O RICO POBRE
É sempre muito deprimente a história de um rico que, de tanto realizar seus negócios com imprevidência, caiu nas malhas da pobreza de tal sorte que fica mesmo enredado em verdadeiros labirintos, sem saber o que fazer e sem os recursos necessários para retomar os rumos da prosperidade.
Nos meus tempos de menino, lá no meu interior, conheci uma família que acabou servindo de exemplo para que a minha sábia mãe sempre nos alertasse contra a incúria e a soberba, porque não há fortuna nem conquistas que resistam a essas duas mazelas humanas juntas. Pensem bem uma pessoa ou um grupo de pessoas levando uma vida opulenta com falta de aplicação e de cuidados preventivos, sob a ótica do desleixo, da inércia e da negligência. E além dessas coisas, com a arrogância de um orgulho muitas vezes ilegítimo, construído por ocasiões efêmeras e passageiras, que não se consolidaram por um trabalho exaustivo e continuado.
Esses ensinamentos, lembro-me como se fossem hoje, eram ditos com uma linguagem simples de uma mãe de família numerosa nos momentos de maior aflição quando, também, ao perder o nosso pai, tivemos, crescidos e pequenos, que trabalhar diuturnamente para ganhar o pão de cada dia. Com esforço, humildade, atenção para todos os passos, principalmente para o aspecto de que já não tínhamos mais as facilidades dos tempos anteriores. A família rica que empobrecera de forma repentina, por causa da falta de acuidade, continuava sofrendo muito, porque não admitia a situação em que se metera. Continuou teimando em vestir-se de seda chinesa e de gasemira inglesa, mas comendo uma lata de sardinha como farta peixada em porcelana persa.
Guardada as devidas proporções, é assim que vejo o Bahia, empobrecido, vivendo de um passado realmente glorioso, mas que só poderá ser retomado após memorável coragem de admitir as suas atuais fragilidades, calçar a sandália da humildade e planejar-se para recuperar os terrenos perdidos. Não adianta ficar se enganando com as glórias do passado. Que elas são importantes, são. Mas na medida exata de se corrigir os inquestionáveis desleixos dessa entidade de prática desportiva que, em certa época, de tantas facilidades que encontrava para acumular títulos e conquistas, deitou-se sobre o berço esplêndido da imprevidência.
Só depois de cada derrota humilhante e contundente, como foi esta de 4x1 para o Juventude, é que torcedores e imprensa começam a reclamar soluções. Sem pretender qualquer tipo de recompensa, tenho que dizer que essa advertência já venho fazendo há longos anos, o que me tem proporcionado alguns contendores gratuitos, sob a ótica de que pretendo minimizar os feitos tricolores.
O problema é muito mais complexo do que se possa imaginar: sem recursos, desacreditado na praça e no país, órfão de pai e de mãe, porque o seu único amparo foi sempre as rendas da fiel torcida em jogos da Fonte Nova, atualmente fechado por causa daquela terrível tragédia de novembro, tem faltado três antídotos para o veneno que atrofia a grande instituição: união, humildade e coragem para tomar decisões. Não vai adiantar aqui ficar dizendo que os jogadores são fracos, que o goleiro falhou, que o zagueiro não marcou certo, que os atacantes desperdiçaram boas chances, que o técnico fez alterações equivocadas, que o time só joga relativamente bem no primeiro tempo, entregando-se na fase complementar. Ficar batendo nesses aspectos é o mesmo que repetir uma nota só em instrumento musical de péssima qualidade. Dói na cabeça e na alma.
O problema do Bahia é estrutural. Tem que haver mudanças em seu combalido método administrativo, amadorista e superado. Tem que haver a humildade de reconhecer suas fraquezas e arregimentar forças de todos os lados, tem que buscar os recursos e as provisões de todos os segmentos tricolores. E tem mais: se muitos, que nem ajudam nem entendem esses clamores, continuam repetindo a cantilena “devolvam o meu Bahia”, nada mais reparador do que os atuais dirigentes, que tanto têm insistido sem encontrar soluções, promovam todo tipo de mudança, de cabeça erguida e sem as vaidades que ainda emperram o progresso.
Senão, vai ser tarde demais para resgatar o bicampeão brasileiro da sua agonizante sobrevida de UTI.
Nos meus tempos de menino, lá no meu interior, conheci uma família que acabou servindo de exemplo para que a minha sábia mãe sempre nos alertasse contra a incúria e a soberba, porque não há fortuna nem conquistas que resistam a essas duas mazelas humanas juntas. Pensem bem uma pessoa ou um grupo de pessoas levando uma vida opulenta com falta de aplicação e de cuidados preventivos, sob a ótica do desleixo, da inércia e da negligência. E além dessas coisas, com a arrogância de um orgulho muitas vezes ilegítimo, construído por ocasiões efêmeras e passageiras, que não se consolidaram por um trabalho exaustivo e continuado.
Esses ensinamentos, lembro-me como se fossem hoje, eram ditos com uma linguagem simples de uma mãe de família numerosa nos momentos de maior aflição quando, também, ao perder o nosso pai, tivemos, crescidos e pequenos, que trabalhar diuturnamente para ganhar o pão de cada dia. Com esforço, humildade, atenção para todos os passos, principalmente para o aspecto de que já não tínhamos mais as facilidades dos tempos anteriores. A família rica que empobrecera de forma repentina, por causa da falta de acuidade, continuava sofrendo muito, porque não admitia a situação em que se metera. Continuou teimando em vestir-se de seda chinesa e de gasemira inglesa, mas comendo uma lata de sardinha como farta peixada em porcelana persa.
Guardada as devidas proporções, é assim que vejo o Bahia, empobrecido, vivendo de um passado realmente glorioso, mas que só poderá ser retomado após memorável coragem de admitir as suas atuais fragilidades, calçar a sandália da humildade e planejar-se para recuperar os terrenos perdidos. Não adianta ficar se enganando com as glórias do passado. Que elas são importantes, são. Mas na medida exata de se corrigir os inquestionáveis desleixos dessa entidade de prática desportiva que, em certa época, de tantas facilidades que encontrava para acumular títulos e conquistas, deitou-se sobre o berço esplêndido da imprevidência.
Só depois de cada derrota humilhante e contundente, como foi esta de 4x1 para o Juventude, é que torcedores e imprensa começam a reclamar soluções. Sem pretender qualquer tipo de recompensa, tenho que dizer que essa advertência já venho fazendo há longos anos, o que me tem proporcionado alguns contendores gratuitos, sob a ótica de que pretendo minimizar os feitos tricolores.
O problema é muito mais complexo do que se possa imaginar: sem recursos, desacreditado na praça e no país, órfão de pai e de mãe, porque o seu único amparo foi sempre as rendas da fiel torcida em jogos da Fonte Nova, atualmente fechado por causa daquela terrível tragédia de novembro, tem faltado três antídotos para o veneno que atrofia a grande instituição: união, humildade e coragem para tomar decisões. Não vai adiantar aqui ficar dizendo que os jogadores são fracos, que o goleiro falhou, que o zagueiro não marcou certo, que os atacantes desperdiçaram boas chances, que o técnico fez alterações equivocadas, que o time só joga relativamente bem no primeiro tempo, entregando-se na fase complementar. Ficar batendo nesses aspectos é o mesmo que repetir uma nota só em instrumento musical de péssima qualidade. Dói na cabeça e na alma.
O problema do Bahia é estrutural. Tem que haver mudanças em seu combalido método administrativo, amadorista e superado. Tem que haver a humildade de reconhecer suas fraquezas e arregimentar forças de todos os lados, tem que buscar os recursos e as provisões de todos os segmentos tricolores. E tem mais: se muitos, que nem ajudam nem entendem esses clamores, continuam repetindo a cantilena “devolvam o meu Bahia”, nada mais reparador do que os atuais dirigentes, que tanto têm insistido sem encontrar soluções, promovam todo tipo de mudança, de cabeça erguida e sem as vaidades que ainda emperram o progresso.
Senão, vai ser tarde demais para resgatar o bicampeão brasileiro da sua agonizante sobrevida de UTI.