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QUE MOLE, RAMIRES!

A atuação do Brasil contra o Chile me alegrou muito, principalmente em decorrência de ter funcionado o que essa Seleção tem de pior: o meio de campo. As presenças de Ramires e Daniel Alves deixaram o time mais leve e, por incrível que pareça, com mais pegada. Felipe Melo e Elano são lentos e não recompõem tão bem a marcação como seus substitutos mais ofensivos. Uma pena a infantilidade de Ramires. Aquele cartão amarelo foi um duro golpe. Até o “coerente” Dunga percebeu que o time tinha se encontrado com aquela formação. Como parece que Felipe Melo não vai se recuperar a tempo, o escolhido ficará entre Josué e Kléberson. Nesse caso, prefiro o segundo. Será que a desenvoltura mais leve da equipe muda a cabeça do capitão do tetra?


Pelo sim, pelo não, falta agora Kaká, Robinho e Luis Fabiano fazerem o que se espera deles, por que o resto parece que encaixou. O “Fabuloso” é o que tem ido melhor, mas ainda precisa de um algo mais. Conhecido como bom moço, Kaká tem se destacado negativamente com um lado brucutu até então desconhecido. Já Robinho, apesar de ter sido eleito o melhor em campo pela FIFA e ter marcado um gol, mais se atrapalhou com a Jabulani do que resolveu. O hexacampeonato passa pela inspiração do trio. Como são craques, nos momentos que tiveram alguma lucidez resolveram os jogos. Contra Costa do Marfim e Chile foi assim. É um mérito, mas Lúcio não pode ser o responsável por organizar os ataques. Tem que ser um elemento surpresa e não a solução. O capitão, pra mim, tem sido não apenas o melhor zagueiro da Copa, como o melhor jogador da competição. Um monstro! Marca, luta, lidera, se posiciona bem por cima e por baixo, é rápido e ainda dá arrancadas que quebram a marcação adversária. Tem colocado todo mundo no bolso.


Nas quartas de final, a Holanda é perigosa, mas não chega a assustar. Têm dois jogadores diferenciados, Sneijder e Robben. Aliás, o que mais preocupa para o duelo é o segundo. Ele explora muito a ponta direita nas costas do lateral adversário, cortando para o meio. Essa é uma deficiência do deslocado Michel Bastos, que tem feito uma Copa apagada. Uma solução seria a entrada do experiente Gilberto em seu lugar. Marca melhor e tem mais intimidade com a posição. Michel, há anos, vem atuando como meia ou atacante no futebol francês, pelo lado direito ainda por cima. Mas o Brasil tem muito mais deficiências holandesas para explorar. Os laterais e todo o sistema defensivo são fracos. A atual Holanda é forte, mas está longe de ser a Laranja Mecânica de outros tempos. Aposto na força coletiva do time de Dunga.