CAMPANHA INVERTIDA
O Bahia até que não faz uma má campanha, o problema é que ele inverteu o comportamento com relação ao ano passado. Naquele campeonato, sem casa para jogar, pois tinha de se contentar com o campo neutro de Feira de Santana, o seu drama foi justamente quando tinha que receber os seus adversários no Jóia da Princesa.
Só para recordar, até a sexta rodada o tricolor sequer havia transitado no G-4, somando oito pontos, com duas vitórias fora de casa (1 x 0 América e 2 x 1 Criciúma), dois empates e duas derrotas em Feira (1 x 1 Fortaleza, 0 x 0 Paraná, 0 x 2 Santo André e 0 x 1 Barueri).
Agora, na mesma sexta rodada, tem 10 pontos ganhos, dois a mais e já esteve, por duas rodadas, entre os classificáveis. O que preocupa mesmo é esta forma covarde de jogar fora de casa, acumulando duas derrotas e um mísero empate no terreno inimigo (2 x 1 São Caetano, 0 x 0 Portuguesa e 0 x 3 Brasiliense), com suas três vitórias em casa, Pituaçu (2 x 0 Paraná, 1 x 0 Ceará e 4 x 0 ABC).
E o que mais realça esta preocupação é que em todos os jogos fora o Bahia tem vacilado muito. Contra o São Caetano teve um início muito bom, mas depois de marcar um gol acabou, a partir de 15 minutos, entregando-se literalmente na partida - e só não levou uma goleada porque o goleiro Marcelo esteve muito inspirado; diante da Lusa, aquele 0 x 0 ainda não foi digerido, porque o time paulista ficou com um jogador a menos desde o primeiro tempo e o Bahia se limitou a troca de passes na frente do gol, sem qualquer objetividade; e neste jogo com o Brasiliense, o time foi ridículo, jogou futebol de quem realmente parece não ter ambição de voltar à primeira divisão. E mesmo quando esteve com um a mais, desde os 35 minutos, rodou, rodou, rodou, mas criou muito poucas chances de golear.
Não dá para entender como uma equipe que até fez um bom jogo contra o ABC tenha se defasado tanto, com os seus principais valores entrando numa desqualificação de causar pena. Até o menino Roberto, que foi um destaque no jogo anterior, em Brasília parece que guardou energias para ir falar com o presidente Lula. Esteve desaparecido no jogo. Não entendi até agora também as mudanças do treinador Alexandre Gallo e porque alguns jogadores, que foram tão festejados no sábado nem foram relacionados para a triste terça-feira!
Acho que o Bahia ainda tem jeito, mas o que não pode é continuar insistindo nos erros que já o levaram a tantas decepções nestes últimos anos. E o principal deles é que os dirigentes têm contratado muitos jogadores, a grande maioria sem qualidade, quando o correto seria buscar uns três reforços de peso, daqueles que ninguém tenha dúvida sobre o seu desempenho. Dos que chegam, vestem a camisa e jogam sem medo de serem felizes.
O Bahia tem batido todas as marcas da incoerência - e a primeira delas é que um time com tanta tradição, duas estrelas de campeão nacional no peito, uma torcida tão imensa e participativa, não pode se apequenar mesmo jogando fora contra esses times que tem enfrentado. Depois, parece não ter havido um projeto realmente bem pensado e bem definido para voltar à elite. Volta e meia a gente ouve falar que os salários estão atrasados, que os funcionários são humilhados e que já há muitas desavenças internas direção-departamento de futebol.
Sobre a contratação do ex-presidente do Vitória, Paulo Carneiro, todos sabem qual foi a minha opinião, desde o primeiro momento: se o time ganhasse o Estadual, fosse bem na Copa do Brasil e se classificasse para a Série A, seguramente ele até poderia se candidatar a sucessor do atual presidente. Mas como duas expectativas já foram quebradas e uma terceira está na corda bamba, ninguém melhor para ser desenhado como grande vilão desta história. Se ele ainda ouvisse os meus conselhos, hoje mesmo entregava o cargo.
Mas, repito, ainda há tempo de corrigir desníveis e fazer com que o time encontre o prumo certo dos anseios da grande massa tricolor.