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SURUBA TÁTICA

Edson Almeida


Com licença da comparação, o Vitória desta quarta-feira voltou a ser uma suruba tática. Não na expressão que traduz bacanal ou festa erótica, mas no sentido literal de que cada um podia fazer o que bem queria e entendia, onde e quando quisesse. Foi um desgoverno, foi uma zorra.  


O grupo colocado em campo pelo Paulo César Carpegiani até que foi valente e honrou a camisa rubro-negra, arrancando um empate de 1 x 1, mesmo jogando nos últimos 20 minutos com apenas nove contra 11 do Vasco, porque Neto foi expulso e Nadson saiu sangrando de uma cotovelada ou bolada que levou. Foi um presente dos deuses e santos rubro-negros. A decepção poderia ter sido pior, porque em dado momento o time carioca se limitou a tocar a bola, com o regulamento na mão, sabendo que a vaga estava garantida. Neto, aliás, mesmo fazendo o único gol no primeiro minuto – e voltando a mostrar muita garra – parecia apressado demais, muito nervoso em campo, tal a pressão que levou para o jogo decisivo. Merece ser advertido pelo erro que cometeu.


A desclassificação, como qualquer pessoa consciente havia antecipado, era fato concreto desde a terrível escalação do jogo anterior, em São Januário, na derrota de 4 x 0. Ficou impraticável sonhar com a vaga, porque os erros de PCC foram tão visíveis e esdrúxulos que deixaram fortes marcas no time. E o mais lastimável é que, depois de dois jogos tranqüilos e vitoriosos no Campeonato Brasileiro, contra Atlético/PR e Sport/PE, os mesmos erros de escalação voltaram a ser cometidos na Copa do Brasil, como se fosse uma competição disputada em outra galáxia.  


Agora, o professor veio sem lateral na direita, com Bosco deslocado pela esquerda, três zagueiros com Walace, Vitor e Uélinton, um meio-campo sem consistência com Vanderson, Ramon e André Luiz e um ataque, que para ele seria uma arma mortal, mas que todos vimos tratar-se de uma grande confusão, com Neto, Washington e Adriano. E pensar que não relacionou sequer outro lateral e preferiu deixar no banco jogadores de talento comprovado como Roger e Nadson.


O que mais entristece qualquer um, torcedor ou cronista, é que o técnico entregou os pontos ao Vasco. Começou a fazer tudo errado lá em São Januário e completou o rosário de equívocos no Manoel Barradas. Não é que este humilde cronista queira minimizar a capacidade de um técnico que tem títulos internacionais e que foi inquestionavelmente um craque fora de série, mas é porque não me entra na cabeça como é que um treinador tenha um grupo qualificado em todas as posições e abra mão de uma escalação simples, com lateral na lateral, zagueiro na zaga, meio-campo com os de proteção e os da armação bem definidos e ataque com verdadeiros atacantes. Que improvise tanto, que descaracterize tanto, que invente e inove com tanta contundência a ponto de provocar uma salada mista de vegetais com legumes, sem o condimento exato, ficando tudo deteriorado e sem sabor.


A torcida aplaudiu o time, mesmo desclassificado da segunda maior competição do país, porque os jogadores foram valentes, mas é certo que saiu do estádio visivelmente desgastada com o comportamento do seu treinador, cujo crédito que ainda resta é por conta das atuações do Vitória no Campeonato Brasileiro.


E sabe por que o time ganhou as duas partidas que realizou pela Série A? Porque não houve invenções, porque cada jogador teve as suas características e pendores respeitados, porque o técnico não fez laboratório.


Vai jogar neste sábado contra o Cruzeiro, que é muito forte lá no Mineirão, onde se encontra sem perder há 24 jogos. Se a escalação for simples, pode trazer um bom resultado. Mas se as experiências continuarem, vai ser outro desastre, outra suruba tática.


E aí não há mais santo que resolva.