LINHA ABERTA
Edson Almeida
De repente, no meio da tarde, o celular toca e o assessor de imprensa do Bahia, Jayme Brandão, me coloca em contato com o presidente Marcelo Guimarães Filho, que me antecipa ter alguns pontos a considerar. Cheguei a pensar, por alguns segundos, que as lamentáveis cenas de arrogância e prepotência poderiam ser repetidas, porque toda vez que um cronista discorda de dirigentes, mesmo que o façam de forma respeitosa e construtiva, acabam inimigos mortais ou tendo que ouvir impropérios e desaforos.
Afinal de contas, eu abordei assuntos muito concretos e do domínio público, como salários atrasados de humildes operários, cheques sem provisão voltando da boca do caixa, majoração indiscriminada de preços de ingressos para os jogos de Pituaçu, valores exorbitantes de refrigerantes, cervejas, sanduíches e água mineral nas cantinas comandadas (ou admitidas) pelo clube, a triste idéia da apartheid das torcidas em clássicos baianos. Tudo isso não aceitei, continuo discordando e disse que o que me causava estranheza era o fato de o jovem presidente, ao assumir a direção do mais vitorioso clube do Nordeste, haver prometido e passado a imagem de um dirigente centrado em bons propósitos, consciente das dificuldades que iria encontrar e, sobretudo, com uma mentalidade tão arejada quanto conciliadora, explicitando o forte desejo de fazer uma administração abrangente, de integração do esporte, sem qualquer sintoma de exclusão, fosse com os seus torcedores ou com os adversários, porque, na verdade, o futebol tem que ser respeitado como uma atividade interdependente, difundido pelo progresso de cada associação em particular, de todas no conjunto e de um relacionamento eficaz com os poderes públicos e as entidades patrocinadoras, FBF e CBF.
O presidente entendeu o que eu disse, usou de um expediente muito cortês, foi um cavalheiro o tempo todo, jamais deixando transparecer em sua linguagem qualquer ponta de ameaça, explicando-me não apenas as dificuldades que tem atravessado nestes primeiros quilômetros de atuação, mas, sobretudo, um forte empenho em absorver todas as críticas construtivas, tirando de cada aspecto uma lição importante, porque, disse-me, como político e dirigente esportivo, que aplaude o valor da imprensa e reconhece que nem sempre todas as suas atitudes sejam tão corretas a ponto de agradar a todos. E foi mais contundente em seu desejo de aparar arestas, acrescentando que não foi apenas um operário que teve o seu cheque sustado no balcão do banco, mas oitenta outros cheques foram sustados, em função de uma operação bancária mal sucedida, já estando a adotar providências para que este problema seja sanado até segunda-feira (16).
Disse-me que os operários realmente não estavam freqüentando o refeitório, almoçando embaixo de árvores, porque está sendo construído um local apropriado para que todos possam fazer as suas refeições de forma mais digna, já que o atual restaurante só serve aos jogadores e técnicos profissionais. Só permaneço achando que deveria ter sido encontrada uma fórmula mais condizente com a grandeza do clube.
Enfim, foi uma conversa demorada e de um jovem que realmente voltou a deixar a impressão de uma forte tentativa para mudar os rumos diretivos de seu clube. Por uma questão de justiça, nem Paulo Maracajá, presidente por tantos e tantos anos, nem Petrônio Barradas, o último presidente por duas gestões, deixaram de tratar este cronista, mesmo em momentos de críticas duras e amargas, sem cavalheirismo ou respeito. Foram sempre pessoas tratáveis e que respeitaram os meus pontos de vista.
Marcelinho Guimarães, pelo que entendi, é consciente da difícil tarefa que aceitou, mostra que tem fair-play para enfrentar adversidades e críticas, e como deputado que é, jovem e de mente aberta, demonstra o bom fundamento da democracia, onde executivos não vivem apenas de elogios e aplausos, mas, também, de censura, de reivindicações e até mesmo da rejeição de atos e condutas.
Mas, tanto ele quanto eu, cada um em seu papel, estamos firmes na busca da verdade e do sucesso. Porque em tudo na vida é muito importante ter uma linha permanentemente aberta.
De repente, no meio da tarde, o celular toca e o assessor de imprensa do Bahia, Jayme Brandão, me coloca em contato com o presidente Marcelo Guimarães Filho, que me antecipa ter alguns pontos a considerar. Cheguei a pensar, por alguns segundos, que as lamentáveis cenas de arrogância e prepotência poderiam ser repetidas, porque toda vez que um cronista discorda de dirigentes, mesmo que o façam de forma respeitosa e construtiva, acabam inimigos mortais ou tendo que ouvir impropérios e desaforos.
Afinal de contas, eu abordei assuntos muito concretos e do domínio público, como salários atrasados de humildes operários, cheques sem provisão voltando da boca do caixa, majoração indiscriminada de preços de ingressos para os jogos de Pituaçu, valores exorbitantes de refrigerantes, cervejas, sanduíches e água mineral nas cantinas comandadas (ou admitidas) pelo clube, a triste idéia da apartheid das torcidas em clássicos baianos. Tudo isso não aceitei, continuo discordando e disse que o que me causava estranheza era o fato de o jovem presidente, ao assumir a direção do mais vitorioso clube do Nordeste, haver prometido e passado a imagem de um dirigente centrado em bons propósitos, consciente das dificuldades que iria encontrar e, sobretudo, com uma mentalidade tão arejada quanto conciliadora, explicitando o forte desejo de fazer uma administração abrangente, de integração do esporte, sem qualquer sintoma de exclusão, fosse com os seus torcedores ou com os adversários, porque, na verdade, o futebol tem que ser respeitado como uma atividade interdependente, difundido pelo progresso de cada associação em particular, de todas no conjunto e de um relacionamento eficaz com os poderes públicos e as entidades patrocinadoras, FBF e CBF.
O presidente entendeu o que eu disse, usou de um expediente muito cortês, foi um cavalheiro o tempo todo, jamais deixando transparecer em sua linguagem qualquer ponta de ameaça, explicando-me não apenas as dificuldades que tem atravessado nestes primeiros quilômetros de atuação, mas, sobretudo, um forte empenho em absorver todas as críticas construtivas, tirando de cada aspecto uma lição importante, porque, disse-me, como político e dirigente esportivo, que aplaude o valor da imprensa e reconhece que nem sempre todas as suas atitudes sejam tão corretas a ponto de agradar a todos. E foi mais contundente em seu desejo de aparar arestas, acrescentando que não foi apenas um operário que teve o seu cheque sustado no balcão do banco, mas oitenta outros cheques foram sustados, em função de uma operação bancária mal sucedida, já estando a adotar providências para que este problema seja sanado até segunda-feira (16).
Disse-me que os operários realmente não estavam freqüentando o refeitório, almoçando embaixo de árvores, porque está sendo construído um local apropriado para que todos possam fazer as suas refeições de forma mais digna, já que o atual restaurante só serve aos jogadores e técnicos profissionais. Só permaneço achando que deveria ter sido encontrada uma fórmula mais condizente com a grandeza do clube.
Enfim, foi uma conversa demorada e de um jovem que realmente voltou a deixar a impressão de uma forte tentativa para mudar os rumos diretivos de seu clube. Por uma questão de justiça, nem Paulo Maracajá, presidente por tantos e tantos anos, nem Petrônio Barradas, o último presidente por duas gestões, deixaram de tratar este cronista, mesmo em momentos de críticas duras e amargas, sem cavalheirismo ou respeito. Foram sempre pessoas tratáveis e que respeitaram os meus pontos de vista.
Marcelinho Guimarães, pelo que entendi, é consciente da difícil tarefa que aceitou, mostra que tem fair-play para enfrentar adversidades e críticas, e como deputado que é, jovem e de mente aberta, demonstra o bom fundamento da democracia, onde executivos não vivem apenas de elogios e aplausos, mas, também, de censura, de reivindicações e até mesmo da rejeição de atos e condutas.
Mas, tanto ele quanto eu, cada um em seu papel, estamos firmes na busca da verdade e do sucesso. Porque em tudo na vida é muito importante ter uma linha permanentemente aberta.