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A SORTE DE MANCINI

Para tudo na vida é preciso ter sorte. O sujeito sem sorte se sai de casa, pode ser assaltado ou atropelado; se fica, o teto pode lhe cair sobre a cabeça. Aliás, nos tempos atuais, só volta pra casa, depois de um dia suado de trabalho, quem tem sorte, porque a bandidagem assumiu tamanha proporção que ir comprar pão na padaria da esquina, virou uma viagem de grande perigo. No futebol, costuma-se dizer que um time nem sempre precisa jogar bem, porque tendo uma boa dose de sorte, pode perfeitamente conquistar vitórias e até ser campeão. O Vitória, que os adversários chamavam de azarado, foi campeão baiano quando já estava com o título perdido. Mas, também, tem sido o nosso clube mais profissional e de trabalho mais sólido em todos os seus departamentos e, por isso, tem se valido ao adágio de que “quem trabalha, Deus ajuda!”.
Nesta quarta-feira, não apenas o Vitória, mas, sobretudo o seu treinador Wagner Mancini teve a maior sorte do mundo. Porque, apesar de já haver confirmado ser um cara competente, de domínio sobre o grupo, que enxerga futebol, andou tomando algumas atitudes, no mínimo incompreensíveis para leigos como eu que, apesar da ignorância, já estamos na estrada há mais de quatro décadas. Errou tudo que podia e acabou ganhando do Atlético/PR, por 2x1.
Sem os dois atacantes – Dinei e Rodrigão – e com a intrigante insistência de não dar chance a Leandro Domingues, que pode ser uma excelente arma tanto no meio-campo quanto no ataque, o jovem técnico pregou uma peça em todos: acabou escalando o menino Adriano que, após o coletivo-apronto, nem relacionado estava para esta partida. Se as saídas de Vanderson e Wilians Santana agora estão sendo justificadas por problemas musculares, a permanência de Ramon Menezes até o fim, visivelmente extenuado, foi um motivo de intensas críticas. Mas o Vitória, que saiu perdendo no primeiro tempo, acabou virando o jogo pela primeira vez e justamente com um gol de Ramon. Assim, fica provado que, além da inquestionável competência, Mancini é um treinador de muita sorte. 
O Vitória pulou uma grande fogueira e esse é um campeonato em que, para chegar entre os primeiros, é necessário ultrapassar vários testes e obstáculos de real perigo. Contra os paranaenses, foi o triunfo mais suado em jogos do Barradão, mas valeu pelo empenho, pela virada e pela dose de sorte. Faltam três rodadas para acabar o primeiro turno e o nosso bicampeão continua firme, entre as quatro melhores equipes nacionais, fato que tem acontecido há várias semanas. É claro que as três próximas batalhas são difíceis, principalmente contra Grêmio e Palmeiras, considerados favoritos ao título e que vão jogar em suas casas. Contra o Vasco, aqui em Salvador, o rubro-negro tem amplas possibilidades de somar mais três pontos. Mas mesmo nos jogos fora, a equipe tem condições de pontuar – e se isso acontecer, acaba a primeira fase no G-4.
Vamos ver se realmente Leandro Domingues começa a ser definitivamente aproveitado, porque assim Mancini desfaz uma grande dúvida na torcida, que já aposta que ele tem qualquer coisa de pessoal contra este excelente jogador, fato que já parece comprovado no que toca a Danilo Rios, outro craque que o Vitória paga alto e não utiliza.
 Sobre o Bahia, que tenta melhorar sua imagem neste sábado, contra o Brasiliense, no DF, há vários aspectos que precisam ser analisados com mais intensidade e critérios. Mas, de saída, não concordo com essa possibilidade que alguns torcedores abrirem livro de ouro para resolver os problemas financeiros do clube. Nem de andarem prometendo patrocínios para tirar o clube do vermelho. Primeiro, o problema do Bahia está justamente nessa forma superada de enxergar o futebol com soluções imediatas, a troco de caraminguás ocasionais.
O Bahia, até mesmo pela imensidão de sua torcida, é grande demais para essas atitudes de times de bairro. A sua torcida tem é que exigir reformas e ações administrativas que possam dar sustentação a todas as necessidades de uma grande entidade de prática desportiva. E cabe à diretoria encontrar os meios práticos de uma sobrevivência digna.
Receber ajuda espontânea de torcedores é voltar aos velhos tempos do Bolo Tricolor, loteria paralela que arrecadava dinheiro para pagar as despesas semanais, mas que nunca deu forma e imagem de uma organizada e grande instituição.