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INCERTEZA QUE MOTIVA

Outro dia, li uma crônica meio maluca na Internet, que dizia que a incerteza é um multiplicador de tentativas, porque ela tem o sentido, quando se trata de uma disputa, que o sujeito nunca é derrotado por antecipação nem deve deixar de lutar pelos seus objetivos, suas metas e os seus ideais, respeitadas as regras do bom convívio e da lealdade.


Dizia mais ou menos assim: quem pretende ganhar continua jogando até a última carta, quem quer passar de ano ou curso continua estudando e quem ainda não morreu ainda tem chances de construir uma história pessoal muito mais digna. E por todas estas questões nunca se deve jogar fora a oportunidade que se tem em transformar incertezas em realidades, Porque a incerteza nos move a lutar sempre, atua como uma espécie de esperança, de desafio, de teimosia, de uma incansável batalha contra todas as adversidades.


Nosso campeonato está vivendo este apreciável momento de incerteza. Foi o Vitória ganhar fácil cinco jogos seguidos, logo apareceram os profetas de plantão a vaticinar que o rubro-negro, por ter uma equipe já formada há mais tempo, seria campeã invicta, sem perder um ponto sequer. Seria barbada. De repente, duas derrotas seguidas, contra o Fluminense, em Feira, por achar que poderia poupar titulares e contra o Bahia, dentro de seu próprio estádio, com falhas lamentáveis do seu bom goleiro Viáfara, mas, também, com uma apreciável dose de reação e personalidade do tricolor.


Logo, o Bahia passou a ser cantado em verso e prosa como a nova maravilha do campeonato – e mais do que isso: possuidor do ineditismo de ter sido totalmente reformulado e já estar dando ar da graça de um trabalho renovador extraordinário. E não se falou mais em outra coisa, até que o time, imitando o seu arquirrival, entrou em depressão, passando a exibir um futebol pobre, sem muita criatividade e de jogadores com competência duvidosa.


Então, as perspectivas, de duas rodadas para cá estão alteradas: o Vitória já parece se recompor, embora ainda não se possa avaliá-lo como uma equipe equilibrada, e dois outros times aparecem merecedores de respeito, o Fluminense e o Atlético, que parecem ser mesmo os mais certos companheiros de Bahia e Vitória na fase que vai decidir o título. Além deles, matematicamente ainda existem chances para Vitória da Conquista e Itabuna, mas creio mesmo que a decisão vai ser mesmo com os que já estão no G-4 – os dois da capital, o Flu e o Atlético.


Então, faltando quatro rodadas para o primeiro turno acabar (três para Vitória e Colo Colo), a incerteza de quem chega na frente, se o atual líder Vitória ou o Bahia, e quem vai ser o campeão, porque Fluminense e Atlético já mostraram que têm capacidade de surpreender, este tem sido um ingrediente motivador.


Uma coisa, porém, tem que ser dita, sem rodeios: tanto tricolores quanto rubro-negros ainda não são confiáveis para os campeonatos brasileiros das Séries B e A nem apresentam perspectivas de grande futuro na Copa do Brasil.


Mas o sucesso folgado do Vitória sobre o Colo Colo (4 x 0) e o triunfo apertado do Bahia contra o Madre de Deus (1 x 0), por todos os caminhos, credos e versículos só fazem aumentar a incerteza do título e estamos prestes a escrever uma página semelhante à do ano passado, quando o campeão saiu no último minuto, em jogos inesquecíveis da dupla Ba-Vi contra Itabuna e Conquista, que foram os melhores times do interior.