O VOLÚVEL E O INFIEL
Outro dia eu disse que o torcedor é muito volúvel e um companheiro me rebateu afirmando que eu havia cometido um grande equívoco, porque a maioria esmagadora da torcida só é configurada quando abomina a infidelidade, como a do Bahia, do Corinthians, do Flamengo, do Atlético, do Internacional, enfim qualquer grande torcida, todas muito convictas de seu amor, como as do Fluminense, Botafogo, Vitória e vai por aí afora.
Sem pretender ser gato-mestre tentei explicar ao colega que embora possam parecer sinônimos, o volúvel e o infiel são dois indivíduos ou grupos de comportamento bem típicos e fáceis de serem detectados. O infiel é o que quebra compromissos, o volúvel é o inconstante.
O cara que se casa assume um compromisso e se ele vai buscar prazeres fora, está sendo infiel; o cara que assina filiação a um partido político, se ele muda de repente de atitude e passa a defender programas adversários, está cometendo uma infidelidade partidária.
Mas no futebol, sem precisar trair o seu time e a sua torcida, indo para outras bandas, está cheio de torcedores volúveis, inconstantes, que muda de comportamento conforme o desempenho de suas equipes. Não me lembro bem onde li, mas andei encontrando uma definição para torcedor de futebol que dizia ser uma pessoa de personalidade com dois pólos, capaz de acordar com muita alegria e dormir cheio de tristeza. Ou vice-versa. Se o time dele ganha, dá até as próprias vestes ao primeiro mendigo que passa; mas se perde, é capaz de chutar o cão amigo que lhe vem ao encontro no portão de sua casa.
O infiel é infiel por natureza, não respeita compromissos, pula de galho em galho, faz da traição uma bandeira de vida; o volúvel muda de comportamento dentro de uma mesma seita, uma mesma religião, um mesmo partido político, um mesmo time de futebol – e sempre buscando glórias e vitórias, não importa ao lado de quem ou como sejam alcançadas.
O Bahia atual, de uma torcida fantástica e numerosa, muito fiel às cores e à história do seu clube, está dando uma demonstração de quanto é volúvel. Mas sob a argumentação explicável de que é por causa de uma busca muito penosa de vitórias e de títulos.
Sei que ainda há uma boa quantidade de torcedores que gostaria de ver o clube adotar outra postura nestas últimas eleições, em que foi eleito o deputado federal Marcelinho, filho do ex-presidente Marcelo Guimarães e integrante do grupo da situação. Sonhavam com uma diretoria de oposição, planos arrojados, mudanças radicais.
Mas deu Marcelinho e não há mais o que fazer, a não ser esperar por melhores dias. E esse tem sido o discurso da grande maioria de torcedores, pelo menos os que falam diuturnamente no rádio, como ouvintes ou como cronistas. Porque há até torcedor que fala todos os dias, com vinhetas e fanfarras para anunciá-los em suas inflamadas alocuções, que são discursos curtos, de poucas palavras, manifestações verbais que, não raras vezes, enlameiam, emporcalham e difamam dirigentes e cronistas de profissão.
Eu sempre tenho conversado sobre este tema com Ivanildo Fontes, brilhante colega na Itapoan FM, que considero uma das vozes mais bonitas e um dos narradores mais coerentes deste país. Que, muitas vezes, não adianta a gente tomar posições radicais em favor das torcidas, porque cronistas como nós, só estamos certos fazendo críticas severas, enquanto suas equipes andam por baixo. Bastou melhorar um pouco, até passamos a vilões e responsáveis pelos erros anteriores.
Para simplificar tudo que foi dito, é só observar o novo comportamento da grande massa tricolor: de repente, Marcelinho, que até a semana passada era o continuísmo passa a ser a grande esperança de reformas, a contratação de Paulo Carneiro, que era o maior de todos os inimigos tricolores, é uma medida providencial e que a volta de Newton Mota, por duas vezes banido e qualificado como ladrão de jogadores da Base tricolor, volta como maior oxigênio para a revelação de novos talentos. As chamas são novamente acesas, com todas as tochas e todos os gases.
De minha parte, nada tenho contra Marcelinho, que me parece um jovem muito bem fundamentado em seus propósitos ou contra Paulo Carneiro, que sempre qualifiquei como maior inovador do futebol baiano, mesmo tendo que ouvir certos olhares atravessados de companheiros ilustres. Mota, além de grande profissional, foi sempre um grande amigo e na semana passada, quando aqui esteve, veio em minha casa e conversamos já sobre a sua possível volta ao Fazendão.
Mas está aí tudo que acho de torcedor de futebol, mesmo gostando e dependendo muito deles, que sempre me prestigiaram como jornalista e crítico de rádio. Torcedor usa e abusa de exercitar o chamado espírito duplo. E isso é ser inconstante, é ser volúvel.
Sem pretender ser gato-mestre tentei explicar ao colega que embora possam parecer sinônimos, o volúvel e o infiel são dois indivíduos ou grupos de comportamento bem típicos e fáceis de serem detectados. O infiel é o que quebra compromissos, o volúvel é o inconstante.
O cara que se casa assume um compromisso e se ele vai buscar prazeres fora, está sendo infiel; o cara que assina filiação a um partido político, se ele muda de repente de atitude e passa a defender programas adversários, está cometendo uma infidelidade partidária.
Mas no futebol, sem precisar trair o seu time e a sua torcida, indo para outras bandas, está cheio de torcedores volúveis, inconstantes, que muda de comportamento conforme o desempenho de suas equipes. Não me lembro bem onde li, mas andei encontrando uma definição para torcedor de futebol que dizia ser uma pessoa de personalidade com dois pólos, capaz de acordar com muita alegria e dormir cheio de tristeza. Ou vice-versa. Se o time dele ganha, dá até as próprias vestes ao primeiro mendigo que passa; mas se perde, é capaz de chutar o cão amigo que lhe vem ao encontro no portão de sua casa.
O infiel é infiel por natureza, não respeita compromissos, pula de galho em galho, faz da traição uma bandeira de vida; o volúvel muda de comportamento dentro de uma mesma seita, uma mesma religião, um mesmo partido político, um mesmo time de futebol – e sempre buscando glórias e vitórias, não importa ao lado de quem ou como sejam alcançadas.
O Bahia atual, de uma torcida fantástica e numerosa, muito fiel às cores e à história do seu clube, está dando uma demonstração de quanto é volúvel. Mas sob a argumentação explicável de que é por causa de uma busca muito penosa de vitórias e de títulos.
Sei que ainda há uma boa quantidade de torcedores que gostaria de ver o clube adotar outra postura nestas últimas eleições, em que foi eleito o deputado federal Marcelinho, filho do ex-presidente Marcelo Guimarães e integrante do grupo da situação. Sonhavam com uma diretoria de oposição, planos arrojados, mudanças radicais.
Mas deu Marcelinho e não há mais o que fazer, a não ser esperar por melhores dias. E esse tem sido o discurso da grande maioria de torcedores, pelo menos os que falam diuturnamente no rádio, como ouvintes ou como cronistas. Porque há até torcedor que fala todos os dias, com vinhetas e fanfarras para anunciá-los em suas inflamadas alocuções, que são discursos curtos, de poucas palavras, manifestações verbais que, não raras vezes, enlameiam, emporcalham e difamam dirigentes e cronistas de profissão.
Eu sempre tenho conversado sobre este tema com Ivanildo Fontes, brilhante colega na Itapoan FM, que considero uma das vozes mais bonitas e um dos narradores mais coerentes deste país. Que, muitas vezes, não adianta a gente tomar posições radicais em favor das torcidas, porque cronistas como nós, só estamos certos fazendo críticas severas, enquanto suas equipes andam por baixo. Bastou melhorar um pouco, até passamos a vilões e responsáveis pelos erros anteriores.
Para simplificar tudo que foi dito, é só observar o novo comportamento da grande massa tricolor: de repente, Marcelinho, que até a semana passada era o continuísmo passa a ser a grande esperança de reformas, a contratação de Paulo Carneiro, que era o maior de todos os inimigos tricolores, é uma medida providencial e que a volta de Newton Mota, por duas vezes banido e qualificado como ladrão de jogadores da Base tricolor, volta como maior oxigênio para a revelação de novos talentos. As chamas são novamente acesas, com todas as tochas e todos os gases.
De minha parte, nada tenho contra Marcelinho, que me parece um jovem muito bem fundamentado em seus propósitos ou contra Paulo Carneiro, que sempre qualifiquei como maior inovador do futebol baiano, mesmo tendo que ouvir certos olhares atravessados de companheiros ilustres. Mota, além de grande profissional, foi sempre um grande amigo e na semana passada, quando aqui esteve, veio em minha casa e conversamos já sobre a sua possível volta ao Fazendão.
Mas está aí tudo que acho de torcedor de futebol, mesmo gostando e dependendo muito deles, que sempre me prestigiaram como jornalista e crítico de rádio. Torcedor usa e abusa de exercitar o chamado espírito duplo. E isso é ser inconstante, é ser volúvel.