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A IMPORTÂNCIA DA DIVISÃO DE BASE

Na semana que se encerrou a Copa do Mundo da África do Sul - a grande campeã Espanha tem de agradecer ao modelo do Barcelona voltado para a revelação de ídolos em casa - se inicia em 12 cidades baianas a IV Copa 2 de Julho de Futebol Sub-17. Por que traçar esse paralelo entre o Mundial e uma competição de base? Simples: dona do maior número de sócios, além de um dos maiores orçamentos entre todos os clubes do planeta, a equipe catalã, ainda assim, aposta principalmente no seu celeiro de craques que deu aos espanhóis seis titulares nos campos africanos e alguns reservas decisivos, como Cesc Fábregas. Isso sem falar em destaques como o argentino Leonel Messi e o mexicano Giovanni dos Santos.


Hoje em dia o Barcelona serve como exemplo para todos os outros clubes do mundo em quase tudo. Desde o marketing preciso, passando por eleições diretas e democracia acima de tudo, finalizando pela escola de jogo ofensivo e bonito. O modelo foi comprovado no processo eleitoral rolado há aproximadamente um mês. Mesmo tendo ganhado tudo e deixado as finanças do clube lá em cima, Joan Laporta não conseguiu eleger seu candidato. Democracia é isso parceiro. Voltando para o trabalho na base, o Barça não aderiu ao conceito atual de que todo jogador precisa ser alto e forte. Pensamento já difundido na maioria dos clubes brasileiros. Lá, o foco é na qualidade técnica, não importa o tamanho.


Como os clubes vivem cercados de dívidas e os grandes jogadores a cada dia saem mais cedo e ganham mais, apostar na base é o caminho. Organizada pelo colega Sinval Vieira, a Copa 2 de Julho vai mostrar o nível da garotada abaixo de 17 anos. Até a Seleção Brasileira, que se prepara para o Sulamericano de 2011, vai participar. Além dela, Bahia, Vitória, Vasco, Flamengo, São Paulo, Cruzeiro, Goiás, Portuguesa, Náutico e Fortaleza, mandarão suas promessas para disputar o título da competição, que é muito interessante. O convidado internacional é o San Joaquim, da Colômbia. O torneiro poderia estar ainda mais recheado de grandes clubes não fosse um problema: o assédio. Empresários e outras agremiações costumam se aproveitar de copas como essa para levar as revelações dos rivais sem ônus. Por isso, o Boca Juniors da Argentina, por exemplo, refugou ao convite. Isso sem falar em clubes que atrelaram suas participações a ausência de times conhecidos pelas “pilhagens”. Irritado com alguns “furtos” o presidente do Vitória, Alexi Portela, ameaçou até acabar com a categoria Sub-15 – contratos profissionais só podem ser assinados a partir de 16 anos.


Já que estamos em campanha para a Copa de 2014 e todos os olhos estarão voltados para o Brasil, talvez seja à hora de mudarem a legislação e proteger os clubes que começam a formar os futuros ídolos desde os 8, 9 anos de idade.  É duro você investir tempo e dinheiro para aparecer alguém e, sem ressarcimento algum e com a Lei Pelé embaixo do braço, levar seu jogador. Mas são pedras que não podem desviar do caminho de ser um clube formador. Por que, aqui para nós, é mais fácil formar Jorge Wagner, Daniel Alves, Cícero, Dudu Cearense, David Luiz e Marcelo Moreno, do que contratá-los.