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SÓ PROBLEMAS

Em lugar de soluções, nossos dois clubes, de forma tão clara e lastimável, só apresentaram problemas nesta quarta rodada de seus campeonatos. Perderam jogos em que eram favoritos, além de não terem forças para chegar a um resultado melhor mesmo com os adversários reduzidos em campo, já que tiveram jogadores expulsos.
No sábado, em Feira, o Bahia voltou a mostrar-se impotente, apático, jogando um futebol que dá a impressão de que dificilmente sobe de divisão. Vai ser preciso uma sacudida bem forte para reacender as esperanças até mesmo dos mais fanáticos torcedores. As mudanças no time parecem inconseqüentes, o esquema está completamente defasado, muito longe daquele Bahia de quase todo campeonato estadual onde, mesmo limitado, mas que se superava em campo, através de raça, determinação e muita persistência. Agora, é uma equipe desmotivada, desnorteada, sem qualquer poder de reação. Levou um gol no início do jogo e só atacou de forma inadequada, na base do desespero e da afobação.
Paulo Comelli também tem a sua culpa: deixa garotos como Ananias e Bruno Lopes no banco preferindo dar chance a jogadores como Bruno Cezarine e Luciano Totó, que só entraram em campo, porque de positivo mesmo nada fizeram.
Aí chega o domingo e o seu rival, o Vitória, repete tudo na primeira divisão, contra o Ipatinga, um time desqualificado, que fez um gol na única chance que teve durante todo o primeiro tempo, mas que, tantas foram as falhas rubro-negras na etapa complementar que até teve chances não apenas de fazer o outro gol que fez, mas de chegar a um resultado mais elástico. Porque o nosso campeão teve um domínio falso durante toda a partida, daqueles que a gente sente que, se o jogo ainda estivesse sendo jogado, nada de novo estaria acontecendo. Domínio estéril, um jogo de tico-tico no fubá que não leva a lugar nenhum.
Eu até achei certo o treinador Wagner Mancini repetir Ricardinho e Dinei, pelo excelente jogo que fizeram contra o Figueirense. Mas ele demorou de colocar Ramon e Rodrigão, já que durante todo primeiro tempo os que entraram nada renderam. Mas o técnico estranhamente primeiro fez entrar Muriqui para, só bem mais tarde, lembrar-se se Ramon e Rodrigão. E aí tudo continuou no mesmo. Domina daqui, domina dali, nada de positivo na hora de chutar a gol.
Outra coisa: essa viagem de Ipatinga foi tão ruim para o Vitória que, além de perder por 2x0 para um time que levou grande parte do jogo com dois a menos, ainda teve Vanderson e Leonardo Silva expulsos nos momentos finais e fica desfalcado para enfrentar o Santos.
Sei que ainda é cedo para semear descrença, até porque também me incluo entre os torcedores que desejam, com todas as forças, que tanto Bahia quanto Vitória ainda brilhem nesta temporada. Mas não posso deixar de alertar dirigentes e técnicos sobre os perigos que nos rondam.
Se o Bahia não mudar a sua atitude, passando a jogar com mais disposição, resgatando pelo menos a velha garra e o Vitória não se encaixar definitivamente na postura de que ele tem uma equipe de bom nível e que é também capaz de engrenar um futebol mais objetivo fora de casa, não vai ter jeito mesmo.
A única coisa que se pode prever é dentro de mais umas cinco rodadas desengavetar as velhas máquinas de calcular e começar a repetir aquele terrível hábito de ficar fazendo cálculos para não cair de divisão.
Porque, com toda sinceridade, esse final de semana, quando se esperava que tricolores e rubro-negros apresentassem soluções para suas campanhas, foi um grande vendaval de problemas.