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DE MÃO BEIJADA

Explicam os sábios da língua pátria que esse negócio “de mão beijada” é em referência ao dízimo que sempre se doou às igrejas. No passado, as pessoas faziam suas oferendas e como recompensa beijavam as mãos dos vigários. Fé, devotamento e garra religiosa sempre acabando na sacolinha do padre. Em adágio mais atual, é o mesmo que entregar o ouro ao bandido.
Nesta longa noite de quarta-feira, após 120 minutos de futebol no famoso Maracanã, a torcida do Fluminense levou fé, o time teve muita garra, mas acabou entregando a taça da Libertadores de mão beijada. Teve todo tempo normal, mais 30 minutos, só acabou chegando aos pênaltis, quando, então, foi um desastre. Ninguém pode lhe negar falta de disposição, mas houve uma imensa dose de azar.
É pena que tenha sido o de melhor campanha na competição, mas que, na hora final, tenha decepcionado um estádio lotado e um país inteiro que torceu a seu favor pela televisão. Foi muito doloroso ver um time que deveria ser absoluto em seu habitat tão nervoso e com tantas imprecisões na defesa. Mesmo assim, lutou com todas as forças, empatou a decisão (5-5), pois em Quito perdeu por 4-2 e no Rio conseguiu fazer 3-1. Só acho que deixou durante todo o jogo a imagem de que bem poderia, com mais toque de bola e menos equívocos, ter feito um escore mais elástico, evitando as dúvidas das penalidades. E que o árbitro argentino deixou de marcar um pênalti em Washington e confirmou um falso impedimento de Cícero, quando o Flu bem poderia ter feito o que precisava.
Eu até concordo com os que comentaram que a LDU, pouco expressiva antes desta decisão, é um time que sabe jogar no contragolpe e que tem alguns jogadores de destaque, mas tecnicamente o Fluminense é infinitamente superior, só não soube matar logo a decisão no tempo normal de jogo – e a partir da prorrogação passou mesmo a ser um jogo de loteria, embora tenha faltado, também, tranqüilidade e firmeza para bater os pênaltis.
Lamentável, muito lamentável mesmo esta derrota do pó-de-arroz, um clube muito simpático e que se organizou para chegar a esta decisão. Uma torcida valorosa, que proporcionou quase R$ 6 milhões nos dois últimos jogos do Maracanã (Boca e LDU), e que agora vai ter que torcer para uma recuperação no Brasileiro da Série A, pois foi priorizar a Libertadores e acabou, com uma equipe de reservas, amargando maus resultados e estando, após oito rodadas, entre os possíveis rebaixados.
Como a vida continua, temos agora que olhar é os nossos Vitória e Bahia, o rubro-negro na tentativa de manter a boa campanha na Série A, onde é atualmente o quinto colocado e o tricolor, de sair do buraco em que entrou, na Série B, onde é o 17º e, consequentemente, transita na faixa dos degoláveis.
Reafirmo que o Bahia não seja nenhum caso perdido. Tem possibilidades concretas de ganhar esse seu novo jogo em seus domínios, Feira de Santana, nesta sexta-feira, contra o invicto Avaí, quebrando um jejum que está ficando muito chato. E então volta a respirar no campeonato. Basta ter atitude de time grande e dono do terreiro. Já o Vitória, que tem um jogo encardido, no domingo, lá no Canindé, enfrenta um ótimo teste, porque até agora só ganhou no Barradão, onde conquistou 12 dos 14 pontos de sua campanha.
Embora não seja ainda a decisão do título como foi o jogo do Flu, estejamos ainda chegando a um quarto do campeonato, é importante que os nossos times joguem com personalidade e determinação, principalmente aqui em casa, para não andar entregando pontos de mão beijada.