CURVAS PERIGOSAS
Edson Almeida
Se esses doutores que embargam e desembargam obras públicas pudessem refletir sobre a ansiedade da torcida tricolor de ver o seu time jogar em Salvador e poder colaborar com presença no estádio e incentivo durante os noventa minutos, naturalmente já teriam chegado ao consenso de que não adianta ficar descobrindo que um pé de árvore foi cortado, que uma possível nascente está sendo infestada pela má canalização dos detritos, enfim, que a quase acabada Mata Atlântica, cujos fiapos ainda são vistos em Pituaçu e adjacências, esteja, por causa da praça esportiva ali construída, com os seus dias contados.
O que acho mais estranho é esse negócio de liberar o estádio para o jogo deste domingo e, depois, com hora marcada e tudo, recomeçar o embargo, parecendo pirraça de menino mal criado, que quando quer um brinquedo, bate pé, faz beicinho e ninguém consegue acabar com seus calundus.
Roque Schneider, um padre paranaense que se notabilizou pelos eloqüentes sermões e por mais de 500 obras literárias, fala das curvas perigosas da vida, em que pessoas de poder não pesquisam o sentimento do povo e, pensando que cumprem a Lei, tornam-se céticos a princípios do desejo popular, acabam deliberando amarras e descontentamentos incalculáveis. E neste caso, ele argumenta que o cidadão, por mais poderoso, jamais poderá ser feliz se pretender sê-lo à custa da vontade da maioria, pisoteando-a, diminuindo-a. E que o caminho mais curto da felicidade autêntica é o de fazer felizes nossos irmãos de caminhada.
Aliás, é bom esclarecer agora Pituaçu não é do Bahia nem de nenhuma torcida em particular, mas uma conquista de toda a comunidade esportiva estadual. Tricolores, azulinos, rubro-negros, da Barra, da Mussurunga, da capital e do interior. De todos, inclusive dos que tentam evitar que ele seja utilizado.
Acho que, mesmo antes de o jogo Bahia-Ipitanga acabar vai aparecer uma decisão sábia de que o estádio será livre para sempre. Sou um leigo neste negócio de agressão ao ecossistema, mas nem tão leigo para deixar de ter o sentimento de que é preciso acabar com essa queda de braços entre o Ministério Público e o Governo do Estado. Porque se fosse tudo como manda o figurino, a Paralela seria apenas um escoadouro do tráfego. Sem shows, sem novas construções, sem festas, sem nada.
Sobre a rodada desde domingo, o Bahia tem a obrigação de mostrar a cara contra o Ipitanga, já que vai jogar com casa cheia e na estréia em Itabuna foi um time muito amarrado; o Vitória e o Fluminense, os dois que estão na frente, com batalhas de previsões diferentes – o Vitória em Conquista, osso duríssimo, e o Fluminense, dentro de casa, contra o Camaçari, mais fácil. Outro que está bem situado, o Itabuna, enfrenta em casa o Atlético, que até agora tem decepcionado.
Os outros jogos programam o Madre de Deus favorito em casa contra o Colo Colo e o Poções recebendo o Feirense, em Jequié, em jogo sem qualquer tipo de previsão.
Disse no rádio e repito agora: é muito cedo para se fazer prognósticos concretos, mas, acho que Bahia e Vitória, como sempre, candidatos em potencial – e as duas outras vagas vão ser disputadas por Fluminense, Itabuna, Madre de Deus e Vitória da Conquista. Mas como diz um velho companheiro, ainda tem muita água pra rolar debaixo desta ponte e não vou ter qualquer cerimônia e mudar de opinião, porque o futebol é um esporte muito dinâmico.
Cheio de curvas perigosas.
Se esses doutores que embargam e desembargam obras públicas pudessem refletir sobre a ansiedade da torcida tricolor de ver o seu time jogar em Salvador e poder colaborar com presença no estádio e incentivo durante os noventa minutos, naturalmente já teriam chegado ao consenso de que não adianta ficar descobrindo que um pé de árvore foi cortado, que uma possível nascente está sendo infestada pela má canalização dos detritos, enfim, que a quase acabada Mata Atlântica, cujos fiapos ainda são vistos em Pituaçu e adjacências, esteja, por causa da praça esportiva ali construída, com os seus dias contados.
O que acho mais estranho é esse negócio de liberar o estádio para o jogo deste domingo e, depois, com hora marcada e tudo, recomeçar o embargo, parecendo pirraça de menino mal criado, que quando quer um brinquedo, bate pé, faz beicinho e ninguém consegue acabar com seus calundus.
Roque Schneider, um padre paranaense que se notabilizou pelos eloqüentes sermões e por mais de 500 obras literárias, fala das curvas perigosas da vida, em que pessoas de poder não pesquisam o sentimento do povo e, pensando que cumprem a Lei, tornam-se céticos a princípios do desejo popular, acabam deliberando amarras e descontentamentos incalculáveis. E neste caso, ele argumenta que o cidadão, por mais poderoso, jamais poderá ser feliz se pretender sê-lo à custa da vontade da maioria, pisoteando-a, diminuindo-a. E que o caminho mais curto da felicidade autêntica é o de fazer felizes nossos irmãos de caminhada.
Aliás, é bom esclarecer agora Pituaçu não é do Bahia nem de nenhuma torcida em particular, mas uma conquista de toda a comunidade esportiva estadual. Tricolores, azulinos, rubro-negros, da Barra, da Mussurunga, da capital e do interior. De todos, inclusive dos que tentam evitar que ele seja utilizado.
Acho que, mesmo antes de o jogo Bahia-Ipitanga acabar vai aparecer uma decisão sábia de que o estádio será livre para sempre. Sou um leigo neste negócio de agressão ao ecossistema, mas nem tão leigo para deixar de ter o sentimento de que é preciso acabar com essa queda de braços entre o Ministério Público e o Governo do Estado. Porque se fosse tudo como manda o figurino, a Paralela seria apenas um escoadouro do tráfego. Sem shows, sem novas construções, sem festas, sem nada.
Sobre a rodada desde domingo, o Bahia tem a obrigação de mostrar a cara contra o Ipitanga, já que vai jogar com casa cheia e na estréia em Itabuna foi um time muito amarrado; o Vitória e o Fluminense, os dois que estão na frente, com batalhas de previsões diferentes – o Vitória em Conquista, osso duríssimo, e o Fluminense, dentro de casa, contra o Camaçari, mais fácil. Outro que está bem situado, o Itabuna, enfrenta em casa o Atlético, que até agora tem decepcionado.
Os outros jogos programam o Madre de Deus favorito em casa contra o Colo Colo e o Poções recebendo o Feirense, em Jequié, em jogo sem qualquer tipo de previsão.
Disse no rádio e repito agora: é muito cedo para se fazer prognósticos concretos, mas, acho que Bahia e Vitória, como sempre, candidatos em potencial – e as duas outras vagas vão ser disputadas por Fluminense, Itabuna, Madre de Deus e Vitória da Conquista. Mas como diz um velho companheiro, ainda tem muita água pra rolar debaixo desta ponte e não vou ter qualquer cerimônia e mudar de opinião, porque o futebol é um esporte muito dinâmico.
Cheio de curvas perigosas.