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PONTO DE EQUILÍBRIO

Edson Almeida
O Bahia não apenas ganhou o clássico, com méritos e sem qualquer contestação, dentro da casa do adversário, por 2-0, como, também, mostrou que tem um time e um grupo mais equilibrado – e em toda e qualquer atividade humana o ponto de equilíbrio é fundamental para se atingir metas traçadas. 
O engraçado é que, em sendo um time formado à beira do campeonato começar, o Bahia apresenta um senso coletivo bem mais adequado para quem pretende ser campeão. É claro que este ponto de vista não é definitivo, porque no ano passado, também, só no turno decisivo é que o Vitória cresceu. Mas a contar pelo jogo de ontem, parece-me que o tricolor não deva encontrar qualquer tipo de dificuldade, até a fase decisiva chegar, enquanto o Vitória precisa ter muito cuidado, pois enquanto o seu maior rival, agora líder e com um jogo a menos, vai enfrentar Poções e Feirense em casa, o rubro-negro terá que sair para jogar fora contra Ipitanga e Madre de Deus, no mínimo podendo encontrar dificuldades contra o Madre, sem se falar que vai bastante desfalcado e fragilizado pela perda do clássico para a próxima partida, lá em Senhor do Bonfim, contra o Ipitanga – e se tropeçar, o tricolor vai botar uma larga diferença de pontos, já no primeiro turno de classificação.
Mas sobre o clássico ficou a seguinte impressão: quando o Vitória teve melhor domínio, no primeiro tempo, foi estéril, sem conseguir impor qualquer tipo de pressão mais concreta; quando o Bahia voltou para o segundo tempo, foi absoluto. Galo sentiu que precisava anular as jogadas de Apodi e Jackson e o fez com larga eficiência, enquanto Wagner Mancini não trouxe nada de novo.
Além disso, é preciso ressaltar a capacidade técnica do meio-campo do Bahia, onde Élton é um jogador de postura sólida, Helton Luis joga uma boa redonda e, com isso, os passes para o Bahia atacar foram sempre muito mais conscientes e precisos. Em termos práticos, deu chocolate no tempo final.
Eu até concordo que Nadson jogou muito pouco e Viáfara falhou no segundo gol, mas não foram esses fatores que determinaram o triunfo tricolor. O Bahia ganhou porque esteve mais ligado no jogo, porque soube superar os seus problemas, porque teve um time mais compacto e contundente. O Vitória, não. Foi instável, inconseqüente, sem personalidade tática e de técnica duvidosa.
Bahia (2-0 Vitória), Vitória da Conquista (4-1 Poções) e Madre de Deus (2-1 Ipitanga), foram os maiores destaques da rodada, ganhando na casa adversária, sem apelação; o Itabuna (1-0 Colo Colo) e o Atlético (1-0 Camaçari) fizeram valer o mando de campo, enquanto o clássico Feirense-Fluminense terminou em 0-0, valendo mais pela rivalidade local.
Boa mesmo foi à presença do público, esgotando a lotação e sem maiores problemas de violência, aniquilando as pretensões dos que postularam apartheid em nosso futebol, idealizando torcidas únicas em cada um dos clássicos.
De outra coisa tricolores e rubro-negros ficaram sabendo neste domingo: o Bahia, mais do que nunca, tem todos os ingredientes para voltar a ser campeão e o Vitória vai ter que juntar os cacos para manter reais condições de continuar aspirando o tricampeonato.