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QUASE GOL

Viram o que eu disse? O Vitória agora não tem um atacante matador, igual a Dinei, e há alguns jogos, exceto o de Florianópolis, contra o Figueirense, está ficando no “quase gol”. Mesmo jogando um péssimo primeiro tempo e errando muitos passes no jogo todo, até que criou umas quatro ótimas oportunidades contra o Santos e os seus atuais atacantes, mesmo de dentro da área, ou cabecearam em condições do goleiro fazer defesas tranqüilas ou chutaram para fora. Ficaram no “se” e no “quase”.
O que mais desilude o torcedor é que o Santos atual não é um bom time; teve, também, vários erros de marcação, de construção de jogadas e só criou três chances reais, mas duas delas caíram justamente nos pés de um matador nato, o Cléber Pereira. E aí, saco. É isso que está faltando ao Vitória: Rodrigão anda em fase de vacas magras e o argentino Tripodi ainda em tempos de novilhas. Porque só luta, correndo de um lado pro outro, sem qualquer tipo de rendimento positivo. Nem fede nem cheira.
Ou Jorginho contrata logo um atacante-matador ou o nosso bicampeão tem mais é que se contentar em acabar entre os 10 – ou até mesmo só permanecer na divisão de elite, porque pode ficar distante a Libertadores e a Sul-Americana. Outra coisa: jogar fora de casa com um início tão respeitador como o deste jogo da Vila é o mesmo que derrota anunciada. O torcedor até que se conforma quando o seu time perde, mas jogando pra cima, mordendo, valente, sem medo de mostrar a cara. Esse negócio de se apequenar é coisa de time sem futuro.
A propósito, um, conselho ao presidente Jorginho Sampaio, cuja administração tem sido eficiente, mas que precisa de um alerta sobre contratações: trazer jogadores que ainda necessitam de passar pelo departamento médico, que estão encostados em seus times por causa de contusões só dá em maiores problemas. Portanto, o que se estima é que o atacante goleador que está sendo prometido venha em condições de descer no aeroporto, chegar à Toca e vestir a camisa nove.
Esta derrota de 2x0 contra o fraco Santos, que nem em seu legendário estádio representa mais uma força, foi fruto de incompetência de um adversário, cujos jogadores tiveram pais e tios que colecionaram muitas figurinhas do famoso alvinegro da Vila, ainda com Pelé e Coutinho posando na dupla de ataque. Deram moleza de mais.
Mas ainda me valendo do “se” e do “quase”, sobre o bafafá do Barradão, acho que o ambiente chegou a um ponto que vai ser mesmo difícil o Bahia realizar qualquer jogo da Série B por lá. De certo modo, até concordo que o tricolor tenha motivos para querer alguma pontinha da empresa estatal de petróleo, que está fechando um contrato muito bom de patrocínio com o Vitória. Só que esses recursos têm que ser conquistados com conversa e um projeto, nunca pelo assistencialismo, pela tradição ou pelas glórias do passado. Cada instituição ou pessoa consegue o que merece pela visibilidade, pela competência e por saber aproveitar as ocasiões.
Este é um momento mais favorável ao Vitória – e o Bahia tem que conquistar os seus dividendos não pelas queixas e reclamações, mas construindo um novo projeto de vida, que a permanente inércia se encarregou de negar.
A continuarem essas discussões histéricas e estéreis, o que vai acabar acontecendo é a empresa estatal se afastando de qualquer negociação – e aí vamos aumentar o rosário de exemplos do “quase” e do “se”, porque o momento exige uma visão de maioridade empresarial, nunca de brigas nem desesperadas atitudes amadoras.
O Bahia precisa do Barradão, sim – e tem que enfrentar o problema com altivez, sem qualquer tipo de autoflagelamento; o Vitória deve alugar o seu equipamento, sim – sem qualquer sintoma de ajuda ou vingança.
Porque o tal do futebol-empresa só pode ser concretizado com seriedade e profissionalismo.