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A IMPRESSÃO QUE FICA

Edson Almeida
Esse negócio de que a primeira impressão é a que fica já não é um conceito tão definitivo quanto o velho adágio possa parecer. Porque há pessoas e instituições que causam uma boa ou má impressão no primeiro instante, mas que conseguem mostrar, ao longo de suas caminhadas uma outra face. Em tudo na vida mesmo.
Conheço casos de amor à primeira vista que acabam em irreparáveis tragédias; seres humanos e entidades que causam a melhor das impressões no primeiro instante e, depois, acabam gorando em suas intenções, atos e empreendimentos. E no inverso, os que desapontam na estréia de seus relacionamentos, mas que conseguem, com luta, perseverança e muito critério, construir impérios, conquistas e riquezas.
Eu sempre entendi que a vida é construída com batalhas. Uns até sabem superar as lutas mais difíceis, outros esmorecem ou nem tentam diante do primeiro obstáculo. E o futebol é assim, principalmente a cada jornada, nos campeonatos e nas temporadas. No ano passado, até mesmo antes da última rodada, quem causou a boa impressão foi o Bahia, que desde o primeiro jogo partiu na frente, somou mais pontos e credibilidade e, na hora fatal, foi o Vitória quem soube construir o título de campeão. Valendo-se do regulamento ou não, com menos pontos do que o seu adversário, mas dentro da legalidade e sem qualquer tipo de apelação.
Um novo campeonato começa e os dois sempre maiores favoritos fazem a comparação de suas estréias. Estive ouvindo atentamente as opiniões de tricolores e rubro-negros. O Bahia empatou em 1-1 com o Itabuna e o seu torcedor não gostou. Seguramente porque, diante da mudança administrativa, da contratação do ex-presidente do Vitória Paulo Carneiro, de inquestionável capacidade profissional, e das duas dezenas de reforços de melhor qualidade do que no ano passado, foi criada uma expectativa, que até acho exagerada. Que o tricolor, em um estalar de dedos, ia ao Luis Viana meter quatro ou cinco no sempre muito aguerrido dono da casa.
Já o Vitória, menos badalado, até porque não enfrentou tantas reformulações quanto o seu arquirrival, em contrapartida, teve uma estréia mais tranqüila e ganhou do Atlético, no Barradão, por 3-0, apenas confirmando um favoritismo natural. Aliás, para usar uma expressão muito em voga, o seu torcedor achou que foi uma estréia funcional. E como tentei fazer um estudo morfossintático desta palavra, que a maioria dos treinadores agora está usando, encontrei que é algo projetado com praticidade. Então, fica claro que a estréia do bicampeão atingiu um resultado prático, normal, sem mais nem menos.
Mas todas essas coisas são muito teóricas: primeiro, é preciso admitir que, em sendo ainda um time praticamente cheio de novatos, formado por jogadores que somente agora começam a se conhecer, o Bahia vai ter que enfrentar muitos obstáculos até conseguir um esquema e uma cara de time qualificado. O que não se pode negar é que o grupo de hoje é muito mais eficiente do que aquele que nem foi campeão baiano nem conseguiu sair da Série B.
O Vitória, também, não deu ainda a resposta definitiva que todos esperam. O campeonato será difícil, todos os jogos fora de casa são muito complicados e vai ser preciso muito mais entrosamento e eficácia para se fazer uma análise mais concreta.
Portanto, se é verdade que a primeira impressão favoreceu mais ao Vitória, é muito cedo para se estabelecer regras. Só mesmo após várias rodadas é que se terá uma idéia mais clara da força de cada um, mesmo assim com as reservas naturais que a disputa do ano passado serviu de exemplo e lição.