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TRABALHO, ATITUDE E PRUDÊNCIA

Trabalho, atitude e prudência
Edson Almeida


As cidades e os sites baianos da Internet estão cheios de farpas entre tricolores e rubro-negros, uns amenos, outros apimentados, o que acho até uma guerrinha muito própria de um futebol que só tem dois grandes clubes. Uma tricolor até me enviou um e-mail com um arquivo que se auto-determina para ser aberto somente dentro de 110 anos, idade comemorada pelo Vitória justamente no dia 13 de maio “quando caiu de quatro para o Vasco”, pela Copa do Brasil.  


Aí, um rubro-negro, muito espirituoso – diga-se de passagem -, distribui uma comunicação lamentando profundamente que o Bahia tenha usado exageradamente “retardante sexual”, a ponto de ficar transitando há quase 10 anos pelas beiradas, “sem conseguir chegar ao orgasmo”, isto é, sem alcançar a primeira divisão.


Mas com todas essas pilhérias, que graças ao bom senso jamais poderão se transformar em agressões físicas ou em tragédias como tem acontecidos em outros centros, o bom mesmo é que os nossos dois times vão lutar neste final de semana para manter 100% de aproveitamento em suas competições. O Vitória na Série A, em clássico nordestino contra o Sport/PE, no Estádio Manoel Barradas, e o Bahia pela Série B em jogo também difícil contra o São Caetano, no Anacleto Campanella, no ABC Paulista. Porque nos jogos de estréia, o Vitória ganhou bem do Atlético/PR, por 2x0, lá na Arena da Baixada, em Curitiba, e o Bahia não fez por menos contra o Paraná, só que em Salvador, no Estádio Roberto Santos.


O técnico do Vitória, Paulo César Carpegiani, tem que tirar da triste apresentação contra o Vasco, pela Copa do Brasil, quando foi goleado por 4x0, a lição de que é preciso ser simples, não inventar, porque o futebol pode até ser inovado, mas de maneira prática, sem os arroubos de uma sabedoria exagerada, porque foi por isso que o nosso tricampeão se deu muito mal em São Januário. Apodi pode ser uma arma muito importante para atacar, mas não de centroavante ou de ponta-esquerda. Pode agredir, levar perigo e até infernizar o adversário, mas jogando de lateral-direito, de ala direita, naquele lado do campo. Bida nunca poderá ser zagueiro, como Viáfara jamais poderá aparecer com a camisa nove, que é atualmente de Neto.


E quanto ao treinador do Bahia, Alexandre Gallo, o que não pode é repetir os erros de outros colegas que já passaram pelo tricolor, armando esquemas defensivos fora de casa. Se o excelente Elton lesionado não pode jogar, o mais coerente é lançar o seu reserva imediato. Paulo Roberto tem que receber carta-branca para jogar livre, porque é talentoso. Pela expressão que o Bahia tem ao longo de sua história, jogar na defesa contra times da segunda divisão é o mesmo que ser covarde. E isso nem a torcida nem a imprensa vão perdoar.
Por tudo isso que foi dito – e acreditando que os dois treinadores vão se valer do melhor que os seus times podem dar -, creio que não será nada difícil acumular mais duas vitórias e tanto tricolores quanto rubro-negros continuarem muito bem situados na tabela após a segunda rodada de seus campeonatos. Abomino qualquer tipo de precipitação, mas acho que agora, no início da jornada, é de fundamental importância criar-se alguma gordura para eventuais surpresas desagradáveis lá adiante.


É muito cedo para afirmar que o Bahia sobe e o Vitória continua firme na primeira divisão, mas não vejo, a olho nu, times de tão grande expressão que possam tirar esses sonhos de nossos representantes. O Vitória pode se situar, sim, entre os 10 melhores da Série A, como fez no ano passado, e o Bahia, pelo menos, entre os quatro de sua disputa, logrando uma vaga para o grupo de elite.


Só que há uma boa diferença entre poder e acontecer, que fica no querer, no empenho coletivo e na busca desmedida de técnicos, dirigentes e jogadores. Porque o torcedor quer tudo, pode tudo, sempre pensa no melhor. Mas essas coisas só se materializam através de trabalho, atitude e redobrada prudência.