RESPEITO E INTEGRAÇÃO
Há dois princípios fundamentais de se estabelecer pessoas ou grupos comunitários e sociais com um relacionamento sempre muito saudável e produtivo: o respeito e a integração. O respeito, desde pequeno, a gente começa a aprender nos ensinamentos de nossos pais e avós. Reverenciar os mais velhos, respeitar os temperamentos alheios; a integração é coisa mais abrangente, quando a gente começa a conviver com os coleguinhas no primário, depois já saindo da adolescência para a fase adulta, na universidade, nos clubes, no trabalho e na vida cotidiana com os nossos semelhantes, uns superiores ou iguais, outros sem as mesmas oportunidades que temos, mas todos com os mesmos direitos e deveres, portanto merecedores do exercício do respeito e da integração.
São esses mecanismos, tão dentro de nossas vidas, que faltaram a Bahia e Vitória através da apresentação de uma Cartilha Comportamental para a imprensa atuar na divulgação de suas atividades, na Toca, no Fazendão e nos estádios. Eu até concordo que em tudo deve haver uma disciplina – e no futebol não pode ser diferente -, mas, ao divulgarem da forma como divulgaram as suas regras de relacionamento com os jornalistas, faltaram respeito à imprensa e integração com um segmento tão importante no futebol, que divulga, que projeta, que serve de linha muito clara entre jogadores, dirigentes, treinadores e torcida.
Há itens perfeitamente concebíveis, mas há outros que cerceiam, amarram, delimitam a ação da imprensa, como acontecem com as ditaduras e os regimes totalitários. Se há abusos é muito justo que se encontre um meio de evitá-los, mas para isso os dois clubes teriam um canal importantíssimo para resolver a situação sem deixar seqüelas e cicatrizes. E esse canal seria a Associação Baiana de Cronistas Desportivos. Tenho certeza que, se o presidente Márcio Martins tivesse sido convocado para dar sugestões e encontrar uma fórmula mais adequada de atender as entidades de prática desportiva e os órgãos de comunicação, nem se estava perdendo tempo nesse assunto.
É mais do que provável que tenha faltado habilidade (ou lembrança?) aos assessores de imprensa Roque Mendes e Jayme Brandão. Ou então os dirigentes não consideraram suas sugestões, porque no meu tempo de assessor, tanto no Vitória quanto no Bahia, eu teria chamado a atenção para a necessidade de se integrar à nossa entidade de classe. Seria mais prático, seria mais simpático, teria sido um conjunto de regras muito mais aceitável e duradouro.
Ainda é tempo de se aparar as arestas, de se corrigir desníveis e descontentamentos. Basta que Marcelo Guimarães Filho e Alexi Portela Júnior determinem aos seus assessores de comunicação um encontro com o nosso dirigente da ABCD e sejam refeitas essas normas, ajustando-as a uma realidade que não tire os objetivos disciplinares dos clubes, mas que, também, passem a considerar a imprensa como um setor da sociedade que não pode (e nem deve) abrir mão da liberdade de divulgar, de comentar, de entrevistar e de atuar sem peias ou amarras.
Não vou aqui agir com represália nem a sandice de afirmar que tudo foi feito como se a imprensa estivesse merecendo um castigo, mas tenho a obrigação de afirmar que os dirigentes estão equivocados e que ainda é tempo de se consertar essas decisões muito impróprias para os tempos modernos.
Vamos agir com respeito e integração.