar o caixa para que não continue levando calote e o outro voltou para se curar de uma fortíssima depressão”.


O próprio Kleber Leite, gestor de futebol do Flamengo, se encarregou de escangalhar tudo pelos ares, quando o crítico de Apodi, procurando contemporizar sobre os dois atacantes da Gávea, pediu que ele se pronunciasse sobre o sérvio e o imperador. E disse o Kleber: “na verdade, ainda vou esperar, porque apenas sei que ambos estão procurando resolver as suas vidas, não sei se resolverão a do Flamengo” (!!!)


O preparo do Bahia - Ouvi o Anderson Paixão, preparador físico do Bahia, dizer uma grande verdade que deve servir para qualquer cronista que tenha vergonha na cara: “o grande problema é que bastou o tricolor levar um gol ou perder um jogo, logo nossos críticos recorrem à falta de boa preparação física”. E explicou: “o que acontece é que os nossos atacantes têm perdido ótimas chances e isso é uma questão técnica”.


Paixão não disse nada de novo nem mentiu: o correto – e ele ajudou muito nisso – é que o time do Bahia é fraco, tem jogadores que ainda não correspondem e há uma grande carência de reforços de qualidade. Porque se isso não acontecer, vai ficar difícil voltar à divisão de elite.


Porque só preparo físico não é o suficiente para atingir as metas desejadas pelo nosso bicampeão brasileiro. Mas, também, tática, talento, eficiência e atitude.