CHEGA DE DESCULPAS
Sexta, oito horas, resolvo passar na casa lotérica para sacar uns caraminguás e fazer mais uma fezinha e lá encontro como sempre tricolores e rubro-negros, todos cheios de desculpas e soluções para as campanhas de seus times.
Ainda bem que gente velha, já com o atestado de validade vencendo tem a primazia de ser atendido logo – já me disseram que é medo que algum deles empacote. Aliás, tem vez que é melhor a gente enfrentar a fila dos frangotes, porque tem companheiro aposentado que é uma verdadeira masturbação para dizer o que quer. Há deles que ao chegarem no caixa tira papel de tudo que é bolso, porque já esqueceu a senha; outros, além de seus problemas de senilidade, ainda levam os dramas do vizinho da esquerda e da direita, do primo que não pode sair, da irmã que ficou dormindo e da mulher que ficou fazendo o café.
Mas como eu ia dizendo, antes mesmo de chegar ao caixa, dois jovens rubro-negros, Daniela e Márcio Portela, foram logo dizendo que se o Anderson Martins não tivesse sido expulso, o Vitória teria ganhado do Botafogo, no Engenhão, com sobras e alguma coisa mais.
- Viu só, até o árbitro capixaba expulsar o nosso zagueiro, o Leão era absoluto, exemplar, uma beleza. Deu isso até na Internet – disse Márcio.
-Mas acho também – completou Daniela -, que o Mancini não escalou o time certo, tinha que levar o Carlos Alberto para atacar em massa logo no início do jogo, fazer o placar e jogar um segundo tempo mais tranqüilo, mesmo com o miserável do juiz expulsando um dos nossos.
Não tive nem tempo de concordar ou não e logo apareceu o dono da casa lotérica, seu Carlão, tricolor até a medula, mostrando que se o Bahia tivesse contratado Ferdinando Ferreira desde o início da Série B, não tinha Corinthians nenhum que estivesse na liderança.
- Véio, eu li sua crônica do site. Corretíssima. O Ferdinando é um cara muito maneiro, apesar de já beirar os 60. Fala com categoria, diz o que o jogador quer e a torcida entende.
De repente um apostador, que estava no final da fila, gritou “mas ainda creio no Bahia, vai ganhar todas e os seus adversários vão levar ferro e vamos comemorar a vaga!”
- Você acha que é possível o Vitória chegar entre os quatro e o Bahia ainda alcançar a vaga? – perguntou-me a mulher do dono da casa lotérica, parecendo mais ecumênica, achando que é bom para o futebol baiano que os dois alcancem os seus objetivos.
- Bem, eu acho...
- Você não acha nada, o mal é que tudo que é cronista sempre entende que os seus conceitos são os mais coerentes! - intrometeu-se um jovem mancebo, que por sinal parecia neutro, pois ostentava uma vistosa camisa do São Paulo FC.
- Calma, meu rapaz, não precisa me agredir, não! – pilheriei, para sair de fininho, sem provocar qualquer discussão, apesar de todos eles terem mostrado certo respeito e algum carinho pelo vovô-comentarista.
Já fora da lotérica, quase entrando no carro, ouvi alguém dizer uma última alternativa, que até concordo plenamente:
- Chega de desculpas, todo ano é um rosário de justificativas, a cada derrota ou a cada resultado imprevisto.
E acabou até falando o que não me deixaram falar:
- Cair eles não caem, mas vão ficar transitando a faixa intermediária de seus campeonatos, até o fim.
Ainda bem que gente velha, já com o atestado de validade vencendo tem a primazia de ser atendido logo – já me disseram que é medo que algum deles empacote. Aliás, tem vez que é melhor a gente enfrentar a fila dos frangotes, porque tem companheiro aposentado que é uma verdadeira masturbação para dizer o que quer. Há deles que ao chegarem no caixa tira papel de tudo que é bolso, porque já esqueceu a senha; outros, além de seus problemas de senilidade, ainda levam os dramas do vizinho da esquerda e da direita, do primo que não pode sair, da irmã que ficou dormindo e da mulher que ficou fazendo o café.
Mas como eu ia dizendo, antes mesmo de chegar ao caixa, dois jovens rubro-negros, Daniela e Márcio Portela, foram logo dizendo que se o Anderson Martins não tivesse sido expulso, o Vitória teria ganhado do Botafogo, no Engenhão, com sobras e alguma coisa mais.
- Viu só, até o árbitro capixaba expulsar o nosso zagueiro, o Leão era absoluto, exemplar, uma beleza. Deu isso até na Internet – disse Márcio.
-Mas acho também – completou Daniela -, que o Mancini não escalou o time certo, tinha que levar o Carlos Alberto para atacar em massa logo no início do jogo, fazer o placar e jogar um segundo tempo mais tranqüilo, mesmo com o miserável do juiz expulsando um dos nossos.
Não tive nem tempo de concordar ou não e logo apareceu o dono da casa lotérica, seu Carlão, tricolor até a medula, mostrando que se o Bahia tivesse contratado Ferdinando Ferreira desde o início da Série B, não tinha Corinthians nenhum que estivesse na liderança.
- Véio, eu li sua crônica do site. Corretíssima. O Ferdinando é um cara muito maneiro, apesar de já beirar os 60. Fala com categoria, diz o que o jogador quer e a torcida entende.
De repente um apostador, que estava no final da fila, gritou “mas ainda creio no Bahia, vai ganhar todas e os seus adversários vão levar ferro e vamos comemorar a vaga!”
- Você acha que é possível o Vitória chegar entre os quatro e o Bahia ainda alcançar a vaga? – perguntou-me a mulher do dono da casa lotérica, parecendo mais ecumênica, achando que é bom para o futebol baiano que os dois alcancem os seus objetivos.
- Bem, eu acho...
- Você não acha nada, o mal é que tudo que é cronista sempre entende que os seus conceitos são os mais coerentes! - intrometeu-se um jovem mancebo, que por sinal parecia neutro, pois ostentava uma vistosa camisa do São Paulo FC.
- Calma, meu rapaz, não precisa me agredir, não! – pilheriei, para sair de fininho, sem provocar qualquer discussão, apesar de todos eles terem mostrado certo respeito e algum carinho pelo vovô-comentarista.
Já fora da lotérica, quase entrando no carro, ouvi alguém dizer uma última alternativa, que até concordo plenamente:
- Chega de desculpas, todo ano é um rosário de justificativas, a cada derrota ou a cada resultado imprevisto.
E acabou até falando o que não me deixaram falar:
- Cair eles não caem, mas vão ficar transitando a faixa intermediária de seus campeonatos, até o fim.