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QUEM PROCURA, ACHA

O triunfo do Vitória sobre o Grêmio, por 1 x 0, já no último minuto dos acréscimos, está dentro do contexto deste velho adágio da persistência. Procurou, procurou, tentou, tentou e achou. Nesta segunda-feira, depois de quatro rodadas, acorda como vice-líder isolado, três vitórias, uma derrota, quatro gols a favor, dois contra, saldo de dois, nove pontos ganhos, 75% de aproveitamento. Só está atrás do Internacional, que é o dono da bola, com 12 pontos e 100% de eficiência.


O Vitória foi o time que se manteve com mais posse de bola o jogo inteiro – e o seu maior destaque voltou a ser Apodi, sempre levando perigo, pânico e pavor à defesa gremista – embora o grande herói tenha sido mesmo Leandro Domingues pelo estalo que teve no último minuto, envernizando a bola de muito veneno com um chute potente e certeiro, que pegou o bom goleiro Vitor de calças nas mãos atrás da bananeira.


Aliás, ainda agora, o locutor da emissora de sinal fechado que eu assisti, mesmo tendo narrado o gol com muita vibração, ainda está sem entender como é que o Domingues encontrou aquele jeito, no suspiro final, para liquidar o Grêmio. Foi justiça, porque teria sido um negócio fora de propósito, depois de haver jogado com tanta personalidade – e taticamente ter feito o seu melhor jogo neste campeonato – o rubro-negro sair de campo no zero a zero.


O Grêmio foi um time arredio, acuado, covarde. A gente, cá destas bandas áridas do Brasil, é que tem o imperdoável defeito de arranjar qualificativos para quando um grande do Sul joga sem apetite de atacar. Nesta partida mesmo, vi justificativas de que o time gremista estava soltando a corda para dar o bote, que o seu sistema defensivo era tão espetacular que, quando quisesse, apertava um pouco e o Vitória ia gemer.


Mas o problema é que o nosso tricampeão foi sempre mais encorpado, jogou mais redondo, criou mais opções, enquanto o Grêmio praticou um futebol tão cauteloso que nem deu idéia da excelente campanha que fez na temporada passada. Aliás, falando essas coisas, não posso deixar de lembrar que é isso que se exige do Vitória no Brasileiro desta Série A. Jogar com vontade, com valentia, não ser acanhado, ter perseverança. Nestes dois próximos jogos fora tem que ser assim, mesmo que acabe perdendo, mas o que não pode é repetir aquela intragável covardia praticada contra o Cruzeiro, quando 2 x 0 foi um resultado muito magro para as chances cruzeirenses e para a extravagante timidez do Leão.


E se uma coisa vai puxando a outra, foi justamente por isso que o Bahia só trouxe um pálido empate de 0 x 0 do Canindé. Para muitos, ganhar um ponto contra a Portuguesa, fora de casa, até que foi um bom negócio, mas o caso é que o Bahia poderia ter apresentado um futebol mais corajoso e eficiente, trazendo um resultado mais digno com as suas próprias convicções de bicampeão nacional.


Volto a criar aquela imagem que já externei sobre o Tricolor, que pareceu, durante os primeiros trinta minutos, um turista ecológico perdido na floresta, sem saber onde estava, mas que, de repente, com a expulsão do lateral-esquerdo da Portuguesa, Anderson Paim, vislumbrou uma fumacinha da chaminé de uma casa e que poderia deixar de estar perdido. Mas o que se viu foi uma complicação muito grande – e quem criou os melhores caminhos para o sucesso foi a Lusa.


O Bahia entrou com uma escalação estranha, como quem já estivesse em fim de safra ou desesperado, com Rubens Cardoso de meia-armador, três apoiadores de contenção (Leandro, Rogério e Hernani), um ataque formado por Lima e Alex Terra, que praticamente inexistiu. Achei o jogo do Bahia muito “quebrado”, diante de uma Portuguesa que não impressiona nem assusta quando joga completa, muito menos sem Edno e Felype Gabriel, seus dois jogadores mais importantes.


A posição tricolor (sétimo colocado com sete pontos), não é ruim, mas poderia ser bem melhor. E neste jogo contra o ABC, em Pituaçu, o Bahia tem que matar, partir pra cima, jogar com garra, praticar um futebol que não praticou até agora.


Porque em tudo na vida é assim mesmo: quem procura, acha.