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NÃO PERDER O RUMO

Por Edson Almeida
 O Vitória começa a ganhar a confiança da torcida pelo futebol valente e alegre que vem jogando no Brasileiro. São quatro vitórias consecutivas em seu estádio, colocando-o em quinto lugar da competição, nos oito jogos até aqui realizados, à frente de clubes de grande porte como São Paulo, Inter, Botafogo, Grêmio, Santos, Vasco e Fluminense.
 A campanha é boa, mas ainda é muito cedo para se especular vaga na Sul-Americana, na Libertadores ou disputa de título. É um direito que a torcida tem, mas, também, ainda faltam alguns predicados para se chegar a esse grau de confiança. O time precisa começar a ganhar fora, porque nos três jogos realizados em campos adversários até agora, foram bons empates com Sport e Coritiba, pouco aceitável a derrota diante do fraco Ipatinga, com a agravante de que o rubro-negro ainda não marcou um único gol.
 Para chegar entre os primeiros não basta somar muitas vitórias e pontos dentro de seus domínios. É fundamental que se cumpra, também, uma campanha de qualidade na casa de seus adversários. E dois empates representam menos do que uma vitória, já que somam apenas dois pontos na tabela.
 Mas sobre o comportamento do time, pelo menos nas quatro vitórias seguidas do Barradão, o Vitória atuou com atitude, buscando o resultado do primeiro ao último minuto e isso vale muito para ganhar confiança da torcida e ritmo de time vencedor. Aliás, foi assim desde o segundo tempo do primeiro jogo, quando perdeu para o Cruzeiro, por 2-0, em atuação equivocada na primeira fase. Naquele dia, só não logrou um escore positivo, porque o goleiro Fábio foi a grande figura do espetáculo.
 Contra o Figueirense, domínio absoluto, 4-0; diante do Santos, um 1-0 apertado, mas com muitas chances criadas; o 2-1 diante do Inter também apresentou uma apreciável superioridade e neste último triunfo (3x0 Goiás), só o primeiro tempo foi de inquestionáveis dificuldades, quando Hélio dos Anjos fez prevalecer uma marcação rigorosa, o que não foi novidade para quem o conhece como técnico de tantas passagens pelos nossos dois maiores clubes.
 O Vitória tem todas as ferramentas para uma bela campanha neste Brasileiro, e mesmo que não seja campeão ou não fique entre os agraciados para a Copa Libertadores que, pelo menos, não passe o vexame de ficar lutando para não ser degolado. Situar-se entre os 10 melhores, o que já representará participar da Sul-Americana, será de bom tamanho.
 Ocorre, porém, que os fatores que levam a se crer em uma situação mais confortável passam pela dosagem de experiência e juventude, pela qualidade do grupo, pela excelente disponibilidade de banco de reservas e pela inflamada participação da torcida que só precisa duplicar a presença no estádio, como ocorreu durante quase toda a segunda divisão.
 Como cada jogo tem sido uma decisão e uma espécie de mostrar qual realmente a intenção do time, a Portuguesa, lá em seu acanhado campo do Canindé, não deixa de ser mais um rigoroso teste para os da Toca do Leão. Bem que um triunfo não apenas quebra o tabu dos jogos fora, mas serve para realçar a campanha que, até aqui, tem criado grandes esperanças entre os torcedores.
 Já o Bahia, que volta a campo nesta sexta-feira contra o Avaí, em Feira de Santana tem como o Vitória fora, o dever de conseguir o primeiro sucesso em seus domínios porque, também, em situação inversa, só conseguiu dois empates no Jóia, enquanto fora de seu habitat já venceu duas partidas: 1x0 América/RN e 2x1 Criciúma/SC.
 Não chego ao pessimismo de achar que o tricolor seja um caso perdido. Vai melhorar, sim, na medida em que os seus principais jogadores voltem a jogar o bom futebol que têm como são os casos de Alyson, Rogério, Marcone, Fausto e Elias, todos de inquestionável capacidade técnica. Galvão já mostrou que é matador e ainda há outros que podem completar um time eficiente e com o espírito de vencedor.
 É uma questão de mais duas ou três rodadas e de um belo triunfo em Feira de Santana.