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GOLS QUE FAZEM FALTA

 O Bahia teve um ótimo segundo tempo contra o Criciúma, ganhou de 2-0 e até animou a torcida de que pode revitalizar a possibilidade de alcançar o G-4. Mas é preciso manter a pegada nestes três próximos jogos, um lá fora nesta terça-feira, contra o Paraná, dois em Feira diante do Ceará e do Juventude. 
 O Vitória, enfim, se reabilitou, jogando um bom futebol, mas acabou só vencendo o Coritiba pelo magro 1x0, quando poderia ter aplicado uma solene goleada nos paranaenses. Agora tem jogos difíceis pela frente, contra o Inter e o Goiás fora de casa, depois diante do atual lanterna Portuguesa de Desportos, mas o rubro-negro tem a mania de dar oxigênio a quem está morrendo no campeonato.
 Não há jogo fácil, principalmente a partir de agora quando realmente as coisas começam a se definir, pois já não há mais tempo de ficar olhando a banda passar. Nossos times, em suas divisões, ganharam apenas uma casa, com o Bahia subindo para o nono e o Vitória para o sétimo lugar. Só que o tricolor ainda está muito distante dos quatro melhores, pois oito pontos o separam do Santo André (35 contra 43), e ainda tem que superar quatro outros adversários (Juventude, Ponte Preta, Bragantino e Barueri) para chegar à zona de disputa real pela vaga à elite. O Corinthians (54 pontos), já me parece só está agora tentando garantir o título, Avaí (45) e Vila Nova (44), estão muito bem encaminhados. Já o Vitória continua beirando a faixa da felicidade, porque agora tem 40 pontos e o quarto colocado, o Botafogo, só tem 42, dois a mais, igual pontuação do São Paulo, que está em quinto por causa dos critérios de desempate. Disputar o título é muito difícil, porque o líder Grêmio tem 49. nove pontos e duas vitórias a mais que o time da Toca.
 Acho que essas três próximas rodadas vão mostrar as verdadeiras intenções de nossas equipes: o Bahia tem mais chances de somar nove ou seis pontos, porque pelo menos nos dois jogos de Feira já pode ser considerado favorito, contra Ceará e Juventude. Afinal, depois de um primeiro tempo morno, jogou um futebol em alta temperatura na segunda etapa, ganhando de 2-0 do Criciúma, merecendo muito mais, porque partiu pra cima, criou ótimas chances, foi absoluto, com os meninos Ávine e Paulo Roberto e os rodados Caio e Jones sendo os destaques do jogo. Eu até entendo que o segundo tempo tricolor foi o de seu melhor futebol no campeonato. Jogou sem medo de errar, sem a síndrome de uma responsabilidade exagerada, jogou com vontade, garra, alegria e técnica. O problema é que os sábios matemáticos da bola continuam afirmando que as chances de se classificar entre os quatro continuam remotas, negócio de dois ou três por cento. Mas enquanto há vida, é preciso não desanimar.
 A única receita para o Bahia leva três ingredientes indispensáveis: apoio logístico dos dirigentes (pagar salários atrasados e motivar os jogadores), fazer de Feira a sua verdadeira casa (voltar a treinar no Jóia da Princesa e se agregar a todos os segmentos da cidade) e evitar ficar fazendo palestras de que agora é necessário ganhar mais nove jogos nos 14 que restam. É só mentalizar qu está na briga, sem exigências, mas com a firmeza de um time que realmente pretende voltar a ser vitorioso.  
 Já o Vitória tem que meter na cabeça que a sua meta principal neste momento é a de conquistar uma vaga para a Copa Libertadores. O que não pode é se comportar como time pequeno lá fora, nestes jogos contra Inter e Goiás, como fez na derrota de 2-0 em Santos, quando respeitou tanto o time da Vila que deu raiva ao mais paciente torcedor. Tem que voltar a jogar mordendo como fez contra Flamengo, Fluminense, Grêmio e Palmeiras. Perdeu três destes jogos, mas deixou a impressão de time aguerrido, de espírito forte, de quem leva para campo o objetivo do sucesso.
 Esta vitória de 1-0 sobre o Coritiba, neste domingo, foi tão magra que a torcida saiu do estádio pensando que o jogo não havia acabado. Perdeu um rosário de gols. Chances de tudo que foi jeito. Leandro Domingues, que todos fizemos força para ser titular, deixou de marcar uns três gols, Rafael um outro e Marco Antônio dois.
O problema do Vitória continua sendo a falta de um goleador nato, desde que Dinei foi embora. Osmar entrou em campo e quase ninguém o viu. Bons mesmos foram Vanderson, outra vez o melhor campo, os laterais Rafael e Marcelo Cordeiro, que até foram questionados antes do jogo e o goleiro Viáfara, que sempre responde de forma positiva toda vez que o seu time está em dificuldades.
Tanto Bahia quanto Vitória poderiam ter vencido com mais folga, porque esses gols perdidos acabam fazendo muita falta na hora final.