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FELIZ DIA DAS MÃES

Edson Almeida


Posso imaginar a família reunida em torno da querida mamãe para comemorar o seu dia. Lá em casa sempre foi uma grande festa: 14 filhos, 41 netos, 27 bisnetos, todos chegando com seus presentes, a mesa enorme muito farta tomando todo um pátio no quintal de quase 100 metros da velha tapera da Floriano Peixoto, em Itabuna. As mulheres tricotando sobre a novela do rádio e os homens discutindo sobre o último Fla-Flu. Uma maioria esmagadora de rubro-negros. 


Neste 10 de maio, voltei para casa, depois de comentar a estréia do Vitória no Campeonato Brasileiro e fiquei a pensar na alegria que deve ter rolado em todos os lares baianos, tanto pelas homenagens à rainha do lar quanto pelo prazer de tricolores e rubro-negros diante de estréias vitoriosas nas Séries B e A nacionais. Nos dois últimos anos, os nossos grandes clubes não haviam estreado com dois sucessos. Em 2007, o Vitória goleou o Avaí/SC, ainda na B, por 5x1, mas o Bahia, na C, só empatou com o Confiança/SE, em 0-0; e no ano passado, o tricolor, já na B, empatou em Feira com o Fortaleza/CE, por 1x1 e o rubro-negro, voltando à primeira divisão, levou ferro do Cruzeiro/MG, também em casa, por 2x0.


Este ano, não. Dois triunfos com autoridade, sem qualquer tipo de desconfiança ou contestação. O Bahia, já no sábado, ganhou do Paraná, por 2x0, com um ótimo primeiro tempo – e seguramente o seu único deslize foi não ter enchido de gols a cesta dos paranaenses, quando esteve com time completo em campo contra inicialmente 10 e mais tarde nove inimigos do sul. E este é um defeito plenamente perdoável. Criou várias chances, mas não soube aproveitar. Esse foi o seu único erro, porque o time, apesar do temporal que caiu sobre Salvador e Pituaçu, foi valente, jogou com muita disposição e mostrou que vai levar o campeonato a sério.


O domingo chegou e a festa dos baianos foi completada em alto estilo: em Curitiba, na Arena da Baixada, luxuoso santuário do Atlético/PR, o Vitória de Paulo César Carpegiani jogou uma bola de quem realmente entrou na briga sem medo de ser feliz. Ganhou de 2x0 e deixou a impressão de merecer muito mais.


O futebol, como qualquer outra atividade humana, traz em sua essência muito dinamismo e muitas alterações. É preciso não confundir as coisas: não é ainda hora de se afirmar que o time da Toca vai arrebentar no Brasileiro, que chega entre os primeiros ou que vai decidir o título. Eu até respeito quando a crônica do Sul Maravilha elege apenas sete grandes favoritos (Flamengo, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Internacional e Grêmio), sete outros que podem surpreender (Fluminense, Botafogo, Santos, Atlético/MG, Atlético/PR, Sport e Coritiba) e seis outros que, além de lutarem para não cair, poderão, também, ter um fiapo de esperança de chegar ao pelotão de frente (o nosso Vitória e mais Goiás, Barueri, Avaí, Santo André e Náutico).


Acho até que o Vitória não deve espernear e tirar proveito disso, martelando na cabeça dos jogadores que, se eles são considerados franco-atiradores, terão que fazer desse conceito uma arma e matar uma fera em cada jogo, como aconteceu lá em Curitiba. Carpegiani foi craque, é um cara preparado, tem sabido utilizar desse expediente, até porque não foram poucas as vezes que ele já revelou que o grupo que está sendo formado tem condições de beliscar uma boa colocação na Série A.


O que mais tranqüiliza é que nos dá a impressão que ele tem o time nas mãos, está armando um esquema compacto e competitivo, sabendo fazer as alterações no momento certo e nas posições que realmente necessitam de mudanças dentro de cada jogo.


O triunfo de 2x0 sobre o Atlético/PR foi fruto de um futebol coerente: a garra, a disposição tática e a exploração do talento dos principais jogadores foram visivelmente determinantes. Aliás, um time que se envolve em tantas competições importantes ao mesmo tempo (Brasileiro, Copa do Brasil e logo vem a Sul-Americana), não pode prescindir de um técnico de ponta e um elenco de qualidade. E esses predicados o Vitória tem mostrado nos seus últimos jogos.


Mas como eu comecei dizendo, neste Dia das Mães, tricolores e rubro-negros fizeram suas festas sob o gosto doce de excelentes resultados na estréia de seus campeonatos.


E se for verdade que a primeira impressão é a que fica, poderemos ter muito que comemorar perto do Natal: com o Bahia subindo de divisão e o Vitória desmistificando as previsões dos sulistas, fazendo uma campanha de time grande entre os da elite.