IRRESPONSABILIDADE
Irresponsabilidade! Nenhuma outra palavra encaixa melhor no “planejamento” feito por Renato Gaúcho - com a devida omissão da diretoria - para a participação do Bahia no Campeonato do Nordeste. O argumento inicial de dar ritmo cai por terra quando jogadores como Morais, Omar, Fernando, Vágner, Diego, Leandro, Vander e Itacaré, por exemplo, que atuaram pouco ou são reservas, recebem folga com uma competição oficial, importante, em andamento. Não faz o menor sentido!
Já tentei ser compreensivo, analisar os argumentos do clube, mas não dá para ser maleável. A única coisa que me vem à cabeça é que Renato queria um álibi para ficar 17 dias de férias no meio da temporada. O Bahia não pode se dar ao luxo, em todos os sentidos, de permitir esse tipo de descompromisso. Sem pensar digo um motivo financeiro e outro técnico. Sem dinheiro e com o mês de maio em aberto, não seria melhor manter os titulares para arrecadar com a bilheteria? O Ba-Vi teve menos de 4 mil pagantes. Com o time principal daria, pelo menos, umas 10 mil. E, mesmo com a folga, junho será pago integralmente. Uma equipe que em cinco meses de trabalho ainda não conseguiu um padrão de jogo e que vinha de duas derrotas ridículas, com erros infantis, não deveria ficar treinando para recuperar isso?
Pois bem, Renato faz o que quer porque deixam. Na verdade, o presidente e o gestor de futebol foram no embalo. Também tiraram uma folguinha. Ninguém é de ferro, não é verdade? Mas o ferro, de verdade, só sobra na cabeça da torcida. Problemas se acumularam. O que mais se vê é choro de dirigentes e treinadores sobre a falta de tempo para planejar e trabalhar. Quando isso acontece, jogam pra cima. Novamente repito: não faz o menor sentido!
Eu, aqui nesse espaço, havia demonstrado minha admiração pelo trabalho de Paulo Angioni. Não quero ter, mais uma vez, um julgamento precipitado, mas, até aqui, seu trabalho de campo tem sido fraco. A pior decisão foi ter levantado suspeitas desnecessárias ao trazer três jogadores ruins do Olaria, clube que administra. Também não soube conduzir a questão da lateral direita. Tinha acertado com Ruy Cabeção, mas teve que engolir Dênis goela abaixo. Na época já sabia que não ia renovar com Carlos Alberto e que Apodi dificilmente ficaria. Moral da história, o Bahia corre atrás de outro jogador pra posição em um mercado escasso. Ruy fechou com o Brasiliense. Temo que o problema se repita com os volantes. Apostar em Bruno Octávio vindo de duas gravíssimas cirurgias nos dois joelhos e no lento meia Leandro Bonfim – há um ano parado – é um risco desnecessário. Enquanto isso, Marcelo Guimarães Filho segue fazendo campanha pelo interior. Não sei o que mais precisa acontecer para os dirigentes levarem o Bahia com respeito e responsabilidade...