TEIMOSIA E MOROSIDADE
Essas duas qualificações até que se combinam bem, porque o teimoso leva muito tempo para admitir certas verdades, muitas vezes tão cristalinas que só mesmo a sua renitente tendência não o deixa enxergar.
A atual diretoria do Bahia está sendo tão teimosa para não entender que já não conta com as graças da torcida quanto o Governo do Estado moroso em suas ações diante da tragédia da Fonte Nova, que neste último 25 completou exatamente um ano sem uma solução mais prática.
Há dois ou três anos tenho, sem ser nenhum mega-comunicador, aconselhado os atuais gestores do Bahia e entregar o barco, de coração aberto e de alma limpa, sem o soslaio de quem passa o remo para outro esperando que o barco afunde. Está muito bem definida a posição da mais fanática e maior torcida do Norte/Nordeste do país: não quer mais que esta Diretoria e este Conselho continuem. O atestado de validade acabou faz tempo. Não há sinergia, o casamento acabou há muito tempo, torcida e dirigentes têm vivido ultimamente como casal briguento, em corpos separados.
É quase unanimidade, nas ruas, nos bares, nos supermercados, onde se encontre um tricolor, sempre frustrado e decidido dentro de sua mágoa: não quer mais a permanência dos dirigentes, que eles acham que são os maiores responsáveis por esta apatia que o clube vem caminhando há uma década. Sem títulos, sem progresso, sem nada.
Acho uma grande tolice que os atuais dirigentes sejam persistentes, neste apego que já ultrapassa todos os limites da obstinação. A eleição de Marcelinho Guimarães, que todos que o conhecem dizem ser um jovem muito competente, no mínimo, é o continuísmo, com o mesmo poder delegado desses últimos tempos. O que os torcedores alegam é que Paulo Maracajá sempre mandou, delegando poderes aparentes aos presidentes que transitam no Fazendão, de Francisco Pernet a Petrônio Barradas, passando por Antônio Pithon e Marcelo Guimarães pai – e que, agora, Marcelinho, filho de Marcelo e deputado em Brasília, vai delegar poderes aos que aqui ficam, porque não vai jogar fora o seu bom trabalho de parlamentar. E que seu pai, Ruy Acioli e Maracajá vão continuar mandando. Até o nome de Gilberto Bastos, que surgiu com muita simpatia, já cai em descrédito, porque há informações de que ele aceitou compor com a situação e ser lançado como vice-presidente.
Em termos práticos: Marcelinho pode até acabar como o maior presidente da nova história do clube, pulando o abismo que se aproxima, mas o fato é que a torcida não quer, vai fazer passeata, movimento revolucionário e tudo que tem direito para ver gente realmente da oposição no comando do bicampeão brasileiro.
Como não confundo coerência com desrespeito, deixo claro o ponto de vista sobre Petrônio, que tem sido um cidadão muito sério e Maracajá, que até hoje não encontrou um dirigente que o superasse em tantas conquistas e tantas realizações. Mas quando o sucesso acaba e o relacionamento entra em tamanho conflito, não há mais espaço para que eles continuem insistindo. E o mesmo serve para Aciolly, Marcelo pai e Marcelo filho. É hora de limpar o terreno para que outros plantem as suas sementes de reformulações. Esta obstinação acaba sendo uma grande burrice.
Sobre o Governo, um ano da tragédia na Fonte Nova, sete vidas aniquiladas, dezenas de feridos e muitas seqüelas. Faltou ao Governador quem o aconselhasse a tomar uma decisão mais prática no calor da comoção nacional, logo naquela noite de domingo triste de 25 de novembro de 2007. Estabelecer metas urgentes, até solicitar auxílio ao companheiro Lula, fazer um reboliço que deixaria a torcida pelo menos sem tantos problemas a enfrentar.
Sei que o Estádio Metropolitano de Pituaçu não encerra apenas as necessidades do Bahia, mas é o Bahia que sempre mais necessitou com urgência, por não ter estádio para jogar na Série B e ter que andar peregrinando em Feira de Santana. Reforma de Pituaçu feita nas coxas, sem licitações, com pendengas judiciais, além de providências muito pálidas sobre os atingidos pelo sinistro da Fonte Nova.
Deu pena e revolta saber que, das famílias que tiveram vidas destruídas, apenas duas recebem um benefício mensal de salário-mínimo e as outras ainda lutam nos tribunais por indenizações. É por isso que não acredito nessa conversa de que em 2014 teremos uma fabulosa Arena, no local da FN, para sediar jogos da Copa do Mundo.
Até acho o governador Wagner muito bem intencionado, mas nesta questão do esporte, há uma morosidade de ações que está tomando jeito de teimosia. Sei que ele tem muitos outros problemas a resolver, como segurança, educação, saúde, meio-ambiente. Mas Pituaçu está marcando um terrível gol contra. Daqueles que dão o título ao adversário.
A atual diretoria do Bahia está sendo tão teimosa para não entender que já não conta com as graças da torcida quanto o Governo do Estado moroso em suas ações diante da tragédia da Fonte Nova, que neste último 25 completou exatamente um ano sem uma solução mais prática.
Há dois ou três anos tenho, sem ser nenhum mega-comunicador, aconselhado os atuais gestores do Bahia e entregar o barco, de coração aberto e de alma limpa, sem o soslaio de quem passa o remo para outro esperando que o barco afunde. Está muito bem definida a posição da mais fanática e maior torcida do Norte/Nordeste do país: não quer mais que esta Diretoria e este Conselho continuem. O atestado de validade acabou faz tempo. Não há sinergia, o casamento acabou há muito tempo, torcida e dirigentes têm vivido ultimamente como casal briguento, em corpos separados.
É quase unanimidade, nas ruas, nos bares, nos supermercados, onde se encontre um tricolor, sempre frustrado e decidido dentro de sua mágoa: não quer mais a permanência dos dirigentes, que eles acham que são os maiores responsáveis por esta apatia que o clube vem caminhando há uma década. Sem títulos, sem progresso, sem nada.
Acho uma grande tolice que os atuais dirigentes sejam persistentes, neste apego que já ultrapassa todos os limites da obstinação. A eleição de Marcelinho Guimarães, que todos que o conhecem dizem ser um jovem muito competente, no mínimo, é o continuísmo, com o mesmo poder delegado desses últimos tempos. O que os torcedores alegam é que Paulo Maracajá sempre mandou, delegando poderes aparentes aos presidentes que transitam no Fazendão, de Francisco Pernet a Petrônio Barradas, passando por Antônio Pithon e Marcelo Guimarães pai – e que, agora, Marcelinho, filho de Marcelo e deputado em Brasília, vai delegar poderes aos que aqui ficam, porque não vai jogar fora o seu bom trabalho de parlamentar. E que seu pai, Ruy Acioli e Maracajá vão continuar mandando. Até o nome de Gilberto Bastos, que surgiu com muita simpatia, já cai em descrédito, porque há informações de que ele aceitou compor com a situação e ser lançado como vice-presidente.
Em termos práticos: Marcelinho pode até acabar como o maior presidente da nova história do clube, pulando o abismo que se aproxima, mas o fato é que a torcida não quer, vai fazer passeata, movimento revolucionário e tudo que tem direito para ver gente realmente da oposição no comando do bicampeão brasileiro.
Como não confundo coerência com desrespeito, deixo claro o ponto de vista sobre Petrônio, que tem sido um cidadão muito sério e Maracajá, que até hoje não encontrou um dirigente que o superasse em tantas conquistas e tantas realizações. Mas quando o sucesso acaba e o relacionamento entra em tamanho conflito, não há mais espaço para que eles continuem insistindo. E o mesmo serve para Aciolly, Marcelo pai e Marcelo filho. É hora de limpar o terreno para que outros plantem as suas sementes de reformulações. Esta obstinação acaba sendo uma grande burrice.
Sobre o Governo, um ano da tragédia na Fonte Nova, sete vidas aniquiladas, dezenas de feridos e muitas seqüelas. Faltou ao Governador quem o aconselhasse a tomar uma decisão mais prática no calor da comoção nacional, logo naquela noite de domingo triste de 25 de novembro de 2007. Estabelecer metas urgentes, até solicitar auxílio ao companheiro Lula, fazer um reboliço que deixaria a torcida pelo menos sem tantos problemas a enfrentar.
Sei que o Estádio Metropolitano de Pituaçu não encerra apenas as necessidades do Bahia, mas é o Bahia que sempre mais necessitou com urgência, por não ter estádio para jogar na Série B e ter que andar peregrinando em Feira de Santana. Reforma de Pituaçu feita nas coxas, sem licitações, com pendengas judiciais, além de providências muito pálidas sobre os atingidos pelo sinistro da Fonte Nova.
Deu pena e revolta saber que, das famílias que tiveram vidas destruídas, apenas duas recebem um benefício mensal de salário-mínimo e as outras ainda lutam nos tribunais por indenizações. É por isso que não acredito nessa conversa de que em 2014 teremos uma fabulosa Arena, no local da FN, para sediar jogos da Copa do Mundo.
Até acho o governador Wagner muito bem intencionado, mas nesta questão do esporte, há uma morosidade de ações que está tomando jeito de teimosia. Sei que ele tem muitos outros problemas a resolver, como segurança, educação, saúde, meio-ambiente. Mas Pituaçu está marcando um terrível gol contra. Daqueles que dão o título ao adversário.