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MÁRCIO ARAÚJO

Quando soube na terça-feira (10) que o nome mais forte para substituir Renato Gaúcho no comando técnico do Bahia era o de Márcio Araújo, fiquei com os dois pés atrás, desconfiado. Uma rápida pesquisa no histórico do treinador aumentou o receio. Cheguei a falar, sem medo de estar errado, que era completamente contra essa contratação. Esse ano, por exemplo, treinou apenas o Sertãozinho por míseras seis partidas no início do Campeonato Paulista. Nenhuma vitória e uma demissão precoce em menos de 40 dias de trabalho. Desde então, “curtia” o desemprego.


Entretanto, o futebol tem um fator que jamais pode ser deixado de lado: a circunstância. Não vou entrar nos detalhes dos trabalhos sem êxito de Araújo por que o espaço é curto, mas após o primeiro dia de treinamento começo a me desarmar. O contato inicial também ajudou. Só para explicar essa "circunstância", o Sertãozinho contratou vários bondes e não pagou ninguém, além de não ter nenhuma estrutura de trabalho. Assim, nem José Mourinho dá jeito! Com isso, não quero isentar “professor Márcio” de culpa, contudo, seus últimos insucessos tiveram fatores externos fortes para atrapalhar.


A admiração que o goleiro Renê, o zagueiro Vágner, o gestor Paulo Angioni, só para citar alguns, mostram ao falar do treinador deve ter alguma razão de ser. E deu para perceber que Márcio baseia sua metodologia em um forte trabalho de campo. Isso, para mim, sempre foi à grande deficiência de Renato Gaúcho em sua passagem pelo Fazendão. Como o próprio Araújo falou em sua apresentação, ele deve aproveitar a formação deixada por Renato e, em cima disso, treinar as deficiências para, finalmente, deixar esse bom elenco para a Série B com um padrão tático de acordo com sua qualidade.


Mesmo com essa aliviada da minha parte, continuo com o pé atrás. A impressão inicial foi boa, mas agora só o tempo para dizer se a diretoria fez a melhor escolha. Será que ele é mais um bom de papo e ruim de jogo? Acho treinador bom o que não atrapalha ou inventa. Olha o elenco, observa as características e, em cima disso, trabalha forte as repetições de jogadas e posicionamento no dia a dia. Vale também saber lidar com o ego maluco dos jogadores. Parece ser o perfil de Márcio Araújo.