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COVARDE E IRRESPONSÁVEL

Vamos logo fazer um trato para não ficar queimando muito o juízo: A seleção dos argentinos é bem superior à nossa. Tem craques jogando como craques, técnico comandando como técnico, passa por uma safra de melhores valores.

Não sei se Dunga tivesse contado com Kaká e Robinho a nossa sorte teria sido diferente. Porque temos um treinador omisso, sem inventiva, sem criatividade, covarde. Além de não ter sabido convocar os melhores e escalar o time, cometeu erros terríveis: mandou a equipe respeitar muito os argentinos, só fez alterações quando tudo já estava perdido – e, por cima, com aquela sacolinha a tiracolo, parecendo um adolescente extasiado pela fama, nem gritou para que os nossos rapazes perdessem com dignidade e espírito olímpico.

Agora, depois do chocolate técnico-tático, vai ser difícil até conquistar o bronze contra os belgas, porque terminamos o jogo desta terça-feira de forma lastimável, jogadores apavorados, dando botinadas, sem saber o que fazer em campo.

De tudo, ficou a ótima lição de que é preciso mudar o comando da Seleção sob pena de sequer conseguirmos a vaga para a Copa da África do Sul. Jogar sob a expectativa do talento de alguns já não parece mais uma arma muito concreta. A Argentina, além da indiscutível capacidade de Messi, Riquelme e seus companheiros, tem um jeito afinado de jogar. Com toques precisos, defesa, meio-campo e ataque ajustados, chegando para golear pelos caminhos legais do futebol entrosado.

Nossa equipe tem futebol previsível e limitado, jogadores que pensam que são craques e um técnico que não passa a menor confiança, tanto para os seus comandados, muito menos para nós, pobres torcedores que ficamos na expectativa de milagres.

Vamos fazer uma comparação com a seleção feminina? Pode até não ser campeã nesta quinta-feira, o que acho muito difícil, porque tem espírito olímpico, porque tem jogadoras como Marta, Formiga, Daniela e Cristiane jogam como craques, assumem o jogo, mostram amor à camisa. E o técnico Jorge Barcellos tem o grupo nas mãos, sabe fazer alterações no time e na forma de jogar.

No jogo contra a Alemanha, mesmo quando ficou em desvantagem, as meninas mostraram brios, tiveram uma postura de time grande, de seleção vencedora. Foi por isso que chegou àquela virada espetacular de 4x1. Já no jogo contra a Argentina, nossos rapazes estiveram sempre pisando em falso, mesmo no primeiro tempo, quando aquele empate sem gols não era justo, pois os argentinos sempre mostraram uma cadência mais aprumada, de quem tinha talento suficiente para mudar a história da partida.

Leio agora no jornal portenho Clarin On-Line, com profunda mágoa, mas inquestionável resignação que eles não apenas ganharam de 3x0, mas humilharam a Seleção Brasileira, com a afirmação de que foi o maior feito deles contra nós nestes dez últimos anos.

Não há o que negar. Foram melhores, jogaram como campeões, levaram o jogo ao seu jeito. E só nos resta o consolo de saber que, também, foi o nosso pior jogo dos últimos dez anos contras os argentinos.

E ainda tem gente que fica lembrando que, nas três batalhas anteriores, Dunga ganhou duas de 3x0 e empatou a outra, por 0x0. Mas o que marca mesmo é que esta derrota acaba com o nosso sonho de uma medalha de ouro no futebol masculino.

Nosso time jogou de forma covarde e deixou uma grande imagem de irresponsabilidade olímpica.