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COMEMORAR NÃO, AGRADECER

Terminado o sufoco contra o ASA, classificação garantida só nos pênaltis, o gestor de futebol do Vitória, Jorginho Sampaio, desabafou dizendo que estava seguindo ao Bonfim para comemorar a conquista de uma nova etapa da Copa do Brasil.


Jorginho tem algumas vantagens sobre outros cartolas, a de não se arrogante, a de reconhecer erros e a de respeitar o direito de a imprensa fazer críticas quando as coisas não caminham bem. Como eu gostaria de ter visto o Vitória batendo aquela bola redonda da primeira fase do campeonato brasileiro 2008, mas o que se viu foi um time atrapalhado, desde a infeliz escalação de quatro homens de contenção no meio-campo, porque ainda não pode contar com Jackson em demorado tratamento médico, Gláucio expulso no primeiro jogo e Ramon Menezes, que só voltou na semana passada e ainda se prepara para reassumir um posto que é seu por questão de categoria e experiência. 

 

Mauro Fernandes, que é trabalhador e humilde, íntegro e boa praça, colocou em campo um time sem qualquer criatividade, com Vanderson, Ramires, Bida e Rafael da Granja, todos sem a marca de quem assume o jogo para armar, comandar ações no meio-campo, determinar o perfil de um time agressivo. Vanderson é ótimo na frente da zaga, Bida é um bom jogador chegando para chutar a gol, os outros dois ainda precisam rodar muito para alcançar a titularidade. Além disso, como não pode contar com Nadson, outro lesionado, achou de escalar André Luis ao lado de Neto, ficando os dois se batendo na frente, sem lançamentos e sem qualquer noçã Luis ao lado de Neto, ficando os dois se batendo na frente, sem lançamentos e sem qualquer noção de como furar o bloqueio da bem armada equipe de Alagoas.


Entendo que o mais racional teria sido as escalações de Rafael Bastos no meio-campo, por se tratar de uma cabeça pensante e de bom nível, já conhecido desde os tempos de Bahia, e Washington na frente com Neto, porque, apesar de não ser um grande reforço, já andou fazendo os seus gols, mostrando boa dose de oportunismo. E mais e mais, o Vitória, com todos os problemas possíveis, não tinha o direito de entrar em campo como time pequeno, pensando em se classificar com empate de 0-0, que era a única vantagem que lhe cabia, depois do resultado de 1-1 em Maceió.


O Vitória foi ridículo, levou sufoco o tempo todo. Nem teve aquela tradicional domínio de jogo, que costumeiramente acontece com os times da casa jogando contra equipes de menor expressão. Voltou para o segundo tempo sem qualquer mudança e voltou pior. Só quando, pressionado pela torcida, Fernandes colocou em campo Bastos e Washington, já perdendo desde a primeira fase, por 1-0, é que as chances reais começaram a aparecer, até que Rafael Bastos fez um gol, de muito longe, em chute rasteiro, traiçoeiro e salvador.


Taticamente o Asa foi melhor e até merceu ganhar a partida. Nos pênaltis, faça-se justiça, os cinco cobradores do Vitória foram perfeitos (Neto, Luciano Almeida, Bida, Rafael Bastos e Washington) e o goleiro Viáfara defendeu o quinto pênalti, batido pelo goleiro deles, o Santos.


Ganhou a vaga, arrebentou vários corações, um sufoco. Mas ficou claro que, se não melhorar muito, o futuro rubronegro na Copa do Brasil será curto. E fica difícil jogar neste próximo domingo contra o Bahia, com a infeliz tática (o time parece completamente desmontado), além da impossibilidade de contar, além dos já em tratamento, do apoiador Vanderson, que deixou o campo com uma fisgada na coxa, mesmo antes de o jogo terminar.


Acho também muito difícil que Mauro Fernandes se sustente por mais algumas rodadas. A torcida não o quer, seus conceitos táticos não se afinam com os propósitos de um time de primeira divisão.


E tenho absoluta certeza que o dirigente Jorginho Sampaio errou o verbo depois da vitória nos pênaltis, por 5-4. Porque em lugar de ir ao Bonfim comemorar, o mais coerente seria, de joelhos e mãos pros céus, agradecer o milagre desta quarta-feira no Barradão.