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BAHIA FAVORITO

A contar pelo desempenho nos jogos da Copa do Brasil, o Bahia chega como favorito absoluto neste clássico de domingo. Afinal de contas, não apenas está com um reinado de 100% de aproveitamento no Estádio Roberto Santos, como, também, fez o dever de casa de forma convincente, aplicando uma solene goleada de 6 x 1 no Potiguar, enquanto o rubro-negro penou para passar pelo ASA, nos pênaltis, depois de haver empatado no tempo normal, por 1 x 1.


Eu até concordo que o time de Alagoas, atual líder do campeonato daquele estado, seja bem mais forte e preparado do que o Potiguar, mas o problema é que enquanto o tricolor jogou uma bola redonda, de toques precisos e eficientes, o rubro-negro esteve amarrado, mal escalado e sem grandes perspectivas de bom desenvolvimento, até porque enfrenta maiores problemas de ordem médica.


Não resta a menor dúvida de que o Bahia tem maiores chances de sucesso, mas isso não determina que já ganhou, porque em clássico há detalhes que só durante a disputa aparecem, beneficiando a quem souber aproveita-los com mais intensidade e melhor presença de espírito. Mas é fato que de um lado, Alexandre Gallo mostra ter o grupo nas mãos, tendo iniciado a temporada implantando o seu jeito de treinar, enquanto, do outro, Mauro Fernandes ainda não coloca em prática uma forma competente de jogo, com o seu time (o Vitória) parecendo desmoronar de um elogiável esquema delineado pelo seu antecessor, Vagner Mancini.


Eu sempre acredito que favoritismo em clássico não ganha jogo, pois é preciso justifica-lo em campo, com empenho e inteligência, mas neste caso, o Bahia, mesmo com os últimos tropeços no campeonato (derrotas para Colo Colo e Feirense), mostra maior justeza em suas linhas, com defesa mais compacta e confiável, meio-campo melhor entrosado e um ataque que agora começa a fazer muitos gols. O líder do campeonato Vitória, mesmo sem perder desde o primeiro Ba-Vi, tem merecido restrições até de sua fanática torcida – e o pior de tudo, já faz barulho para que o treinador seja mudado.


Este jogo de domingo em Pituaçu vai dar ao vencedor um suporte muito grande para continuar aspirando ao título mas, na verdade, não vejo como descartar a possibilidade de um turno decisivo com tricolores e rubro-negros já praticamente classificados – e até mesmo a perspectiva de que a decisão volte seja definida entre os dois, porque não há, neste momento, nenhuma força no interior que se sobreponha aos dois times da capital.


Ditas essas coisas, o que mais me preocupa é a nova fase da Copa do Brasil e os campeonatos brasileiros das séries A e B, pois acho que tanto o Vitória quanto o Bahia ainda precisam de retoques substanciais, o rubro-negro para se manter entre os da elite e o tricolor para subir de divisão.


Os próximos adversários pela Copa do Brasil, Coritiba e Juventude, já servirão de termômetro mais sólido para os nossos representantes. Afinal, o ASA e o Potiguar são equipes sem tradição, muito menos o Potiguar, que me pareceu o mais fraco dos dois.


Acontece que há um fator muito claro para dar ao Bahia grandes esperanças e ao Vitória uma dose maior de desconfiança. É que em relação ao ano passado, o Bahia melhorou muito, fazendo contratações de nível bem superior – e o Vitória, de ótimo primeiro turno no Brasileiro da A e um comportamento global aceitável, já não joga com a mesma alegria e o mesmo vigor, perdeu peças importantes e ainda não fez a devida reposição.


Mas como a conversa agora é o Ba-Vi de domingo, o Bahia entra como favorito e o Vitória vai ter que se valer de sua condição de franco atirador.