ATALHOS QUE MINIMIZAM
Torcedor de futebol é assim: mesmo nos momentos mais críticos, daqueles que parecem armadilhas sem saída, o fanático encontra sempre um atalho para minimizar a sua dolorida decepção. Na verdade, só os analistas incautos ou os que preferem fazer de conta para não magoar grandes torcidas, entram de corpo (mas sem alma nem convicção), neste tipo de jogada que acaba invariavelmente com chutes pela linha de fundo.
O Bahia vive há algum tempo esta agonia interminável. Todos os anos, sem recursos financeiros e capacidade criativa, seus dirigentes formam grupos de jogadores inexpressivos, mas bastam duas ou três vitórias para a galera passar a jurar, de joelhos nos chãos e mão juntas, que uma nova estrela será acrescentada à constelação tricolor.
Confesso que admiro muito a persistência dessa fiel torcida. Nem as oscilações das primeiras ou intermediárias rodadas tiram a força de sua fé, até que, ao começar a sentir a impotência de atingir os objetivos, então o melhor caminho são os atalhos críticos.
Os fracassos, só não esperados pelos que se alimentam com expectativas falsas, passam a ser explicados com acusações pesadas, como irresponsabilidade de jogadores, através de bebedeiras pelos bares da cidade, ou, ainda pior, a prática do corpo mole, por causa de atraso de salários e outras debilidades do clube.
Acho que essas denúncias são muito próprias de uma paixão desenfreada que gravita em todos os níveis, com grande repercussão entre os torcedores. Eu até não acho errado que a imprensa esteja sempre vigilante, mas há acusações que têm de ser filtradas para não atingir a profissionais corretos e que zelam pela sua conduta.
Acusar jogadores de barcas e noitadas tem sido uma prática já habitual em nosso futebol, toda vez que as coisas desandam. Parece um negócio mágico: ano passado, quando o tricolor esteve a pique de nem participar do octogonal da terceira divisão, foi uma fofocaria danada. Descobriram quem andava nos pagodes, nos bares e nos bordéis. Foi o Charles fazer aquele gol espírita e o ABC eliminar o concorrente direto pela vaga e todos, todos mesmo, voltaram a ser uns santos, cumpridores de seus deveres, não mais vistos nas fuzarcas da noite. Lembro-me que um torcedor ligou para um programa de rádio e deitou falação contra os delatores.
Agora, tudo se repete. E desta vez com os dois clubes. Porque tanto o Bahia está em fase lastimável, até ameaçado de voltar para a terceira divisão, quanto o Vitória, que parece garantido na primeira, mas que neste segundo turno tem comprometido a boa imagem construída na primeira fase. Tricolores e rubro-negros precisam se revitalizar, suas campanhas neste momento são pífias. Ainda resistem porque criaram alguma gordurinha, agora queimada a cada jogo, tal a incompetência de um futebol desencontrado e sem futuro.
O Bahia é mesmo um time desqualificado, de política muito mal planejada para enfrentar os rigores da Série B e o Vitória, que até tem um grupo de melhor qualidade, está mostrando a face (oculta no primeiro turno), de um técnico que insiste em competir com a maioria da torcida e da imprensa, escalando jogadores que já mostraram que não vão acrescentar nada, enquanto outros, tecnicamente melhores, nem no banco mais estão figurando.
Então, quem ainda não conseguiu superar as suas paixões, fica explicando derrotas por atalhos que podem minimizar a vergonha, mas que não trazem nenhuma solução.
O Bahia vive há algum tempo esta agonia interminável. Todos os anos, sem recursos financeiros e capacidade criativa, seus dirigentes formam grupos de jogadores inexpressivos, mas bastam duas ou três vitórias para a galera passar a jurar, de joelhos nos chãos e mão juntas, que uma nova estrela será acrescentada à constelação tricolor.
Confesso que admiro muito a persistência dessa fiel torcida. Nem as oscilações das primeiras ou intermediárias rodadas tiram a força de sua fé, até que, ao começar a sentir a impotência de atingir os objetivos, então o melhor caminho são os atalhos críticos.
Os fracassos, só não esperados pelos que se alimentam com expectativas falsas, passam a ser explicados com acusações pesadas, como irresponsabilidade de jogadores, através de bebedeiras pelos bares da cidade, ou, ainda pior, a prática do corpo mole, por causa de atraso de salários e outras debilidades do clube.
Acho que essas denúncias são muito próprias de uma paixão desenfreada que gravita em todos os níveis, com grande repercussão entre os torcedores. Eu até não acho errado que a imprensa esteja sempre vigilante, mas há acusações que têm de ser filtradas para não atingir a profissionais corretos e que zelam pela sua conduta.
Acusar jogadores de barcas e noitadas tem sido uma prática já habitual em nosso futebol, toda vez que as coisas desandam. Parece um negócio mágico: ano passado, quando o tricolor esteve a pique de nem participar do octogonal da terceira divisão, foi uma fofocaria danada. Descobriram quem andava nos pagodes, nos bares e nos bordéis. Foi o Charles fazer aquele gol espírita e o ABC eliminar o concorrente direto pela vaga e todos, todos mesmo, voltaram a ser uns santos, cumpridores de seus deveres, não mais vistos nas fuzarcas da noite. Lembro-me que um torcedor ligou para um programa de rádio e deitou falação contra os delatores.
Agora, tudo se repete. E desta vez com os dois clubes. Porque tanto o Bahia está em fase lastimável, até ameaçado de voltar para a terceira divisão, quanto o Vitória, que parece garantido na primeira, mas que neste segundo turno tem comprometido a boa imagem construída na primeira fase. Tricolores e rubro-negros precisam se revitalizar, suas campanhas neste momento são pífias. Ainda resistem porque criaram alguma gordurinha, agora queimada a cada jogo, tal a incompetência de um futebol desencontrado e sem futuro.
O Bahia é mesmo um time desqualificado, de política muito mal planejada para enfrentar os rigores da Série B e o Vitória, que até tem um grupo de melhor qualidade, está mostrando a face (oculta no primeiro turno), de um técnico que insiste em competir com a maioria da torcida e da imprensa, escalando jogadores que já mostraram que não vão acrescentar nada, enquanto outros, tecnicamente melhores, nem no banco mais estão figurando.
Então, quem ainda não conseguiu superar as suas paixões, fica explicando derrotas por atalhos que podem minimizar a vergonha, mas que não trazem nenhuma solução.