PROVA DOS NOVE
Estamos diante de uma semana que vai revelar o que realmente Vitória e Bahia podem fazer em seus campeonatos. Ambos estão orelha a orelha nas campanhas: duas vitórias, uma derrota, o Bahia fez quatro gols, mas sofreu três e só tem um saldo de um; o Vitória fez três, levou dois, também tem um golzinho a favor. O rubro-negro é o quinto da Série A e o tricolor está na sétima colocação da B. E os dois estão a três pontos dos líderes de suas competições.
Sei que não é lá muito prudente se fazer contas ou comparações com coisas heterogêneas, pois jogar na segunda divisão é um negócio e na primeira é outro. Se bem que, na última segunda-feira, um competente apresentador de televisão insistiu que a Série B é infinitamente mais difícil, porque tudo é japonês, não há diferença de fisionomia técnica entre o primeiro e o último colocados.
Ditos esses lero-leros, o que pretendo mostrar é que, cada um com a sua missão e suas dificuldades, nossos representantes terão uma semana de revelações do que podem ou não podem se realizar. O Bahia vai ao Canindé, em SP, e pega um invicto deste início de seu campeonato, a Portuguesa, com sete pontos, que muita gente já anda dizendo que tem vaga assegurada. Se o time de Alexandre Gallo ganhar, vai para nove pontos e supera a Lusa. O Vitória recebe em casa o Grêmio, outro que, embora ainda não esteja tão bem situado na tabela, com apenas quatro pontos, é também considerado como favorito ao título. Ele, o Inter, o Cruzeiro, o Corinthians, o São Paulo e uns três mais. Mas se o Leão jogar com personalidade e ganhar aumenta a vantagem sobre os gaúchos em cinco preciosos pontos.
O que me preocupa é que tricolores e rubro-negros, mesmo não estando ainda em situação crítica nem precisando de maquininhas de calcular, apresentam problemas muito visíveis. O Bahia tem sido uma lástima nos segundos tempos, caindo de produção, desligando-se integralmente, sendo acuado pelos adversários. O Vitória não tem nem tática nem time definidos, jogando em casa até de um jeito corajoso, mas atuando fora com uma covardia de causar dó.
Sobre o drama do Bahia, que muitos afirmam ser de falta de um preparo físico adequado, o titular do departamento, Anderson Paixão, de notebook escancarado, deu uma aula em demonstrativos gráficos e índices de aproveitamento de todos os atletas na sua atividade. Claro que esse é um mecanismo ainda muito teórico, que serve para mostrar o método empregado, mas que não traduz literalmente o que foi absorvido. Mas mostrou, sim, que não é má conduta física, mas desligamento, desconcentração, uma apatia ainda por ser descoberta e superada.
Já o Vitória, o seu maior problema está na filosofia de trabalho de seu treinador, que tanto é sábio e estrategista que tem, apesar do pouco tempo na Toca, desenhado dois modelos táticos, um para jogar em casa, outro para atuar lá fora. Um é simples e objetivo, outro cheio de invenções e desmantelado, apático, suscetível de derrotas e desapontamentos. E digo mesmo que este jogo contra o Grêmio não é apenas uma grande prova para a campanha do time no Brasileiro, mas, também, para a permanência de Paulo César Carpegiani, que já está sendo muito questionado pela imprensa e por todas as correntes rubro-negras.
Eu até acho que em campeonatos de 38 rodadas, pontos corridos, só lá para o 15º jogo é que os times já mostram concretamente o que poderão fazer. E que o Vitória, por exemplo, pega agora uma seqüência de uns três jogos que são uma pedreira. Mas os dois, ainda no limiar da jornada, já estão cometendo os erros imperdoáveis de outros anos.
Só almejo que não voltem a exercitar a grande farsa do desculpismo, enxugando lágrimas sobre os ombros das más arbitragens, das viagens longas, dos gramados pesados em dias de chuva, dos gols inesperados de bolas paradas, da ausência de jogadores suspensos ou lesionados.
Porque a prova dos nove tem que ser tirada desde agora, enquanto ainda é tempo de se corrigir desníveis.