APATIA E DECEPÇÃO
Só mesmo o Vitória da Conquista proporcionou alegrias para a sua torcida neste final de semana, atropelando o Sergipe, por 3x1, e garantindo a vaga para a próxima etapa, na Série C, como primeiro de sua chave para, agora, integrar o Grupo 20, contra Asa/AL, Confiança e Sergipe S/E. O Itabuna fracassou na última rodada e o Atlético já chegou baleado e no último estertor.
O Bahia, na Série B, voltou a desapontar, deixando de conquistar mais dois preciosos pontos, no empate contra o Bragantino, em Feira, por 2x2, e o Vitória, na Série A, foi um time desfigurado no jogo contra o Atlético/MG, em Minas, não merecendo outra coisa senão a derrota de 2x1. Faltaram-lhe a velocidade, o apetite de gols, o jogo alegre de seu já aplaudido comportamento.
Em Feira de Santana, repetiu-se tudo: o tricolor jogou um bom primeiro tempo, fez 1x0, aumentou logo no início da segunda fase, e foi só, porque além de ceder terreno para o adversário, pode até se dar por satisfeito com um lastimável 2x2, porque o Bragantino teve, além de um pênalti não marcado, uma chance claríssima de gol, no último instante, defendida, de susto, por Darci, que pode até ser culpado dos gols que levou, mas que andou defendendo algumas bolas muito difíceis.
Há alguns dramas que enredam o Bahia: pontuar muito mal em seus próprios domínios, não haver transitado no G-4, desde que o campeonato começou, e uma torcida tão insatisfeita que alguns mais exaltados chegam ao desvario de fazer ameaças com quebra-quebra e mortes, premissas que qualquer cidadão de bem tem que abominar.
Eu até concordo com o descontentamento de quem torce por um time de aproveitamento de 52,2% fora de casa (11 pontos em 21 disputados) e apenas os míseros 38,1% nas partidas de seu terreiro (oito pontos em 21 disputados). Se esta situação não for logo alterada, vai ficar improvável qualquer expectativa de vaga para a primeira divisão. Tem mais é que lutar para se manter na segunda divisão.
Ainda agora, passadas 14 rodadas, o problema que se explicita no Bahia não se limita à falta de jogadores de valor, mas, também, pela ausência de um esquema mais diversificado, que fala a bola fluir em todos os setores do campo, fato que tenho constatado na maioria dos times que aqui chegam. O Bahia, não. Defesa, defesa, lutando tenazmente para se livrar da bola. Meio-campo de pouca criatividade, rifando o jogo. Ataque somente agora com uma boa pitada de talento, através de Marcelo Ramos. E é até provável que esteja surgindo uma dupla de atacantes de boa qualidade, porque, apesar de tudo, não se pode negar uma aceitável qualidade no Galvão. Mas ainda foi, no último jogo, uma equipe muito distante de impor, o tempo todo, o seu estilo, carente de ser repensado pelo técnico Arturzinho.
O Vitória, que cumpre boa campanha na Série A, mantendo-se sempre no pelotão de frente, tem acumulado desperdício de oportunidades para até solidificar a impressão de que pode brigar pelo título. Neste último domingo, por exemplo, jogou com tanta apatia que o triunfo do Atlético/MG (2x1) serviu de castigo, mostrando-lhe que, com mais pegada e determinação, não teria sido o fim do mundo haver chegado à liderança, porque Flamengo e Grêmio ficaram no empate e se o rubro-negro tivesse vencido teria acordado na segunda-feira com os mesmos 29 pontos do tricolor do Sul e uma vitória a mais (nove contra oito).
Mas nenhuma ação na vida pode ser conjugada na condicional. Portanto, até o primeiro turno terminar as rodadas são decisivas para tricolores e rubronegros: o Bahia joga contra o Brasiliense e Marília fora, Ponte Preta, CRB e Gama em Feira; o Vitória joga contra Grêmio/RS, no Olímpico, Palmeiras, no Palestra Itália, Atlético/PR e Vasco, no MB. Dos 15 pontos que ainda vai disputar, o time de Arturzinho tem que conquistar pelo menos 10 para se manter em condições de aspirar uma das quatro vagas e dos 12 que ainda restam ao Vitória, para não se distanciar do G-4 tem que conquistar oito. Pior é que o nosso campeão vai disputar, em uma só viagem, Grêmio e Palmeiras, dois adversários que brigam pelo título.
Por todas essas razões, ainda não é hora de encomendar vestes pretas para ninguém. Nem mesmo com torcedores do Bahia gritando no rádio que tem faca afiada e revólver cheio de bala para punir os seus dirigentes.