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TANGO NAS ALTURAS

Edson Almeida
Ganhamos do Peru, por 3-0, os gaúchos fizeram uma apreciável recepção, mas o time inca é tão fraco que ainda questionamos a tal da recuperação brasileira. Um gol de impedimento, o nosso goleiro Júlio César assistente privilegiado, ao contrário do jogo nas alturas de Quito quando só não fez chover porque levou aquele gol no finzinho.

Dunga continua perdido, o Brasil tem somado pontos muito mais pela técnica dos jogadores do que por uma tática que alie talento e modo de enfrentar os adversários. Eu até concordo que Kaká dá mais qualidade e que Luis Fabiano é bem mais eficiente do que Adriano, pela plasticidade, pelo jogo mais maleável, pela sempre muito inesperada presença na área. Adriano, não. Ou está na área para receber ou fica perdido se sai um pouco para buscar o jogo. Kaká atualmente é a nossa melhor cabeça-pensante.

Mas o que eu quero mesmo dizer é que, mesmo ganhando de 3-0 do Peru, voltando à vice-liderança do G-4 das eliminatórias sul-americanas, a festa mesmo quem proporcionou foi a Seleção Argentina, tomando uma lavagem da fraca Bolívia nas alturas de La Paz. Os argentinos dançaram o tango sob os efeitos de 3.660 metros de altitude. Sufocados, sem apelação, quase com parada cardíaca. Nem sei como Maradona resistiu e ainda está vivo. E pensar que outro dia, batendo bola com o presidente boliviano Evo Morales, o inconseqüente Diego Maradona, fez propaganda para a FIFA que a altitude era até saudável para se jogar bola.


Creio mesmo que se o Brasil tivesse empatado com os peruanos ou jogado um futebol bem mais abaixo do que jogou, a festa teria sido a mesma. Na imprensa e entre os torcedores. Eu até acho a Argentina muito bonita e Buenos Ayres, Mar Del Plata, Rosário e Córdoba, cidades que já visitei, até trabalhando na Copa de 1978, cheias de encantos e atrações, mas que o argentino é arrogante, nariz empinado, crente demais de uma mentirosa superioridade racial, isso é.


Lá mesmo em Buenos Ayres, em pilhéria com um locutor da Rádio Mitre, ele me perguntou quantas Argentinas cabiam dentro do Brasil e, ao fazer os cálculos, respondi, de forma prática, que cabiam mais ou menos três, porque enquanto eles têm cerca de três milhões de quilômetros quadrados, nós beiramos a casa dos nove milhões. Para ser mais preciso, 2,7 milhões contra 8,5 milhões. Aí o cara, com um sorriso sarcástico, retrucou: “Estoy hablando sobre los territórios legales y non sobre las matas y las selvas!” Então, discutimos por um bom tempo, falei sobre a importância de nossas selvas e nossas florestas para o mundo, mas o cara foi renitente em seus conceitos. Somos silvícolas e eles urbanos, somos matutos e eles civilizados e pronto!


Essa rivalidade é explicitada também, e principalmente, no futebol. Eles acham que Maradona foi melhor do que Pelé, que Zico nunca amarraria a chuteira de Sanfilipo, que nossos cinco títulos foram conquistados contra seleções fracas – Tchecoslováquia e Suécia – ou contra equipes que não estavam bem no cenário internacional à época das decisões – Itália duas vezes e Alemanha.
Pensando bem, não sou mortalmente contra os “hermanos porteños”, até porque o futebol precisa mesmo desses tira-teimas, com o Ba-Vi, o Grenal, o Fla-Flu, o Atlético-Cruzeiro, o Real-Barcelona e vai por aí afora. Sem essas briguinhas este esporte talvez nem tivesse se tornado na grande paixão mundial.


Y para hablar otra verdad, Yo también estoy muy contento en saber que los muchachos de Maradona danzaran el tango en las alturas de La Paz!