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SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL

São crises que fogem ao controle de qualquer dirigente, fica insustentável manter um treinador, por melhor caráter e por mais dedicado e trabalhador que ele seja, porque não há sinergia entre seus métodos e os jogadores disponíveis, não houve química com a torcida desde o anuncio de sua contratação, a mudança é inevitável e necessária.


Esta é a situação de Mauro Fernandes no Vitória e é muito provável que, neste momento, com esta coluna no ar, já se tenha um novo treinador chegando na Toca do Leão. O lamentável é que, apesar do esforço e dos inestimáveis serviços prestados pela atual diretoria, que recolocou sem perda de tempo o clube na primeira divisão, retirando-o do buraco de uma série C, uma grande parcela das últimas contratações tem sido infeliz. E esses dirigentes já começam a ser questionados.


A derrota contra o Fluminense, por 2 X 1, em pleno Barradão, foi apenas mais um capítulo da dolorosa depressão que o clube se envolveu, porque desde a volta de Fernandes para substituir Vagner Mancini que uma forte rejeição foi deflagrada, quase unanimidade entre os torcedores de todos os segmentos – e a imprensa ficou sem entender como um clube, que é o representante baiano nas principais competições nacionais, tenha se valido de uma substituição tão pobre e sem futuro.


Nada pessoal contra Mauro, até porque se trata de um profissional trabalhador, de humildade comprovada, que tem se aplicado em busca de seu espaço, mas ainda sem um currículo que justificasse a sua vinda para o lugar de um dos melhores treinadores emergentes do país, o Mancini, que pode ser birrento, que não tinha um relacionamento muito afável com os repórteres que cobrem as atividades do bicampeão, mas de conceitos técnicos já bem sedimentados e inquestionáveis, tanto que, transferido para o Santos, está dando conta de suas atribuições.


Não sei quem passa na cabeça dos dirigentes para o lugar de Mauro Fernandes, porque assim que terminou o desastrado jogo com o Flu, uma reunião demorada provocou várias especulações, só que, depois de tudo, ficou dito que somente nesta quinta-feira seria tomada uma decisão, medida perfeitamente aceitável, porque seria uma falta de ética demitir o treinador através do rádio em reportagens da madrugada. Acho, contudo, que o mais viável é se adotar uma solução caseira, confiando a equipe a Ricardo Silva, um auxiliar técnico que já conhece todos os problemas, dificuldades e virtudes do grupo e que me parece gozar do respeito dos jogadores.

 

Contratar um técnico meia-boca, sem a expressão nacional que imponha respeito e sem o perfil de saber superar crises técnicas e incompatibilidades com o anseio dos torcedores, só vai piorar a situação. Vai ser jogar dinheiro fora, construindo-se mais uma tentativa frustrada. É hora e vez de os dirigentes reunirem os jogadores diante de Ricardo Silva, abrir todas as comportas de possibilidades e chances dentro da competição, promover um mutirão de companheirismo e busca de ideais, multiplicando-se forças para uma superação urgente, com soluções domésticas.


O campeonato ainda não pode ser dado como perdido, embora a atual depressão do ainda líder esteja servindo para fortalecer o vice-líder, seu maior rival, cujos seus deslizes estão sendo considerados normais, porque formado na totalidade de seus jogadores no início da temporada, consegue mostrar em campo um jogo mais equilibrado e crescente. Então o empate do Bahia em Alagoinhas, por 2-2, ganha repercussão favorável justamente pela má fase do seu maior concorrente.


Também, não se pode minimizar o bom desempenho do Atlético e do Fluminense, com o time de Feira mostrando que realmente tem amplas condições se conquistar uma das quatro vagas para a decisão do título. Fez uma partida modesta, sem muitas chances, mas o suficiente para marcar dois gols e suportar a pressão descontrolada do Vitória.