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VIÁFARA E MARCELO

Uma tarde de sábado chuvosa e de futebol ruim dos representantes baianos em Brasileiros, em que Marcelo e Viáfara, nossos goleiros, foram à grande salvação. O Bahia, menos mal, porque embora sufocado pelo modesto Ceará, ainda teve o gosto de ganhar três pontos e ficar bem perto do G-4 de sua divisão. Já o Vitória, lá em Belo Horizonte, jogou como time pequeno e só não levou uma goleada histórica do Cruzeiro, porque Viáfara fez milagres em umas cinco vezes.


Se ganhar é bom – e o tricolor fez isso -, há uma outra verdade que ficou muito explícita no seu jogo de Pituaçu contra o Ceará: fez um gol na metade do primeiro tempo e daí até o final foi um sufoco só. Safou-se até de um pênalti de Evaldo em Geraldo, que o árbitro sergipano fez de conta que não viu. Além disso, o goleiro Marcelo voltou a ser uma figura de destaque, fazendo ótimas defesas, repetindo praticamente o jogo anterior, contra o São Caetano. Ficou o alerta de que é preciso melhorar (e muito) para não ter que amargar a permanência na Série B.


O mais fanático dos torcedores, até memo Binha de São Caetano, deve ter visto que o Bahia foi amplamente dominado, que o resultado não traduziu o futebol jogado pelas duas equipes e que técnica, tática e fisicamente o Bahia está aquém de suas tradições e do que a torcida quer. E como estamos ainda no início do campeonato, há tempo de sobra para que os dirigentes e o técnico Alexandre Gallo possam encontrar o verdadeiro rumo da equipe. Melhores contratações e preparo tático e físico de melhor qualidade.


O Vitória, que era um dos líderes da Série A, depois das duas primeiras rodadas, mostrou-se muito frágil no primeiro grande adversário que pegou. O Cruzeiro só não marcou uma goleada histórica, porque o goleiro Viáfara foi o grande nome do jogo. Talvez junto a ele só o Kléber, que marcou os dois gols cruzeirenses.


Eu até concordo que Apodi, Leandro Domingues e Jackson tenham feito falta, mas, também, é prudente ressaltar que o time de Paulo César Carpegiani jogou como equipe pequena, medrosa, dando campo ao Cruzeiro sem sequer ter forças para armar um contragolpe – e quando o fez, é porque o Cruzeiro já administrava o 2 x 0, um resultado muito normal para a partida, só que diante das circunstâncias acabou sendo excelente pelo que o Vitória não fez e decepcionante pela covardia do esquema empregado. Quatro apoiadores de proteção, um atacante isolado, dois laterais que quase não apoiaram – aí o goleiro teve que agüentar tudo com uma zaga que foi muito exigida, sendo até louvável o desempenho dos garotos Victor Ramos e Wallace.


Não vou cair ainda no desvario de pedir a saída de PCC, até porque entendo que esta não é a função de comentarista, mas acho que ele precisa se definir em uma equipe. Esse negócio de jogar em casa de uma forma e viajar com idéias apequenadas na cabeça só pode mesmo resultar no que viu, há uma semana contra Atlético/MG (0x3 no tempo normal) e Vasco (0x4) pela Copa do Brasil e neste último sábado, outra vez no Mineirão, na derrota contra o Cruzeiro, cujo placar não traduziu a grande fragilidade rubro-negra.


Precisamos, portanto, melhorar muito: neste sábado, os três pontos conquistados pelo Bahia foi no sufoco e a derrota rubro-negra poderia ter sido muito mais desastrosa.


De bom mesmo os goleiros Viáfara no Mineirão e Marcelo em Pituaçu.