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MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

Coincidência ou não e exageros à parte, o Bahia de Ferdinando Teixeira teve um comportamento bem diferente do que vinha apresentando no campeonato. Foi menos estressado, sem aquele medo de errar tudo e perder o jogo.
Todos sabemos que o time tricolor não é compatível com as tradições do clube nem os anseios de sua torcida. Que houve grandes equívocos nas contratações de jogadores, de técnicos e na metodologia de trabalho. E que, a esta altura, só mesmo um desses milagres de merecer santificação para o Bahia se classificar. Os matemáticos mais otimistas estão dando negócio de 1% de possibilidades.
Mas a vitória sobre o vice-líder Vila Nova, sem chegar a ser um show de bola, foi uma demonstração de empenho e convicção de que poderia ganhar. O jogo, se ainda estivesse sendo jogado, continuaria em aberto, porque o Vila não é uma equipe fácil, mas seguramente o tricolor estaria lutando por um triunfo, com amplas possibilidades de alcançá-lo, como acabou acontecendo neste 3x2 da terça-feira.
Não é que o novo técnico tenha dado aula de escalação nem exemplos de como se substituir ao longo da partida, mas antes, durante e depois do jogo foi claro sentir-se o hálito de sua filosofia de trabalho, da sua voz firme de comando, sem precisar gritar, dar pulos à beira do gramado ou xingar comandados, árbitros ou torcedores.
Ferdinando, para quem nunca o tinha visto trabalhar antes, deixou uma ótima impressão, principalmente quando, antes e depois do jogo, disse que o menos importante nesta sua estréia era mostrar que conhecia de estratégia futebolística, mas que o seu maior zelo esteve sempre em remotivar os jogadores, mostrando-lhes que eles não são tão ruins assim, que existem grupos de menor expressão fazendo campanha de maior realce. Porque é preciso acreditar no que se faz, é fundamental não ter medo de errar, é importante persistir na busca do acerto. Falou esses princípios sem afetação, sem voz alterada ou gesticulação exagerada, mas como um velho-moço que não se farta em perseguir o sucesso pelos caminhos simples de uma experiência de vida e de futebol.
Quando o Bahia levou o gol de Túlio, logo no início de jogo, houve uma ansiedade muito grande entre os poucos torcedores presentes, mas o time soube absorver o golpe, deixou de perder tantos passes e passou a tocar com rapidez e boa movimentação. Aí veio a virada nos três gols, dois do artilheiro Marcelo Ramos, um deles de linda feitura e que certamente foi muito importante para mostrar que o triunfo seria consolidado.
Não se pode dizer que o tricolor tenha terminado o jogo com supremacia em campo, pois foi empurrado pelo adversário, mas teve forças para não voltar a cair na trágica sina de mais um empate em Feira de Santana. Portanto, mereceu ganhar, porque seu esforço foi grande e a superação de velhos problemas parece ser possível a partir de agora.
Difícil é já se ouvir comentários de que, agora, é só ganhar sete dos próximos jogos, que a classificação será certa. Acho mais prudente considerar-se que o fantasma do rebaixamento está sendo banido, porque a vaga para a divisão especial, diante do quadro que se apresenta a apenas oito rodadas para a Série B terminar, tem que ser aguardada com a mesma serenidade que o novo treinador está começando a implantar no time.
Para não se gerar novas expectativas muito distantes da realidade. Porque ainda faltam adversários perigosos, aqui e fora, como Corinthians, São Caetano, Bragantino, Ponte Preta...