TESTE DE EQUILÍBRIO
O Vitória cresceu no campeonato, porque perdeu dois jogos seguidos, inclusive o clássico dentro de casa, mas em momento algum se deixou envolver pela pressão de sua torcida. Aliás, tem sido assim desde a luta para sair da incômoda Série C. E ninguém pode tirar esse mérito de Jorginho Sampaio e Alexi Portela, que têm sabido levar o barco nas horas mais difíceis.
Agora é o Bahia que enfrenta este doloroso teste: tido e havido como maior favorito ao título, com os menos previdentes (e quantos!), apostando que o time não iria perder mais para ninguém até colocar as duas mãos na taça, eis que já no jogo de Pituaçu ganhou de 3 x 1 do Colo-Colo, mas sem convencer – e neste domingo, iniciando a segunda etapa do primeiro turno, vai a Ilhéus cheio de alterações e perde por 2 x 0, de forma inquestionável, porque o adversário, considerado fraco, dominou inteiramente e até teve chances de mais gols.
Há duas justificativas que convergem para o mesmo sentido: ou o técnico achou que o Colo-Colo era galinha morta ou, então, superestimou a qualidade do time tricolor. O Colo-Colo mostrou que ainda respira e o Bahia que ainda precisa de muitos retoques para conseguir os seus dois principais objetivos da temporada, que são a conquista do campeonato estadual, coisa que não acontece há oito anos, e voltar para a primeira divisão.
O próprio Paulo Carneiro, atual gestor do futebol do Fazendão, ainda presidente do Vitória, me ensinou que a reforma de um time exige, acima de tudo, a consciência que podem ser constantes as idas e vindas, as subidas e quedas, a trajetória inconstante e incerta. Mas parece que o técnico Alexandre Gallo, que tem sido um bom profissional no comando do Bahia, ou não foi avisado disso ou exagerou na avaliação do grupo que ajudou a construir. Levou para o Mário Pessoa um misto, sem sete titulares, sob a premissa de poupar alguns jogadores para o jogo da Copa do Brasil, contra o Potiguar, em Mossoró/RN, e se deu muito mal, perdendo não apenas um jogo que lhe parecia favas contadas como, também, uma grande dose de confiança da torcida que, agora, já começa a questionar vários aspectos.
Então, o Bahia vai ter que imitar o seu arquirrival, superando com altivez este momento difícil, não deixando que o habitual desespero do fanatismo de torcedores agitados possa intranqüilizar o grupo e desmerecer o trabalho de reorganização que se pratica no campeão brasileiro. Vai ter que ouvir e absorver críticas, mas sem desmoronar em suas atitudes e ações.
Já expressei o sentimento de que o campeonato será decidido no mata-mata entre os quatro finalistas, que tudo se encaminha para confirmar Bahia, Vitória, Conquista e Fluminense, com os dois da capital praticamente já garantidos para estas importantes e decisivas batalhas – e pelo andar da carruagem, vão ser dois Ba-Vis decisivos. O Vitória, que já é líder (com um jogo a mais que o Bahia), com 30 pontos, tem 10 pontos de diferença para o quinto colocado, o Atlético, com 20. O Bahia, que poderá reassumir a liderança ganhando do Madre de Deus (seu jogo atrasado), está com 28 e oito de vantagem sobre o mesmo Atlético. Conquista (23) e Fluminense (21) são os melhores encaminhados para as duas outras vagas. Claro que o time de Alagoinhas é também um bom candidato à fase final.
Mas os destaques mesmo da rodada foram as goleadas do Vitória (5 x 1 Itabuna), do Vitória da Conquista (5 x 1 Camaçari), e os inquestionáveis triunfos do Colo Colo (2 x 0 Bahia) e Atlético (3 x 0 Poções). O Feirense ganhou do Ipitanga (2 x 1), subiu para 12 pontos, mas está ameaçado de perder seis pontos por haver escalado um jogador ilegal e o Madre de Deus empatou com o Fluminense (2 x 2), foi para 14 pontos, mas tem o mesmo problema de seu co-irmão de Feira e pode ter subtraídos seis preciosos pontinhos.
Analisando os dois extremos, o Vitória dar mostras de revitalização, com Nadson, Neto e seus companheiros jogando com muita alegria – e neste domingo Mauro Fernandes não pode utilizar cinco titulares – enquanto o Camaçari parece que despenca rumo à segunda, mas há com ele um pelotão de outros pretendentes, como Poções e Ipitanga, que são também muito fracos.