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A HORA DE REFLETIR

O único fato novo que aconteceu é que desta vez o Bahia perdeu apenas por 1 x 0 jogando fora de casa, lá no Moisés Lucarelli, em Campinas, contra a Ponte Preta. Porque o resto é tudo velho: campanhas ridículas dos nossos dois representantes, contratações de péssimos reforços ou feitas na base do favor, como quem anda com o pires na mão, pedindo ajuda a adversários – e neste caso o Vitória se enquadra perfeitamente.

Não vamos ficar divagando, com apelos patéticos nem faniquitos de torcedores travestidos de cronistas, como tenho visto, ouvido e lido nestes tempos de decepção. Que os dirigentes dos dois clubes precisam refletir, isso é muito mais do que verdadeiro.

Se a gente olha pros lados da Toca, vê um Vitória que fez bonito nos dois últimos anos, saindo do fundo do poço, indo rápido de uma terceira para a primeira divisão, mas quando chegou entre os da elite criou vários problemas para ele mesmo, aqueles que os estudiosos do comportamento humano qualificam de erros de precisão.

Raciocinem comigo: quando o cara pede alguma coisa emprestada a amigos, o negócio até pode funcionar no momento de maior aperto. Mas o rubro-negro foi buscar jogadores emprestados justamente aos adversários, como Palmeiras (Leonardo Silva e Thiago Gomes), São Paulo (Renan) e Atlético/PR (Viáfara, Dinei, Carlos Alberto e Rodrigão). E como nada pagou pelos empréstimos, em cada jogo contra esses times, teve que jogar desfalcado.

Agora mesmo, três dos jogadores que aí estão (Viáfara, Carlos Alberto e Rodrigão), não poderão enfrentar o Atlético, lá na Baixada, e como inexplicavelmente cinco outros jogadores (Anderson Martins, Vanderson, Marquinhos, Leonardo Silva e Marcelo Cordeiro) levaram terceiro cartão amarelo, o nosso rubro-negro vai com time misto para a Arena da Baixada – e se ganhar fora já está completando um par de meses, aí fica fácil se adivinhar que vai ser caixão e vela. A não ser que aconteça um milagre.

É duro admitir que os atuais dirigentes do Vitória tenham autorizado aos jogadores para levarem cartão amarelo na intenção de favorecer ao seu parceiro paranaense, que tem levado todas as vantagens possíveis nesta tal de parceria. O caso Dinei, por exemplo, é marcante: justo quando o time se ajustava, fazendo ótima campanha, tendo como pilar o atacante-goleador, o parceiro mandou dizer que era momento de acabar com a festa e mandou o craque para a Espanha, sabe lá por quantas dezenas de milhares de euros.

Sobre o momento atual rubro-negro é muito mais penoso a gente ver o técnico Wagner Mancini cometendo desatinos, sem saber mais armar o time, colocando em campo jogadores de péssimo desempenho e deixando no banco os de melhor técnica, e os dirigentes ainda elogiarem esse tipo de comportamento.

Já o Bahia parece que anda muito feliz com a simples permanência na segunda divisão, o que nega sob todos os aspectos a linda história de um clube vencedor e bicampeão nacional. Aí ficam alguns torcedores heróicos gritando por novos tempos, pedindo que devolvam o seu Esquadrão de Aço, exigindo dirigentes mais ousados, que encontrem os meios necessários para levantar receitas e investir em reforços de ponta.

Na verdade, o que não tenho sabido até agora é de um grupo de oposição realmente forte, com jeito de administradores de futebol, que realmente queira assumir o barco. Mas como estão dizendo que até o dia 1º de dezembro vamos ter grandes novidades, vale à pena esperar. Só que a sofrida torcida já anda farta de tanta falácia e nada de concreto.


Ainda bem que o Vitória parece mesmo seguro para continuar na primeira divisão (um matemático me apresentou tantos cálculos, que prefiro acreditar!) e o Bahia se segurou na Série B. Mas isso não invalida que os cartolas dos dois times reflitam bastante e tenham a humildade de ver que erraram muito nesta temporada.

O Vitória parece que dormiu na conquista da vaga para disputar a elite e abusou de cometer imprevidências e o Bahia continuou teimando em um projeto de vida superado, arcaico e sem futuro.

Vamos repensar todas as atitudes que devem ser saneadoras para 2009, porque precisamos de times fortes, competitivos, sem medo de enfrentar os rigores de suas competições.

Refletir e decidir, porque senão ano que vem vamos ter mais dramas e tragédias.