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VERDADES DO MERCADO

Sabem por que clubes como Flamengo, Corinthians e Atlético Mineiro, detentores de maiores torcidas em suas cidades e estados, sempre muito presentes aos jogos, fanáticas em suas atitudes, barulhentas e encrenqueiras nas suas manifestações, não são os primeiros na mídia econômica? E por que perdem para São Paulo, Palmeiras, Internacional, Grêmio e Cruzeiro no mercado das parcerias com grandes empresas?


Sem chegar à doce e inocente análise de Binha de São Caetano, que tem insistido esses anos todos que o Bahia, outro clube de grande potencial de torcida, é até maior e mais rentável do que os ingleses Arsenal e Manchester, os espanhóis Barcelona e Real e os italianos Milan e Internazionale, confesso que cheguei a me enveredar pela mão única da crítica que era apenas uma questão de incompetência dos dirigentes desses clubes. Que Inter e Grêmio de Porto Alegre, Cruzeiro, São Paulo e Palmeiras tinham gente mais qualificada e que, por isso, estavam dando de goleada na busca de recursos de auto-sustentação com relação aos seus rivais de maiores torcidas. Mas não é só isso não, tem muito mais a se observar.


Não é por esse caminho que a gente vai encontrar respostas para esses questionamentos. Tenho um sobrinho emprestado, casado com uma filha de querida irmã, que faz parte do departamento de Marketing do São Paulo e quando ele leu uma crônica que fiz abordando esta questão, teve pressa em me apresentar certos dados, muito concretos e pertinentes, que tenho agora o cuidado de passar aos ilustres senhores.


Segundo este meu parente, semestre após semestre, o SPFC faz pesquisas de mercado, pesquisas sérias, sem querer puxar brasa para a sua sardinha e são conhecidos dados importantíssimos: que a torcida do São Paulo é a quarta colocada, perdendo para Flamengo, Corinthians e Palmeiras. Até manda dizer que nesta última, pesquisa, agora no início de dezembro, os seguintes, até o 14º lugar, pela ordem, são Santos, Grêmio, Vasco, Internacional, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense, Atlético, Bahia e Vitória. Esses índices batem com os últimos 13 concursos da Timemania, loteria onde os torcedores marcam o clube que torcem. E dá no seguinte: Flamengo – mercado de 2.009.199 torcedores; Corinthians – 1.569.913; Palmeiras – 1.229.205; São Paulo – 1.139.092; Santos – 959.294; Grêmio – 891.024; Vasco – 781.650; Internacional – 777.619; Cruzeiro – 664.829; Botafogo – 646.115; Fluminense – 579.077; Atlético/Mg – 547.007; Bahia – 486.793; Vitória – 308.315.


Então, o jovem executivo me deu uma apreciável aula, começando por lembrar que São Paulo é o maior e mais rico mercado nacional, que os torcedores de lá têm um poder aquisitivo bem superior aos demais, inclusive os do Flamengo, cuja maior fatia de torcedores se concentra no Norte e Nordeste, as duas regiões mais pobres do país. Que São Paulo é diferente do Rio, pois enquanto os torcedores paulistas participam concretamente nas promoções de seus clubes, os cariocas são arredios, limitando-se a comparecer aos estádios quando suas equipes estão muito bem nas competições. Depois de São Paulo, os melhores mercados do futebol são Porto Alegre e Belo Horizonte, onde existem praticamente empates técnicos no contingente de adeptos de Grêmio contra Inter e Cruzeiro contra Atlético, sendo que os mais ricos são azuis e os mais pobres torcem pelo Galo. Outro empate técnico é o mercado baiano (Bahia e Vitória), até sem grandes diferenças econômicas, mas só vou dar a minha modesta opinião no final desta matéria.


 Em tudo isso, a grande sacada é que o São Paulo FC tem a torcida mais rica do país, que consome mais, que pode investir mais – e as pesquisas mostram que dos 1,1 milhão de apostadores tricolores da Timemania, pelo menos 300 mil deles ganham acima de 20 salários mínimos (mais de R$8 mil) e 50 mil, mais de 50 salários mínimos (R$20 mil), enquanto no Flamengo apenas 100 mil torcedores ganham acima de 20 salários mínimos e 20 mil ultrapassam os 50 salários mínimos. E com esses dados, confirmados por institutos oficiais, o potencial de mercado do São Paulo é duas vezes e meia mais forte do que o do Flamengo. Resultado: as maiores parcerias comerciais, e consequentemente as divisas mais polpudas, estão com o time do Morumbi. O Corinthians não bate o SPFC, mesmo tendo um montão de torcedores a mais, porque seus adeptos são fortes em comprar camisas, brindes e ingressos para os jogos, mas ficam bem abaixo dos rivais (até mesmo do Palmeiras) quando se parte para a demanda do mercado consumidor. São-paulinos e palmeirenses compram mais automóveis, apartamentos e casas, investem na Bolsa de Valores, poupam muito mais do que os corintianos e demais clubes nacionais. Mas três outros clubes mostram grande força (Grêmio, Inter e Cruzeiro), cuja maioria de seus adeptos ganha muito bem e investem em qualquer iniciativa de seus clubes – com os três já ultrapassando em sócios todos os clubes cariocas e de outras regiões do Brasil. O Inter só perde para o São Paulo e o Grêmio vem logo atrás. 


E o que dizer de nossos Bahia e Vitória, que até estão bem situados nos números da Timemania? Primeiro, nunca foi nosso hábito o aspecto associativo em nossos clubes, depois estamos situados em um mercado muito pobre, em que a maioria esmagadora de nossos torcedores sobrevive com um salário mínimo e isso não desperta o interesse de empresa grande nenhuma.


Mas se os nossos dirigentes tiverem criatividade, poderão perfeitamente auferir resultados mais positivos, apresentando uma grande bolsa de eventos, idéias e produtos populares, e um pequeno, mas seguro leque de boas oportunidades para o minguado índice de torcedores de rendimento maior.
Neste caso, seria uma espécie de participação sobre a revelação de craques, por meio de aposta e compra de ações simbólicas na formação de craques da Divisão de Base. Além de outros direitos inerentes a qualquer torcedor que invista o seu sagrado dinheirinho.