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NOVO COMANDANTE

Confirmada a saída de Dunga – pagou pelas suas escolhas -, as especulações em torno do nome do novo treinador da Seleção Brasileira não param. Particularmente, ando meio cético com relação à qualidade e os métodos dos comandantes brasileiros. Estão com trabalhos a cada dia mais comuns e centralizadores. Para piorar, a maioria se acha mais importante do que qualquer outra parte do futebol. Sem falar nos salários milionários que chegam a ser constrangedores. Felipão, por exemplo, vai ganhar R$ 700 mil por mês no Palmeiras. O dinheiro deve crescer no jardim, não é possível!


Na verdade, minha crítica não é apenas aos brasileiros. No mundo todo, os treinadores ficaram importantes demais, para soluções de menos. Treinador bom é o que faz o feijão com arroz de acordo com as características dos jogadores que têm a disposição. Eles mais atrapalharam do que ajudam. Apesar de toda ciência envolvida, quem ainda decide e são os donos do espetáculo são os jogadores. Não quero, assim, tirar a importância dos treinadores: longe disso! Não é fácil lidar com a pressão absurda das grandes torcidas e com o ego desequilibrado dos seus comandados.


Os nomes que surgiram para substituir Dunga não me causaram surpresa. Na teoria, é o que se tem de melhor atualmente. Não consigo me empolgar com nenhum deles. Nem mesmo Felipão, que admiro desde a época do Grêmio. Ele, assim como Dunga e Renato Gaúcho, por exemplo, focam seu trabalho no psicológico. Não existem variações táticas ou jogadas diferentes, as chamadas ensaiadas. É sempre a mesma coisa, mas eles conseguem arrancar o melhor dos seus comandados, o que, em muitos casos, com jogadores diferenciados a disposição, se torna o suficiente para o sucesso. Pode ser o caminho. Mano Menezes e Muricy Ramalho também têm estilos que não me agradam, apesar de reconhecer seus muitos méritos. Leonardo é uma incógnita. Acompanhei vários jogos do Milan durante a temporada e gostei do sistema utilizado por ele, mas os resultados não chegaram e me pareceu escravo das veteranas e cansadas estrelas.


Não sou puritano como muitos que acham à maior das ofensas a contratação de um treinador estrangeiro. Não é complexo vira lata: acho apenas que atualmente o nível nacional é baixo. Como a vinda de um gringo é uma utopia, nem vou me aprofundar. O nome que mais me agrada é o de Dorival Júnior. Quem viu o Vasco jogando ano passado com três volantes e uma postura defensiva, jamais imaginaria que o mesmo treinador, na temporada seguinte, mandaria a campo um time (Santos) com um único jogador de marcação, mas, mesmo assim, com características de sair para o jogo (Arouca). Vem encantando o Brasil. Como Felipão parece que não vai aceitar, Dorival seria, para mim, o nome ideal para comandar a Seleção no período, talvez, mais importante e pressionado de sua história. É experiente, maleável, sabe lidar com estrelas e gosta de trabalhar com a garotada. Resta saber se agüentaria a pressão.