A CAMINHO DO BA-VI
Edson Almeida
Só mesmo uma grande surpresa para Bahia ou Vitória ficar fora de uma nova decisão de campeonato. Os dois mantiveram a vantagem contra os seus adversários do interior vencendo os jogos de ida da fase semifinal,
coincidentemente pelo mesmo escore (2x1), marcando seus gols logo no início para, depois, Fluminense e Atlético fazerem um gol, mas nada que colocasse em dúvida os triunfos do tricolor e do rubro-negro da capital.
Agora, ficou assim: o Vitória, mesmo se perder o próximo jogo com o Atlético por uma diferença mínima, ficará a dois empates do título. E o Bahia, se der moleza para o Fluminense, e também perder por uma diferença mínima, fica a um empate e um triunfo ou até mesmo um triunfo de contagem elevada, que não possa ser tirada no clássico do Manoel Barradas, isso a contar que realmente a decisão seja em dois Ba-Vis.
Mas se o Vitória tem toda essa vantagem e o Bahia coloca-se em condições cada vez mais concretas de subir ao pódio, é muito prudente não se esquecer que Atlético e Fluminense estão vivíssimos na competição. Acho até que os dois não produziram tudo que se poderia esperar, principalmente o Fluminense, que teve vários erros de fundamentos básicos: como time de menor qualidade, foi muito desatento na marcação, seu meio-campo pouco inspirado e o ataque teve até algumas oportunidades de empatar o jogo no segundo tempo, mas foi incompetente para faze-lo. Na verdade, se o Bahia tivesse convertido as boas chances do primeiro tempo, teria aplicado uma solene goleada no tricolor de Feira.
Então, por tudo que vi no Jóia da Princesa e pelo que a tevê me mostrou do jogo de Alagoinhas, os dois times da capital passaram bem pelo primeiro teste do turno decisivo e se encaminham, tranqüilos, para uma decisão em jogos de Pituaçu (26/04) e Barradão (03/05).
Não resta a menor dúvida que são as melhores equipes, de melhor campanha, de maior tradição e de estrutura bem mais qualificada do que os seus adversários do interior. Agora, já começa aquela velha indagação: quem tem mais chances de conquistar o título? A resposta, conquanto pareça piegas e de extrema cautela, é que clássico é clássico e sempre é decidido nos detalhes, muitas vezes mínimos detalhes, coisas que parecem insignificantes, mas que acontecem e a história do futebol está recheada desses tais eventos.
Há companheiros mais afoitos, que são palpiteiros por vocação ou torcedores contumazes que elegem logo um vencedor, geralmente quando a cor da camisa pulsa mais forte no coração. Mas esses quarenta e tantos anos de crônica me ensinaram que o Ba-Vi é, antes da bola rolar, um jogo triplo da velha loteria esportiva.
Apesar disso, acho que estes jogos de quarta-feira, contra Atlético e Fluminense, vão determinar pelo menos o astral de cada um nos clássicos para a decisão. O que ganhar com mais facilidade, de forma mais convincente, pode ganhar moral para os jogos finais. Porque esse negócio de ambiente e confiança conta muito antes e durante as decisões.
Ah, sim, como estive em Feira de Santana, vou aconselhar a Alexandre Gallo, que tem demonstrado ser um dos mais competentes treinadores da nova geração, a evitar reclamar tanto das arbitragens, porque esta é uma forma já muito desgastada no futebol. Na análise que ele fez após o jogo com o Flu, bastava ficar na primeira parte de seu discurso (que o time teve chances de golear no primeiro tempo, sofreu pressão no segundo, mas não teve ameaçado o seu sucesso), porque depois, entrou em um desnecessário queixume contra o árbitro Gleydson Santos que, no meu modesto entendimento, fez um trabalho tranqüilo e sem deslizes.