MÁRIO E CABÚS
No início da semana fiquei muito contente quando acessei o BN e recebi a notícia de que Mário Freitas e Fernando Cabus agora são também nossos companheiros de portal eletrônico. Já trabalhei por muitos anos com Mário, tanto na Rádio Excelsior, nos tempos de Wilson Menezes, como no Jornal da Bahia, na fértil época de João Marinho Falcão. Com Cabus esta é a primeira vez que vamos dividir espaços e logo neste importante site de Samuel Celestino, cuja oportunidade me foi acenada pelo amigo Ricardo Luzbel, há mais de um ano – e como ainda não me mandaram embora deva ser porque, de certo modo, ainda me resta um fiapo de lucidez para falar sobre as coisas do futebol. Só lamento que o Márcio Martins não tenha podido, por conta de outros projetos, continuar por aqui, pois é um dos maiores profissionais da atual crônica esportiva brasileira.
Mário representa muito em minha vida profissional. Quando ele fez o seu primeiro teste no rádio, lá na Rádio Cruzeiro com José Ataíde, em 1968, logo deu pra sentir que seria um extraordinário comunicador. Daí pra frente, fomos companheiros também na Rádio Excelsior, sob o comando de Newton Nogueira, e quando o jornal Diário de Notícias fechou, por volta de 1973, Mário já era um escriba de primeira, pessoa de confiança de Pastore Neto e Geraldo Lemos, e me recomendou para integrar a equipe do Jornal da Bahia, que ainda tinha sede na velha Barroquinha. Lá tivemos ótimos companheiros, como Zé Carlos Mesquita, João Bougê, Dente de Leite, Luis Carlos Alcoforado e tantos outros. Mário foi meu editor durante alguns anos, até quando o JB passou a funcionar na Djalma Dutra, junto com a Tribuna da Bahia.
No rádio e no jornal Mário tem sido um guerreiro, sempre fez tudo com muito amor e determinação. Não me canso em dizer por onde ando que Mário é um desses intrépidos porta-estandartes do rádio esportivo, porque, assim que o setor entrou em crise, com os patrões tirando o braço da seringa, não mais se interessando em bancar profissionais com carteira assinada e recolhimento de taxas previdenciárias, Mário montou uma equipe de ótima qualidade na Excelsior, bancando trabalhadores do microfone e da técnica, comprando material de transmissão, enfrentando as despesas de eventos regionais, nacionais e até internacionais, dando emprego para muitos colegas e auferindo excelentes índices de audiência para a emissora da família baiana, uma de suas grandes paixões, porque até no falar o prefixo da rádio a gente sente nele muito entusiasmo e desmedida emoção.
Não é fácil manter uma equipe de quase 20 profissionais, com pagamento tudo certinho, despesas de todos os lados, como Mário tem feito. E todos nós já sabemos de um negócio que falam do Mário, que engrandece a classe dos radialistas. Dizem que se o Mário falou que vai pagar no dia 30, na véspera o seu funcionário pode comprar para quitar no outro dia. Porque é pá e casca - e isso é muito bom para quem, como eu, só temos o dom de falar ou escrever, que não sabemos vender uma linha ou uma palavra de comercial. Aliás, tenho dado muita sorte neste particular, porque o mesmo posso afirmar de Zé Eduardo e Márcio Martins, tanto no Seligabocão quanto na Itapoan FM, Ricardo Luzbel e Lívia Cortizo, aqui no BN, pessoas muito comprometidas com o bem estar de seus colaboradores.
Mas sobre Mário é o mínimo que posso dizer. Ele tem sido um dos meus maiores incentivadores e só agora estou revelando publicamente quanto lhe sou grato por tudo - e feliz por tê-lo novamente como meu companheiro. Seria uma tragédia e um pecado imperdoável morrer sem lhe conferir esta gratidão.
Falta expressar o meu sentimento por Fernando Cabús, cuja amizade tem sido de corredores de cabines de rádio nos estádios por onde trabalhamos no mesmo dia. Mas esta é uma profissão que não precisa a gente fazer freguesia na casa dos outros para entender quem é do bem ou do mal. E o professor Cabús, que considero um ótimo comentarista, por falar com simplicidade, sem afetação, dizendo as coisa de forma muito direta e sem a amargura dos que só enxergam as coisas ruins, é um cara que conquista a simpatia e a confiança de qualquer um no primeiro contato. E como já foram centenas de encontros pelos estádios da vida, esta simpatia e esta confiança já se tornaram muito sólidas e saudáveis.
Então, faz assim: agora, aqui no BN, ao lado de jovens colegas, como Éder Ferrari, Felipe Esteves e Lucas Esteves, vamos tocar o futebol neste portal eletrônico, cujo idealizador e mestre é Samuel Celestino, consagrado como um dos maiores jornalistas políticos do país.
Portanto, eu quero expressar a minha satisfação em receber, já praticamente com o atestado de validade vencendo, a transfusão de sangue novo e bom, doado pela juventude e talento destes meninos que já trabalham na casa e pela larga experiência de vitórias e conquistas dos que estão chegando.