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VITÓRIA DA MATURIDADE

Por Edson Almeida
 Ganhar de qualquer jeito é muito bom. Pelo desempenho de um jogador que desequilibra, por uma bela e repentina atuação de um time, pela sorte de uma alteração ou até mesmo quando a equipe joga muito mal e consegue em um lance qualquer, marcar um gol e resistir durante todo jogo para garantir o resultado.
 O Vitória deste domingo contra o Internacional, contudo, foi diferente, porque teve algo mais, seqüenciado a sua boa fase, com um triunfo difícil, suado, mas ditado pelo equilíbrio do da equipe. Até que mereceu um resultado maior do que 2-1, porque teve muito mais chances do que os gaúchos, dominados em grande parte do jogo. A trajetória do rubro-negro no Barradão foi assim: contra o Cruzeiro (0-2), um primeiro tempo confuso, problemático, levou os dois gols, mas no segundo apresentou um apreciável progresso, só não revertendo o placar por causa do goleiro Fábio; diante do Figueirense (4-0), o time da Toca sobrou, até que poderia ter encaixado um resultado mais elástico; na partida contra o Santos (1-0), só jogou muito bem no primeiro tempo, pois no segundo, mesmo com os santistas tendo um jogador expulso, foi um sufoco para agüentar até o fim.
 Mas diante do Inter, não. Dominou inteiramente todo o primeiro tempo, fez dois gols e bem que poderia ter feito mais. No segundo tempo, outra vez mandou no jogo até os 15 minutos, aos 19 levou um gol, teve um período de depressão, mas nos últimos 15 minutos retomou as ações, criando novas oportunidades, inclusive com duas bolas nas traves coloradas. O que se viu então foi um time mais maduro, que soube superar as dificuldades com certa tranqüilidade, sem precisar rifar a bola. A defesa, com Leonardo e Anderson, quase perfeita; os dois laterais muito bem, principalmente o Marcelo Cordeiro, que tem sido um dos mais expressivos reforços da temporada. Apóia com eficiência, com Renan e Vanderson, tem muito fôlego ao voltar para a marcação. Ataca com freqüência, neste jogo com Ramon, Willians, Marquinhos e Dinei, jamais deixando a impressão de falta de apetite. Portanto, a imagem que o nosso bicampeão nos causa é de que tem um ótimo grupo de atletas, ontem até foi para campo com um banco formado por jogadores como Leandro Domingues, Ricardinho e Rodrigão – e outra situação muito positiva é o fato de estar mesclando a experiência de craques como Ramon Menezes à juventude de confirmadas revelações como Anderson Martins, Willians Santana e Marquinhos. E esses quesitos serão muito importantes ao longo de uma competição tão longa e tão difícil como é o Campeonato Brasileiro da Série A.
 Neste feriado de São João, vamos esperar que o Bahia possa confirmar a sua boa história fora de seus domínios, onde em quarto jogos, já alcançou duas vitórias, um empate e uma derrota. O Juventude, seu adversário desta quarta, está incluído entre os quatro classificáveis, mas se o nosso tricolor conseguir derrotá-lo vai ficar em condições de postular uma posição semelhante. O que não pode é deixar de jogar aquele futebol de time grande do primeiro tempo contra o Ceará. Agora, espera-se que ocorra durante toda a partida. O Bahia tem história, tradição, duas estrelas no peito. E de um bicampeão nacional todos nós queremos ver, acima de tudo, um futebol destemido, sem esse negócio de querer garantir resultado antes da hora.
 Na verdade, nestes últimos jogos, as campanhas dos nossos representantes, embora em séries diferentes, têm sido muito semelhantes. E não é bicho-de-sete-cabeças aguardar um bom triunfo tricolor em pleno Alfredo Jaconi, onde, além do respeitável Juventude, o intenso frio do inverno gaúcho certamente será outro forte adversário.