Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Coluna

Coluna

LEVE E SOLTO

Edson Almeida
O Bahia manteve a liderança e a invencibilidade, ganhou de virada do Feirense, em Pituaçu, por 4-1 e é indiscutível a sua ascensão como time e como estrutura organizacional. Mas como fui escalado pela rádio Itapoan FM para trabalhar em Madre de Deus, vou falar mais da partida em que o Vitória, já sem Vagner Mancini, que recebeu proposta milionária (R$ 300 mil mensais) do Santos, e com o interino Ricardo Silva no comando, fez o seu melhor jogo do campeonato e ganhou por 2-0.
Esse foi um escore muito apertado, porque o experiente goleiro Jean acabou se constituindo na maior expressão da partida, pegando bola de tudo que foi jeito, evitando chances incríveis, mostrando que ainda é um dos melhores do país em sua posição. Estou quase certo que o interino usou de palavras diretas e muito práticas para os jogadores, dizendo apenas que o Vitória é um time grande, tinha que atacar em massa, não ficar enrolando, nem ter medo de se soltar em campo.
Não é que Mancini tenha sido um mau treinador na Toca do Leão, até que todos sabemos tratar-se de um profissional emergente, de boa competência e que muito ajudou o rubro-negro a conquistar belos triunfos no Brasileiro da Série A, além de ter triunfado naquela dramática decisão do estadual 2008. Tanto que foi para o Santos com um polpudo salário. Mas, às vezes, seus ensinamentos táticos acabavam em um futebol mormacento, amarrado, sem alegria. E, também, não abria mão de uma birra contra este ou aquele jogador.
Falar em mormacento, antes da partida começar, usei a expressão "imprognosticável" para definir a minha dúvida se o Vitória estava mesmo preparado para superar a inesperada saída de Mancini e os desfalques de Bida e Anderson Martins, quando um ouvinte correu ao dicionário e como não encontrou esse adjetivo (?), telefonou para perguntar em que baú eu havia tirado tal sentença. E que o certo teria sido eu dizer "sem prognóstico".
Respondo agora: foi um improviso dentro do neologismo da língua portuguesa, que também tem vocábulos já popularmente consagrados como "imexível e imperdível", inventados pelo ex-ministro do Trabalho Antônio Rogério Magri, que foi uma das figuras mais folclóricas do Governo Collor. Tem gente até que jura que ele é analfabeto. São duas palavras estranhas, mas que caíram no gosto popular e são usadas em várias crônicas, palestras e textos. 
Florence Antônio, no seu estudo "Laboratório de Idéias" aborda que "as palavras são verdadeiros tesouros e de imprognosticáveis resultados, conforme o sentido de suas colocações" e o biofísico Bertolo argumenta que "a Biofísica de maneira genérica estuda a Física do ecossistema, cujos resultados são ainda imprognosticáveis".
E se gente tão famosa, letrada ou folclórica usa palavras que não são encontradas nos dicionários mais populares, não vejo crime nenhum que eu, interiorano mortal de Uruçuca, de vez em quando, ande falando ou escrevendo essas preciosas pérolas. E que me desculpem os filólogos, mas vou continuar me valendo desses recursos.
Mas como dizia, o Vitória foi solto, leve e livre. Jogou o tempo todo em busca do gol, com um futebol alegre e agressivo, só não construindo uma histórica goleada no primeiro jogo entre os dois times, porque Jean foi fenomenal. Nadson e Neto fizeram dois golaços, começam a mostrar que poderão formar uma bela dupla de ataque. Mas pelo que disseram meus companheiros de jornada Chico Queiroz e Márcio Martins, o Bahia também jogou com muita liberdade e eficiência contra o Feirense, na sua sétima vitória consecutiva no campeonato, mostrando que realmente é um candidato fortíssimo ao título.
O que deixa a gente meio pensativa é saber que o Mauro Fernandes deve ser o substituto de Mancini. Não é que ele seja um técnico ruim, mas não é uma substituição que empolgue ninguém. Só vai valer mesmo se mantiver o Vitória jogando solto e livre, sem invenções táticas sisudas.