VELHA BIPOLARIDADE
Esse negócio de centro onde só há dois grandes clubes, sempre candidatos ao título e de torcidas fanáticas e participativas será sempre assim: se um vai bem, o outro por melhor que esteja fazendo na competição é sempre motivos de críticas e insatisfações. Porque a bipolaridade não permite sequer um deslize em uma só rodada.
Até esta quarta-feira, o comentário geral era que o Vitória estava ganhando de todo mundo, com 100% de aproveitamento e já se levantava até a premissa de que, neste ano, poderia levantar o título de forma invicta, sem perder um ponto sequer – até porque estava sendo difícil perdoar o Bahia, que mesmo sendo um time em formação, completamente reformulado, havia se arrastado na estréia, no empate em 1-1 contra o Itabuna.
A meia-noite chegou e tudo era diferente, com a goleada tricolor sobre o Poções (6-0) e a derrota rubro-negra em Feira para o Fluminense (1-0). O Bahia passou a herói e o Vitória a um guerreiro sem a mesma credibilidade de antes. Mas isso são coisas muito inerentes do nosso futebol e até servem de condimento entre as torcidas.
Na verdade, o clássico programado para o domingo, no Manoel Barradas, aumentou a adrenalina de todos os torcedores. Agora, pelo menos, já não se fala mais em favas contadas. O Bahia cresceu no conceito popular, no rendimento em campo e na divisão do favoritismo – e é mais do que certo que, outra vez, como nos velhos tempos, quem for ao estádio ou mesmo ficar em casa, vai estar com o coração na mão, porque a imprevisibilidade ganha sentido, o jogo passa a ser disputado com igualdade de chances de sucesso.
Os resultados da sexta rodada (Bahia 6 X 0 Atlético, Fluminense 1 X 0 Vitória, Camaçari 1 X 0 Ipitanga, Vitória da Conquista 0 x 0 Feirense, Colo Colo 0 x 0 Poções e Madre de Deus 1 x 1 Itabuna), mudaram completamente o panorama do campeonato. Agora, o único invicto é o Bahia e, muito mais do que isso, passou a ser o time de campanha mais eficiente, mesmo aparecendo em segundo lugar, com 13 pontos, dois a menos que o Vitória, que tem 15, mas os do Fazendão, com um jogo a menos (o contra Madre de Deus em Pituaçu), tem um aproveitamento de 86,6% enquanto o seu arquirrival está com 83,3%. E ninguém duvida que o Bahia seja o favorito para ganhar o jogo adiado contra o Madre de Deus.
Por essas razões, o clássico de domingo poderá começar a delinear o melhor da fase classificatória, porque outra coisa inquestionável é quanto as chances dos dois maiores clubes se classificarem com folga. Mas fica assim: empate e vitória dão ao rubro-negro uma boa dose de oxigênio para caminhar líder; vitória tricolor vai desenhar uma recuperação extraordinária, porque a torcida já recupera a auto-estima, e ninguém terá mais dúvidas de que realmente o Bahia passará a ter amplas possibilidades de resgatar a fama de time vencedor.
A classificação, que nesta quinta-feira amanheceu, após seis rodadas para a maioria, com Vitória 15 pontos, Bahia 13, Fluminense 12, Poções 10, Madre de Deus, Vitória da Conquista e Itabuna 8, Feirense 7, Camaçari e Atlético 6, Colo Colo 4 e Ipitanga 6, de novo mesmo apresenta uma grande briga entre Camaçari, Atlético, Colo Colo e Ipitanga, para saber quem realmente corre mais risco de degola.
Os clássicos regionais do domingo (Vitória-Bahia, Feirense-Fluminense, Atlético-Camaçari, Ipitanga-Madre de Deus, Poções-Vitória da Conquista e Itabuna-Colo Colo) devem deixar uma idéia sólida do que pode acontecer pelo menos nestas duas etapas que representam o turno de classificação para a decisão e para a degola.
O bom mesmo é que a bipolaridade está animada, muito indefinida e cheia de assuntos para se analisar.