DESGOSTO
Terminada de maneira frustrante a participação brasileira na Copa do Mundo da África do Sul, vale à pena fazer uma analise dos motivos. Exercício do final de semana de todos os brasileiros é apontar, sem dó, os culpados. Não teria como ser diferente. Esse balanço precisa ser feito. Acredito que Dunga entrou muito “psico” em acabar com o clima de oba oba da Copa de 2006. Exagerou. Tinha que ter um meio termo. Nem tanto, nem tampouco. Não sei se foi apenas uma impressão minha, mas os caras estavam completamente descontrolados e pressionados: sem a natural alegria de jogar tipicamente brasileira, não apenas pelo esquema tático cauteloso.
Indo direto para o jogo contra a Holanda, tudo que havia sido avisado e temido, aconteceu. Sem poder contar com os apenas razoáveis Elano e Ramires, acabou qualquer possibilidade de mudanças durante a partida. Não tinham opções por única e exclusiva “coerência” do treinador. Ficaram de fora da lista de Dunga jogadores que formariam uma forte Seleção que seria, no mínimo, uma candidata ao título. Vejam se estou errado: Fábio; Rafael, Alex, David Luiz e Marcelo; Sandro, Hernanes, Paulo Henrique Ganso e Ronaldinho Gaúcho; Neymar e Adriano. Sem citar outra dezena de nomes. Não que eu queira adivinhar o pensamento de ninguém, mas duvido que o raivoso comandante não tenha olhado para o banco, visto Gilberto, Kléberson, Júlio Baptista, Josué e Grafite e se arrependido. Só Nilmar era uma alternativa válida, mas entrou no lugar de Luis Fabiano e virou mais um, perdido em meio aos zagueiros holandeses. Com um a menos, piorou ainda mais.
Agora chegamos ao ponto: Felipe Melo. Em minha opinião, o responsável pelos maiores erros foi Dunga. Agora, o 2x1 de virada para a Holanda não tem como não ser atribuído, principalmente, ao volante brucutu. Um gol contra, uma falha infantil de posicionamento – ele estava marcando Sneijder no escanteio do segundo gol, e largou o adversário para ficar de olho na bola – e a expulsão, que, como nomeou com muita precisão o técnico holandês, “vergonhosa”. Acho uma covardia tirar um jogador para Cristo desse jeito, mas são os fatos. Não se trata de uma “Era Felipe Melo”, como aconteceu com Dunga. Porém, ele falhou diretamente nos dois gols e, ainda, minou qualquer possibilidade de reação com o pisão em Robben. O desgosto fica ainda maior, quando vem a imagem o passe genial para o gol de Robinho. Por que então, simplesmente, não se concentra apenas em jogar?
Não nego para ninguém que sou patriota. Fiquei muito triste, por que, além de ver um Brasil diferente, desesperado e sem a alma brasileira, perdemos para uma Seleção apenas razoável. O futebol é assim, claro, mas fica a sensação de que não foi feito o necessário. Ver a pragmática Alemanha jogar com dois laterais apoiadores, dois meias como volantes e três meias atacantes encostando no centroavante, levanta questionamentos. Será, realmente, que existe a necessidade de ter “cães de guarda” para proteger a defesa? Por que eles podem e o Brasil não? Não é ser arrogante e achar que somos sempre os melhores, mas esse conceito precisa ser quebrado. Fica a lição para 2014. Que o próximo treinador consiga mesclar os méritos de 2006 com os de 2010 e que, com os erros dos fracassos nos dois últimos mundiais expostos, saiba fazer a Seleção demonstrar o futebol que lhe tornou a mais famosa e importante do mundo. Talento para isso, terá de sobra.