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CARTADA INFELIZ

Por Edson Almeida
 Um torcedor questionou depois do jogo de Fortaleza porque o Bahia, nestes últimos tempos, toda vez que começa ganhando muito bem de qualquer que seja o adversário, acaba se complicando na segunda etapa, a ponto de empatar ou perder jogos que já parecem favas contadas. Ele mesmo, ao mostrar a sua revolta através do rádio (Transamérica FM, “Fogo Cruzado” do Zé Bocão, após Ceará 2-2 Bahia), respondeu: é coisa de time pequeno, que não tem consciência de sua grandeza.
 E citou o Corinthians, cujo aproveitamento de 100% em seis rodadas do mesmo campeonato, é porque entra impondo o seu ritmo e quando faz um gol, vai atrás de quantos possa fazer. É por isso que o time paulista, com 18 pontos em seis jogos, líder absoluto, já marcou 17 gols, o que lhe dá a apreciável média de praticamente três gols por partida, enquanto o nosso tricolor, sem sequer haver entrado no grupo dos classificáveis para a elite em 2009, só fez seis gols e levou sete, com um saldo de menos um.
 O mesmo torcedor, de ótimo senso crítico, sem agredir a quem quer que seja, perguntou quando o Bahia ganhou fora com uma boa diferença, porque ele já nem se lembrava mais. Naturalmente, porque foi em um jogo sem grande repercussão nacional, lá em Arapiraca, no ano passado, por 4x0, valendo pela terceira divisão. Fora esse resultado com folga, fica realmente difícil qualquer um de nós encontrar essa resposta.
 A grande frustração que ficou, nesta última partida, contra o Ceará é que o Bahia parecia haver encontrado a antiga pegada de time grande, impondo com muita eficiência a estratégia do contragolpe. Ninguém pode negar que os cearenses tenham exercício amplo domínio das ações, mas de forma estéril, sem rumo bem definido, errando muito na porta do gol, atacando desordenadamente, complicando-se na defesa.
 O Bahia, ao contrário, teve um primeiro tempo de tática certa para jogo na casa do adversário. Bem fechado na defesa, com três zagueiros (Alison, Marcone e Rogério), explorando as laterais, chegando ao ataque com muita lucidez e praticidade. Fez dois gols e bem que poderia ter construído uma vantagem de três ou de quatro, até porque o árbitro deixou de marcar uma penalidade máxima muito clara.
 O segundo tempo, contudo, foi um desastre só: começou quando o técnico Arturzinho teve que retirar o Alison, extenuado em função de uma recente cura de lesão, para colocar o Padovani, um zagueiro que foi lento, pesado, inconseqüente. E para completar, uma cartada infeliz, a de substituir Elias por Rivaldo sob a ótica de segurar o resultado tão cedo. 
 Foi o que o Ceará mais queria. O técnico Lula Pereira, em contrapartida, acertou ao colocar um tal de Vavá em campo. Aí o time de Fortaleza passou a atacar com mais insistência e melhor capacidade. Explorou as laterais, buscou o jogo veloz e de toques na frente da agora combalida zaga tricolor, passou a ganhar o meio-campo. E o Vavá fez dois gols, empatou o baba e quase leva o seu time a um triunfo de virada.
 Resultado: a noite, que parecia feliz e de comemorações, acabou em tristeza, crítica e descontentamento. Porque ganhava de 2-0, subia da décima para a quarta posição e, de repente, despencou para a décima-primeira.
 E Arturzinho, que já soma méritos nesta sua volta, tem que reconhecer que foi autor de uma cartada muito infeliz.