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O VELHO EXAGERO

      Outra vez, foi criada uma expectativa exagerada sobre a estréia do Bahia, com a maioria absoluta de críticos e torcedores gerando a possibilidade de o tricolor meter uma goleada no Itabuna, só porque investiu mais e tem uma estrutura mais sólida. Nas resenhas e nas ruas, era como se houvesse contratado jogadores da primeira linha do futebol brasileiro, capazes de formar uma verdadeira seleção. Com certeza, fruto da grande ansiedade de tirar o clube do caos em que se encontrava.
      Foram esquecidos vários aspectos que acabaram pesando: que o Bahia está tentando superar uma forte crise técnica e financeira e isso demanda tempo e paciência; que já anda acima de 20 contratações de reforços para a temporada; que acaba de mudar a diretoria e que os atuais dirigentes estão adotando medidas severas para eliminar os vícios antigos.
Então, por todas essas situações, é quase impossível que um novo treinador, por mais competente que seja, coloque em campo em uma estréia, após duas semanas de treinamentos, um time competitivo, bem condicionado fisicamente e cujos melhores reforços possam produzir todo seu potencial.
O empate em 1-1 com o Itabuna foi praticamente uma vitória. Bem que até poderia ter vencido o jogo, se o árbitro Jailson Macedo Freitas houvesse marcado um pênalti cometido pelo lateral Alfredo, mas, também é certo que o Itabuna foi quem apresentou um melhor futebol e teve chances muito mais concretas de sair com até uns dois gols de vantagem. O tricolor ainda teve um pênalti a seu favor, muito mal assinalado pelo árbitro e muito mal batido pelo Patrício. Mas futebol por futebol, o dos itabunenses foi mais leve, de toques mais equilibrados e conscientes, de chances muito mais numerosas e coordenadas. 
O técnico Alexandre Gallo teve erros de previsão, colocando em campo um 4-5-1 pesado, de defesa lenta, de meio-campo congestionado e de ataque mormacento, que pareceu ter sentido o peso da estréia e calor do clima logo nos primeiros minutos de disputa. Alberto Leguelé, em contrapartida, lançou em campo um time cujo esquema fluiu com muito mais praticidade e eficiência. E nos primeiro minutos, quando sentiu que o Bahia entrou para jogar nos contra-ataques, deu corda e partiu, depois, com a leveza de de quem realmente entra para ganhar.
Sempre acho que uma primeira rodada de campeonato é muito pouco para se avaliar a potencialidade de qualquer equipe – e até entendo que o Bahia fez contratações de razoável nível -, mas vai ter que melhorar muito para fazer valer o seu forte e justificável desejo de conquistar o título estadual e de subir para a primeira divisão nacional. O ex-presidente do Vitória Paulo Carneiro continua sendo o maior de todos os reforços tricolores.
Nos outros jogos, o já esperado triunfo do Vitória sobre o Atlético, só que por um placar cômodo que lhe assegura a ponta da tabela (3-0), a confirmação de que o novato Madre de Deus começa firme e bem estruturado (2-0 sobre o Feirense), a surpreendente atuação do Fluminense contra o Vitória da Conquista (3-1) no campo neutro do Carneirão e os resultados de Camaçari 0-1 Poções e Ipitanga 2-1 Colo Colo, que mereceu uma pausa para meditação. Afinal, no ano passado, o Poções só não caiu, porque o Juazeiro foi feio demais e, agora, vai ao Pólo e ganha do Camaça. Já o Colo Colo, que perdeu para o Ipitanga, lá em Senhor do Bonfim, bem que poderia ter feito uma estréia melhor.
Como já disse, a bola só começa a rolar e não vamos precipitar as coisas: lá para a quarta rodada, todos os times já devem haver mostrado o que realmente podem dar...