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O RESCALDO DO BA-VI

O clássico será sempre assim e isso é que o torna imortal: cicatrizes e seqüelas de um lado, castelos e sonhos do outro. E quando essas coisas não acontecem, certamente tudo foi muito igual, sem acrescentar história, de uma monotonia imperdoável.

 

Mas o Ba-Vi deste último domingo deixou muitas marcas, de lado a lado, construindo lições e determinando capítulos que o tempo não conseguirá apagar. Foi o dia em que o Tricolor, ainda na segunda divisão do Brasileiro, procurando resgatar o seu prestígio de bi-campeão nacional, foi a campo com caras novas, contratados às vésperas da competição, e mais do que isso, contratações administradas pelo ex-presidente do rival, Paulo Carneiro, agora gestor do futebol no Fazendão. E o Bahia fez bonito, mostrou maturidade, superou a pressão de quase todo um primeiro tempo e foi buscar um novo triunfo que, entre outros aspectos, serviu para aumentar um tabu de não perder na casa do terrível inimigo, já se encaminhando para quatro anos. Além disso, além de mantê-lo invicto e torna-lo líder absoluto, mostrou um time forte, equilibrado, sem o goleiro titular Marcelo, mas com o reserva Fernando em ótima forma, uma defesa muito bem capitaneada por Nem, um meio-campo criativo, em que Leandro e os dois Eltons (um tem h) são realmente ótimas contratações.

 

Do outro lado, a frustração momentânea de dois ídolos: a lamentável falha do excelente goleiro Viáfara e a imprecisão do chute do artilheiro Nadson, que nesta sua volta tanto não fez gol como abriu a dolorida cicatriz de que, se tivesse feito aquele gol perdido no primeiro tempo, seguramente o clássico teria outra história. Mas, porque o jogo já tem profissionais mais experientes e letrados, o dia seguinte foi de reconhecimento de erros e pedido de desculpas a torcedores, dirigentes e companheiros. E acho isso até muito saudável, porque ninguém, do lado do perdedor, andou achando desculpas esfarrapadas para justificar a derrota. Foi fruto do melhor aproveitamento do Bahia – e disso todos que lá foram ou assistiram pela tevê não tem a menor dúvida.

 

Ba-Vi vai continuar sendo o termômetro do campeonato, com suas expectativas, suas rivalidades e intrigas. Agora mesmo, com o que discordo incondicionalmente, ressuscitaram a notícia de que o Manoel Barradas é impraticável, porque teve gente demais, porque uns torcedores foram abordados pela Polícia. Isso sempre vai acontecer em todo clássico – e o MB já provou ser um dos mais aprazíveis endereços do futebol brasileiro.


  
E como nesta quarta-feira já teremos uma nova rodada, é mais do que certo que o Bahia, se já era favorito contra o Poções, jogando no Estádio Roberto Santos (Pituaçu), vai muito mais fortalecido pelo merecido resultado do domingo – e mais do que isso -, pela confirmação de candidato em potencial ao titulo. Já o Vitória, fragilizado pelo insucesso da grande batalha, não deixa de ser favorito contra o fraco Ipitanga, mesmo jogando fora, mas tem que redobrar todas as suas atenções e forças.

 

É bom lembrar que em se tratando de um rescaldo é fundamental toda cautela possível. Porque os perigos só vão passar mesmo com novos triunfos e novas alegrias. As torcidas estão exigindo confirmação da grande fase pelo lado tricolor e reabilitação total e irrestrita pelas bandas rubro-negras.