O "SE" E O "QUASE"
Estou convicto de que se os estudiosos da Morfologia pudessem antever o nosso futebol-2008 certamente não teriam que queimar as pestanas qualificando as palavras “se” e “quase” em classes gramaticais diferentes. Em lugar de agrupar o “se” como conjunção condicional e o “quase” como advérbio, simplificariam logo para: quase e se = futebol baiano.
Então, em lugar de perderem o seu precioso tempo em estudar essas palavras, apresentavam logo um caminhão de exemplos que definem muito bem as campanhas de Vitória, Bahia, Itabuna e Conquista nos Brasileiros das classes A, B e C. Vejam se não estou literalmente certo?
Se o Vitória tivesse vencido os seus dois últimos jogos em casa, contra Sport e Ipatinga, estaria agora com 41 pontos e 13 vitórias, em terceiro lugar da Série A, só abaixo de Grêmio (48) e Palmeiras (43 pontos). Neste jogo do sábado, o rubro-negro quase ganhou do fraquíssimo e lanterna Ipatinga, mas jogou tão abaixo do que se esperava que teve de se contentar com um melancólico 0x0, em pleno Barradão. E depois, empacado em sexo lugar com 37 pontos, viu os seus rivais diretos Botafogo, Flamengo, Coritiba e São Paulo empatarem.
Se o Bahia tivesse feito o dever de casa, na sexta-feira, contra o Santo André, é certo que não estaria ainda entre os quatro classificáveis para o futebol de elite, mas bem perto deles. Só que deu uma bobeira infeliz, foi humilhado caindo de quatro e despencou para o décimo lugar, com 32 pontos. Pior de tudo é que, agora, está a 16 pontos do líder Corinthians (48 pontos) e oito para o quarto colocado Santo André (40), mais distante ainda do terceiro (Vila Nova, 41) e do segundo (Avaí, 42). Na sexta à noite, quase deu a impressão de realmente haver se reabilitado no jogo anterior (3x0 América/RN), mas contra os paulistas, voltou a sair na frente e negar fogo depois, como quem quisesse dizer que realmente não tem mais jeito.
O que mais preocupa não é a derrota deste jogo, mas a distância que começa a separar o nosso glorioso campeão brasileiro dos que estão na vanguarda: contra o Corinthians, tirar a diferença de 16 pontos, só mesmo na cabeça de Binha de São Caetano, que ainda jura que o tricolor será campeão da sua Série. Já está ficando uma batalha quase de maratonista correr atrás do próprio Santo André, que é quarto e tem uma frente de oito pontos.
Se o Vitória da Conquista tivesse sido mais previdente – porque perdeu vários de seus jogadores do belo Estadual que fez -, teria cumprido uma campanha mais condizente com as expectativas e já não estaria eliminado, faltando apenas uma rodada na segunda fase e com apenas quatro pontos conquistados. Quase chega, a contar pela boa primeira fase que fez.
Neste momento, só faltando os jogos Conquista x Confiança (Lomanto Júnior) e Asa X Itabuna (Arapiraca), programados para o próximo sábado, 06/09, o Confiança já tem uma vaga, com 10 pontos, Asa e Itabuna, com sete pontos, se digladiam pela outra. Pior de tudo é que o empate classifica o time alagoano e o Itabuna vai ficar no quase, com sua torcida lamentando e os dirigentes tendo que guardar as camisas na naftalina.
De todos, a situação menos desconfortável é a do Vitória, situado freqüentemente entre os oito melhores da Série A desde que o campeonato começou. Está complicado o rubro-negro voltar logo a integrar o G-4, mesmo distante apenas dois pontos do Botafogo, que é o quarto. Afinal, os dois próximos jogos do Vitória serão duas pedreiras: o necessitado e sempre tradicional Santos, quarta-feira, na Vila Belmiro e depois o forte Coritiba, no Barradão. Já o Bota, que enfrenta o Coritiba neste meio de semana, no Couto Pereira, depois tem o atualmente inconstante Inter, no Rio. Mas ainda tem que ultrapassar o sempre poderoso São Paulo e em os perseguidores Flamengo e Coritiba, que podem perfeitamente conquistar seis pontos nas duas próximas rodadas. Então, o time de Wagner Mancini tem que negar refresco e caldo nestas próximas partidas, sob pena de despencar na classificação.
Viram como estamos embaraçados no “se” e no “quase”? Aliás, permitam-me dar outras classificações para essas palavras: se e quase são a fronteira entre a verdade e a mentira.
Ou melhor: o se e o quase são aquilo que a gente gostaria de acontecer, mas não tem acontecido.